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A profusão de salões num curto espaço de tempo está a causar alguma perturbação no sector automóvel americano. A edição de 2007 do Salão de Los Angeles provou-o: os construtores locais marcaram presença, mas poucas foram as novidades reveladas, o que abriu a porta aos estrangeirps para brilharem num mercado que, pelo seu poder de compra e especificidade, é determinante para as respectivas vendas nos states
Por António de Sousa Pereira Fotos Oficiais
JANEIRO 2008 |
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Qualquer interessado pelo mundo automóvel sabe que o mercado norte-americano tem peculiaridades muito próprias, continuando a ser muito distinto, por exemplo, do europeu. O peso que as pick-ups e SUV têm nas vendas; a preferência por motores de grande porte; uma certa renitência ao Diesel (o que leva a que, em algumas regiões, também não seja fácil encontrar gasóleo de qualidade na maioria dos postos de abastecimento) são dados conhecidos da maioria.
Menos óbvio poderá ser que, noutros domínios, as assimetrias cheguem a ser tão grandes como a extensão de um país que é quase um continente. Factores como as diferentes tradições culturais e sociológicas de cada local; as muitas vezes opostas necessidades e exigências dos condutores em cada região (por via da sua actividade, da orografia do local ou mesmo do clima); e até as distintas normas legais (nomeadamente de protecção ambiental) existentes entre os vários estados condicionam sobremaneira as opções dos consumidores quando se trata de comprar automóvel.
Caso emblemático
O estado da Califórnia será um dos melhores espelhos dessa realidade – e a região de Los Angeles, pela sua afinidade com o mundo do show bizz (patente num poder de compra invejável, assim como numa enorme necessidade de muitos em fazer do automóvel uma afirmação, e em, através dele, tentar marcar a diferença), será, porventura, o seu maior expoente. Aqui, e não obstante até ser a Califórnia um dos estados americanos mais restritivos em matéria de protecção ambiental (a par dos do Maine, Massachusetts, Nova Iorque e Vermont), cruzarmo-nos, a cada esquina, com modelos que só raramente se encontram nas estradas do seu mercado de origem é uma constante.
Para melhor exemplificar esta situação, bastará referir que a Porsche vende em Los Angeles tantos automóveis como em todo o Japão (4% da sua produção anual, com a Califórnia a representar 10% e o EUA 35%!); ou que o maior concessionário Bentley e Rolls-Royce do mundo está sediado em “LA”…
Perante isto, é fácil perceber o paradoxo que representa uma mostra como o Salão de Los Angeles. Por um lado, o discurso politicamente correcto obriga todas as marcas, mesmo as mais exclusivistas, a colocar o acento tónico no ambiente; na redução de consumos e de emissões poluentes; na necessidade de o automobilista em geral, com o norte--americano à cabeça, ponderar na adopção de automóveis mais pequenos, com motores mais eficazes e, principalmente, movidos por combustíveis alternativos. Por outro, o potencial do salão californiano em promover todo o tipo de “excentricidades” leva a que, na prática, potência, performances, tamanho ou luxo sejam atributos em que poucos não apostem para promover os seus produtos. Até mesmo o troféu para o modelo mais “ambiental” do ano (Green Car of the Year de seu nome) foi atribuído, com pompa e circunstância pelo Governador da Califórnia, Arnold Scharwenegger, a um enorme SUV híbrido com mais de cinco metros…
Guerra interna
Outro factor que está a baralhar as contas dos organizadores dos principais salões americanos é ter-se estabelecido como que uma saison para o seu decurso. Este ano, por exemplo, o de Miami decorreu de 9 a 18 de Novembro; Los Angeles de 16 a 25 de Novembro; o de Detroit ocorrerá entre 19 e 27 de Janeiro próximo; e o de Nova Iorque terá as suas portas abertas entre 21 e 30 do próximo mês de Março. E se Detroit ainda é considerado o principal evento do género no país (muito por culpa de ser aí a sede dos grandes construtores americanos), a organização em Los Angeles reclama ser esta a capital do automóvel nos EUA e um número recorde superior a um milhão de visitantes.
Perante isto, é óbvio que poucas marcas (nenhuma?…), a nível mundial, terá novidades absolutas para revelar em todos estes certames. E, numa época em que os custos são um factor determinante em qualquer actividade, há já construtores que ponderam não acorrer a todos estes eventos. Em função da sua projecção, ou do peso que o mercado local tenha para as suas vendas – a Porsche, por exemplo, já assumiu que marcar presença em Detroit está fora dos seus planos, preferindo estar em força em Los Angeles.
Quem parece tirar maiores benefícios de tudo isto são os fabricantes estrangeiros, os que não dependem tanto do mercado americano e conseguem, em função da sua própria estratégia ou calendário, optar pelo salão onde lhes é conveniente ter uma presença mais marcante. Isso mesmo provou-o, mais uma vez, a edição de 2007 do Salão de Los Angeles, onde as principais estrelas provinham da Europa e da Ásia. Conhecê-las é o que lhe propomos nas páginas seguintes. |
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