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Michael Schumacher foi “piloto de testes” da Ferrari em Barcelona. Apesar de ter estado um ano afastado da Fórmula 1, conseguiu voltar a fazer a diferença, assim mostrando porque é o campeoníssimo

Por Rui Faria Fotos: Photo 4 e Ferrari
JANEIRO 2008
 
Quem sabe... Sabe
 
Uma das grandes alterações ao regulamento técnico do próximo Campeonato do Mundo de F1 passa pela proibição da utilização do controlo de tracção, uma ajuda que acompanhou a carreira da maioria dos pilotos que hoje milita no escalão superior do desporto automóvel.

Para testar novas soluções com vista ao F2008, a Scuderia recorreu à experiência de Michael Schumacher, um piloto que conduziu monolugares sem controlo de tracção de 1994 a 2001, embora ainda haja muitas dúvidas sobre se o Benetton com que garantiu o primeiro título mundial a tinha ou não...

O desafio era grande para um piloto inactivo há demasiado tempo, pelo que era necessário encontrar um tempo de referência para aquilatar o seu desempenho no circuito de Montmeló. Seria injusto escolher os 1m 21,421s registados em corrida com os depósitos cheios, ou até os 1m 20,597s conseguidos na qualificação, com depósitos com pouca gasolina e pneus novos. Por isso, a lógica apontou para os 1m 21,181s realizados por Felipe Massa nos testes de Fevereiro.


Impressionante

"Quando analisavamos a sua telemetria, viamos dezenas, talvez centenas de micro-correcções no valor da pressão exercida no acelerador. É como se tivesse um controlo de tracção no pé direito"
Willem Toet
A curva La Caixa, uma espécie de gancho, surgia como um dos grandes desafios para os pilotos que estavam privados do controlo de tracção. Logo nas primeiras voltas, Rosberg falhou duas travagens de seguida; Raikkonen, por seu turno, curvou ao mais puro estilo de um piloto de ralis finlandês. Depois, chegou Schumacher.

Tal como aconteceu com os outros pilotos, viu-se o nariz do monolugar do alemão à procura da trajectória, mas o motor não gritava alto. O regime era mais comedido, para evitar que as rodas traseiras patinassem. As duas voltas seguintes pareceram tiradas a papel químico, o que prova que Michael Schumacher não perdeu a sua grande sensibilidade de condução.

Os tempos realizados pelo ex-campeão do mundo passaram a ser a referência para todos os outros pilotos. Mas houve quem não ficasse surpreendido. Willem Toet, que trabalhou com o alemão na Benetton e agora está na BMW, recordou que “quando analisavamos a sua telemetria, víamos dezenas, talvez centenas de micro-correcções no valor da pressão exercida no acelerador. É como se tivesse um sistema de controlo de tracção no pé direito”.

Como no passado, ao longo de cada volta, o alemão não parava de falar via rádio com os engenheiros, fornecendo em tempo real todas as suas sensações ao volante. Foi por isso que a equipa o chamou…


Mais difícil
Segundo Michael Schumacher, nos monolugares sem controlo de tracção “é mais fácil fazer um pião. Hoje ainda é mais fácil do que nos anos 90. Nessa altura os motores de 10 cilindros tinham mais binário, e era mais fácil jogar com a caixa de velocidades. Hoje não se consegue. Fiquei surpreendido por ser tão rápido, depois de umas quantas voltas, mas no início estava tão nervoso como um jovem de 18 anos”.

Ultrapassado este nervoso, o tempo de 1m 21,918s realizado mostra bem o talento do piloto que interrompeu a reforma para mostrar do que ainda é capaz. É certo que ficou a 737 milésimos da marca escolhida para referência (1m 21,181s), mas essa tinha sido obtida com todas as ajudas à condução em funcionamento.

Sobre o futuro, e a possibilidade de efectuar novos testes com a Scuderia, Michael Schumacher não adiantou muito. “Para já, não está nada definido, mas, caso seja necessário, poderemos ver de que forma posso ser útil para a equipa”. Ninguém tem dúvidas de que o alemão está sempre pronto para aceitar um bom desafio – talvez por isso, apesar de retirado da competição, vendo a F1 “deitado no sofá, onde é muito mais cómodo”, admite que tem o tempo muito preenchido: “tirei o brevet de paraquedista e faço muitas coisas. Nunca estou parado”...

Stefano Domenicali
Destinado a ocupar o lugar de Todt

Stefano Domenicali, que este ano se ocupava da direcção desportiva da Scuderia Ferrari, vai assumir o lugar de Jean Todt como director da Gestão Desportiva, passando para o vértice da equipa. No entanto, o francês vai continuar por perto, mantendo o cargo de administrador delegado da marca presidida por Luca di Montezemolo.

Mario Almondo, que assumiu a Direcção Técnica após a saída de Ross Brawn, passa a ocupar o cargo de Director de Operações, tanto mais que é sabido que prefere trabalhar em Maranello, em detrimentoda presença em pista. A Direcção Técnica foi entregue a Aldo Costa, numa altura em que parece improvável o eventual regresso de Ross Brawn, bem mais interessado em voltar a trabalhar em Inglaterra.

No caso da responsabilidade pelo sector de projecto e de motores, não há alterações: os responsáveis continuam a ser Nick Tombazis e Gilles Simon, ao mesmo tempo que Luca Baldisserri, que trabalhou muitos anos ao lado de Ross Brawn atrás do muro das boxes, assume a liderança da equipa durante as provas.
 
 
 
 
 

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