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Recorrendo a um sistema de tracção integral mais evoluído, o novo Nissan X-Trail está mais orientado do que nunca para percursos fora-de-estrada. Apesar disso, não perde competência em trilhos de asfalto, graças à eficácia do propulsor turbodiesel 2.0 dCi de 173 cv e ao conforto oferecido a bordo
Por Nelson Oliveira Fotos Miguel Ângelo Silva
JANEIRO 2008 |
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Para criar o novo X-Trail, a Nissan procurou manter os pontos fortes da primeira geração deste SUV, mas dotou-o de um sistema de tracção integral mais evoluído, que lhe oferece uma maior vocação para a prática do todo-o-terreno. Em princípio, esta maior apetência por trilhos inóspitos não seria de estranhar, não fosse a crescente “domesticação” dos SUV, cada vez mais preocupados em oferecer uma aparência dinâmica e uma orientação estradista mais acentuadas.
Apesar de ainda estar longe de ser um todo-o-terreno “puro e duro”, o facto é que o novo X-Trail representa um bom compromisso entre estes dois mundos, sendo capaz de pisar terrenos pouco acessíveis, ao mesmo tempo que garante uma boa eficácia em estrada. Esta última deve-se muito às boas prestações do motor turbodiesel 2.0 dCi de 173 cv, o mais potente da gama, bem como ao rolamento confortável oferecido pela suspensão.
Forma funcional
No exterior, o novo X-Trail manteve--se bastante fiel às suas origens, ao ponto de, à primeira vista, não ser fácil diferenciá-lo da anterior geração. Esta opção por preservar as formas algo quadradas e robustas da carroçaria pode agradar aos clientes tradicionais deste SUV, mas não será, decerto, o principal motivo para conquistar um novo público.
Já o ambiente interior desta nova geração é bem mais consensual e cativante. Em primeiro lugar, o habitáculo ganhou uma maior amplitude, tirando partido de uma carroçaria que cresceu em todos os sentidos, especialmente ao nível do comprimento, que subiu 175 mm, passando para 4630 mm. Por isso, os passageiros do X-Trail não se podem queixar de falta de espaço, especialmente os que ocupam o banco traseiro, pois o espaço para as pernas é generoso.
A bagageira também convence pela capacidade de 603 litros que oferece na configuração normal, valor que pode aumentar para 1773 litros com o rebatimento dos bancos traseiros (na proporção 40/20/40).
Dentro do habitáculo também não faltam soluções funcionais para transportar pequenos objectos, destacando-se o porta-luvas com 15 litros de capacidade e o amplo compartimento fechado no topo do tablier.
A boa qualidade de materiais, que se sente no toque suave dos revestimentos aplicados no tablier, bem como a solidez da montagem, são outros elementos que merecem uma nota bem positiva. Uma das alterações mais drásticas que esta nova geração trouxe ao habitáculo foi a deslocação do painel de instrumentos da zona central para trás do volante, solução que não só resulta melhor visualmente, como também simplifica a vida ao condutor, permitindo-lhe concentrar--se mais rapidamente na condução.
Energia constante
Após alguns ajustes rápidos e práticos para encontrar a posição de condução ideal, é possível tomar contacto com o desempenho convincente da unidade turbodiesel 2.0 dCi de 173 cv. Além de um ruído de funcionamento contido, este propulsor seduz pela resposta segura e linear desde os regimes baixos, o que resulta numa condução em ambiente urbano muito confortável, pois poupa o condutor a constantes trocas de mudança.
Esta energia não se desvanece quando atingimos velocidades mais elevadas, sendo possível rodar em estrada aberta com uma mudança elevada engrenada sem grandes preocupações.
A caixa manual de seis velocidades revela-se também uma boa aliada do condutor, devido à sua precisão e bom escalonamento.
Os consumos deste propulsor não são propriamente comedidos, mas também não chegam a assustar, registando-se uma média ligeiramente acima dos 8,5 l/100 km numa utilização regular em percursos mistos.
Com um esquema de suspensões quase idêntico ao do Qashqai, ou seja, independente à frente e Multilink atrás, este SUV revela uma faceta estradista muito agradável, seduzindo pelo rolamento suave e confortável que oferece. O comportamento dinâmico não compromete, mas também não cativa, pois a carroçaria denota algum esforço quando se entra mais rápido nas trajectórias.
Quando se pisa terreno íngreme, o X-Trail responde à altura, valendo-se do sistema de tracção ALL Mode 4x4-i, que opera em conjunto com os sistemas Downhill Drive Support (DDS) e Uphill Start Support (USS). Além do modo automático, onde a repartição de binário entre eixos varia consoante o piso, este sistema dispõe do modo Lock para situações mais escorregadias, permitindo mesmo ao X-Trail superar obstáculos pouco acessíveis para a maioria dos SUV desta categoria.
A versão SE do novo X-Trail, que com este motor é proposta a partir dos 44 mil euros, já dispõe de uma lista de equipamento de série bastante completa, incluindo seis airbags; ABS com EBD; ESP; BAS; faróis de nevoeiro; sensores de luz e de chuva: cruise-control; retrovisores eléctricos; rádio com permutador de 6 CD e sistema Bluetooth; e jantes de liga leve de 17”. Mas a unidade por nós avaliada acrescentava ao equipamento de série o tecto de abrir eléctrico de grandes dimensões e o pack de navegação a cores (que engloba também chave inteligente e câmara traseira de auxílio ao estacionamento), elevando a factura final até aos 47 550 euros. |
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