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As colisões
entre modelos de diferentes dimensões
e pesos são quase sempre fatais para
os mais compactos. Para contrariar esta realidade,
a Renault levou a AutoMotor ao centro de testes
de Lardy para assistir, in loco, a um crash-test
entre o Clio III e o Scénic. Apesar
da violência do embate, a 50 km/h, os
dummies não sofreram lesões
graves, provando que nem tudo está
perdido quando o acidente acontece
Por Jorge Flores Fotos Renault
JANEIRO 2006 |
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A geografia acaba
por ter a sua ironia. Mas foi justamente nos arredores
da cidade de Paris, ainda em estado de emergência
decretado pela vaga incendiária de viaturas,
que a Renault acolheu a comunicação
social internacional para desvendar os resultados
dos seus mais recentes estudos em matéria
de segurança passiva. Fê-lo naquele
que é o seu "sagrado" Centro de
Testes de Lardy. E sacrificando, para tal, dois
dos seus modelos mais expressivos em termos comerciais
(e merecedores ambos da classificação
de cinco estrelas nos testes do EuroNCAP), através
de um crash-test frontal, a uma velocidade de 50
km/h.
De um lado, o Clio III - recentemente eleito o Carro
do Ano Internacional 2006 - e, do outro, o monovolume
Scénic...
Os momentos que antecedem um choque desta natureza
são sempre de grande
expectativa, mesmo numa plateia experiente. Assim
como os instantes que o sucedem são de pura
estupefacção. "Como pode uma
velocidade aparentemente tão baixa provocar
um tal registo sonoro e uma tamanha destruição
nos veículos?", parece ser a pergunta
generalizada a pairar na cabeça dos jornalistas
ali presentes.
Para que este crash-test pudesse ser apresentado
aos olhos da imprensa já muitos outros haviam
sido efectuados, de portas fechadas, aos quais terão
de se adicionar outras 4000 simulações
em computador, para que tudo batesse certo. Com
esta experiência em concreto, os engenheiros
franceses pretendiam não apenas demonstrar
a compatibilidade existente entre modelos de diferentes
dimensões e pesos (recorde-se que o Scénic
pesa mais 220 kg, como ainda a capacidade de ambas
estruturas absorverem a energia do impacto, reduzindo
ao máximo os danos físicos, quer dos
ocupantes frontais, quer dos traseiros (ver caixa),
estes últimos, segundo os responsáveis
da marca, habitualmente negligenciados.
Acidente habitual
Tudo começa e acaba numa fracção
de segundo. Tal como num acidente real, de resto.
Aliás, a intenção de tornar
esta experiência o mais representativa possível
do grosso dos acidentes é assumida pela Renault.
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precisas 14 pessoas e uma semana para
preparar um crash-test. Estando este
concluído, há que analisar
todos os dados recolhidos pelos técnicos
de biomecânica |
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Segundo as estatísticas da sinistralidade
francesas, 18% dos mortos e 25% dos feridos graves
ocorrem em colisões frontais como esta, sendo
que, em 45% dos casos, a diferença de peso
é também de 200 kg.
Daí que os responsáveis tenham apontado
a parte lateral esquerda (da frente) do Scénic
ao centro do Clio para perfazer na perfeição
a tipologia dos acidentes. Também os 50 km/h,
idealizados para o embate e encontrados numa recta
de 100 metros, foram calculados em termos médios
- mesmo que os regimes de circulação
sejam, porventura, mais elevados, haverá
que ter em consideração que, na maioria
dos acidentes, o condutor ainda tem tempo de travar,
fazendo baixar a velocidade no momento do choque.
O crash-test correu bem. Pelo que a AutoMotor pôde
comprovar, in loco - e ainda com o cheiro a pneus
rebentados, chapa retorcida e airbags disparados
no ar -, apesar dos imensos estragos, toda a estrutura
que albergava os dummies estava ainda intacta, permitindo
com relativa facilidade a abertura das portas.
Habitáculo
indeformável
Centrando-nos ainda nas estatísticas francesas,
um embate com estas características representaria
a morte dos ocupantes do modelo mais pequeno em
25% dos casos, subindo para 50% as hipóteses
de ficarem gravemente feridos. Tal não aconteceria
aqui se, em lugar dos dummies, estivessem pessoas
de carne e osso.
Graças ao facto de o habitáculo do
Clio possuir uma zona indeformável, toda
a área onde se encontram os ocupantes se
comporta como uma autêntica célula
de sobrevivência, evitando a intrusão
de elementos do bloco dianteiro. Isto porque também
a estrutura frontal do Clio foi projectada para
canalizar a energia provocada pelo choque para o
reforço da cava da roda e para o montante
do pára-brisas e painéis das portas.
Já no rescaldo da operação,
o responsável pelo departamento de Segurança
Rodoviária da Renault, Jean-Ives la Coz,
revelaria que ninguém teria sofrido lesões
de maior gravidade na cabeça, pescoço
ou tórax (as mais frequentes e fatais nestes
acidentes), registando os dummies apenas marcas
ao nível do abdómen e das pernas.
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Novo
assento central PRIORIDADE
ÀS CRIANÇAS
Na Europa, 30% dos passageiros traseiros
implicados em acidentes são menores
de 10 anos.
Pior: 22% dos casos poderiam ser evitados.
Bastava que se utilizassem sempre,
e de uma forma correcta, os bancos (algo
que apenas acontece em 37% dos veículos
fiscalizados). Nesta área sensível
da segurança infantil, a Renault
decidiu inaugurar com o Clio III uma
nova forma de instalação
para crianças dos 6 aos 10 anos,
também sujeita à prova
neste crash-test, no Centro de Testes
de Lardy. Começa por incluir
uma almofada do assento mais curta,
possibilitando que as crianças
se sentem de uma maneira mais correcta
e de acordo com a sua morfologia, passando
ainda por novos fechosde cintos de segurança,
colocados agora numa posição
mais elevada,para que o cinto fique
ao nível da bacia e impeça
o seu deslizamento.
O Clio III tem ainda um pack (disponível
como opcional) que contempla uma guia
adicional do cinto, situada na parte
superior do encosto, que evita que as
crianças sejam pressionadas pelo
mesmo no pescoço, bem como um
novo encosto de cabeça convertível
para crianças, que se torna numa
espécie de concha protectora
- com este dispositivo de segurança,a
criança poderá inclusivamente
adormecer, mantendo-se o cinto sempre
bem colocado, independentemente da posição
que o seu corpo adopte.
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