
|
 |
|
 |
| |
|
 |
Muito conforto e prazer de condução numa viagem a mais de 300 km/h. Este é um argumento do Panamera turbo, mesmo que seja impossível de realizar na maior parte do mundo
Texto Luís Guilherme Fotografia Miguel Ângelo Silva
JANEIRO 2010 |
|
|
 |
 |
 |
 |
|
 |
O primeiro impacto já tinha acontecido com o ensaio do Panamera S. Apenas faltava saber como era a versão mais potente do novo quatro lugares – ou, se preferir, familiar – da Porsche.
O V8 sobrealimentado entrega 500 cv para que nunca falte pulmão numa viagem supersónica, apenas possível no plano imaginário, ou em algumas auto-estradas alemãs.
A nossa realidade dita 120 km/h nestas vias rápidas e 50 km/h na cidade. Então, para que serve um Panamera Turbo? A melhor forma de responder a esta pergunta é entregar a chave a quem a fizer...
Ao contrário do que se possa pensar, o Panamera é enorme. Cerca de 5 metros de comprimento, com 1,93 m de largura para uns interessantes 1,41 m de altura. Espaço para quatro com todo o requinte, conforto e muita liberdade para as pernas de quem viaja atrás. E ainda uma mala com 445 litros.
Sentados ao volante, o ambiente é 911 com a adição de uma consola de ar espacial repleta de botões. E no tecto, junto à luz, há ainda mais botões. Uma delícia para quem vive estas coisas com um entusiasmo que quase embaraça...
A posição de condução é quase perfeita e a envolvência dos bancos em pele com várias regulações eléctricas é muito bem-vinda.
Na cidade, a condução revela-se algo tensa a início. Pela largura do Panamera (as faixas de rodagem ficam mais “estreitas”…), e pelo facto de os 500 cv darem uma aparente ligeireza às quase duas toneladas assim que se carrega no pedal do acelerador.
O conforto é o primeiro elemento a impressionar. Podia esperar-se um pisar de 911, mas a verdade é que é praticamente tão cómodo como um Mercedes Classe S ou um BMW Série 7. A suspensão absorve de forma fluida as irregularidades e a carroçaria exibe aquele balançar controlado típico dos familiares de grande porte, o que nos leva a questionar se o comportamento não terá sido beliscado.
IMPACIÊNCIA...
Há medida que o trânsito aumenta, sobe também a impaciência de soltar as rédeas e oferecer ao Panamera a estrada por que este tanto parece ansiar. E a verdade é que não está sozinho nesse desejo...
A aceleração é poderosa quando se pisa o pedal com vigor, mas muito progressiva, com a marca a anunciar 4,0 segundos nos tradicionais 0-100 km/h.
O sistema de controlo dinâmico de châssis (PDCC), que custa “apenas” 4782 euros, é um must have da lista de opcionais, já que acrescenta à evoluída suspensão pneumática adaptativa a função que controla as oscilações laterais da carroçaria.
As reservas relativas ao comportamento em curva dissipam-se assim que se experimenta o modo Sport Plus incluído no pack Sport Chrono Plus. O châssis ganha um acerto mais desportivo, a altura ao solo diminui, o acelerador fica mais sensível, a direcção mais directa, as passagens da caixa PDK mais rápidas e até o escape exibe argumentos melódicos de fazer inveja a um barítono.
O Panamera turbo é como os esquis de neve mais desportivos: quanto maior a velocidade, melhor exibe todo o seu potencial. Curvas a mais de 300 km/h são feitas com tamanha tranquilidade e eficácia que mais parece uma viagem de TGV sobre carris. Isto partindo do princípio que alguém está interessado em saber como é o Panamera a velocidades desta ordem... A facilidade com que o motor empurra este Porsche dos 250 km/h para cima nunca deixa de impressionar e sempre com um nível de conforto raro face à eficácia que exibe a lidar mesmo com as trajectórias mais exigentes.
No limite, e com o PSM desligado, a tracção integral mantém um nível de aderência invejável, mas o autoblocante é brusco na sua intervenção e permite derivas de traseira acentuadas, que obrigam a correcções rápidas e decididas no volante, sob pena de estragar a pintura a um automóvel que, no caso da unidade testada, chega aos 208 313 euros...
Outro opcional bem-vindo (por mais de 9500 euros...) é o sistema de travagem com discos cerâmicos que aguentam o castigo máximo com muito poucas queixas.
O Panamera veio trazer uma nova experiência de condução para um familiar de quatro lugares e cinco portas, mas se, mesmo assim, 500 cv não o satisfazem, pode sempre esperar pela próxima versão Turbo S – que, a confirmar- se, terá um incremento de 50 cv... |
| |
|
|
| |
|
|
| |
| |
| |
|
|