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Dotados de sete lugares, equipados com motores diesel de 110 cv e comercializados acima dos 30 mil euros, Peugeot 5008 Sport 1.6 HDI e Renault Grand Scénic 1.5 DCI luxe têm tudo para seduzir as famílias mais numerosas. conseguirá o primeiro monovolume compacto da marca do leão levar a melhor sobre aquela que é vista como a referência da classe?
Texto Bruno Castanheira Fotografia Miguel Ângelo Silva
JANEIRO 2010 |
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Com oferta da terceira fila de bancos até final do ano (em 2010 custará 990 euros enquanto opcional), o 5008 é o quarto modelo da Peugeot a incorporar uma designação composta por quatro dígitos. Mais importante do que isso: trata-se do primeiro monovolume compacto da marca francesa. Uma das versões comercialmente mais apelativas, das nove que estão disponíveis no nosso país, é a Sport 1.6 HDi. Para avaliar aquilo que realmente vale este novo leão, nada melhor do que colocá-lo frente àquela que é vista como a referência da classe: o Renault Grand Scénic 1.5 dCi Luxe.
ESTÉTICA, CONSTRUÇÃO, SEGURANÇA
Os monovolumes compactos não são, por norma, modelos deveras atraentes do ponto de vista estilístico. Ou, pelo menos, não eram até há pouco tempo atrás. Peugeot 5008 e Renault Grand Scénic estão longe de serem dois hinos ao design, é um facto, mas agradam à vista, sendo, aliás, difícil apontar-lhes defeitos neste domínio. Poderá dizer-se que o Grand Scénic é mais arrojado e o 5008 menos expressivo, mas atribuir- lhes uma diferença pontual não nos parece, neste caso, um resultado justo. Por isso, deixamos para o leitor o exercício de eleger o que mais o atrai visualmente.
Embora nem todos os plásticos tenham uma qualidade elevada, Peugeot e Renault equivalem- se no que à construção diz respeito. Os tabliers estão bem acabados e dispõem de um toque almofadado, as montagens são bastante razoáveis em ambos e não se vislumbram imperfeições nos habitáculos destas duas propostas francesas. A qualidade, medianamente agradável, de todos os revestimentos está dentro dos padrões a que Peugeot e Renault nos têm habituado nos últimos anos.
Equipados, de série, com seis airbags; fixações Isofix; possibilidade de desligar o airbag do passageiro; cintos dianteiros com pré-tensores e regulação em altura; fecho automático das portas; aviso da não colocação dos cintos dianteiros; ABS com repartição electrónica da pressão de travagem e assistência nas travagens de emergência; e controlo de estabilidade, 5008 e Grand Scénic empatam na segurança. Até porque o Renault dispõe de pré-tensores nos cintos laterais da segunda fila e uns úteis encostos de cabeça para crianças também nos lugares laterais da fila do meio; argumentos que o Peugeot contrapõe com avisadores da não colocação dos cintos da segunda fila de bancos e apoio de pé activo para o condutor.
Nesta área, poderiam, também, ser incluídos o head-up display, o sensor de pressão de pneus e o sistema que ajuda a manter a distância de segurança para o veículo da frente, dispositivos presentes apenas no Peugeot – mas optámos por premiá-los, mais adiante, no equipamento.
O PEUGEOT 5008 SPORT 1.6 HDi APOSTA NO EQUIPAMENTO E NO HABITÁCULO BEM PENSADO PARA SE IMPOR NUM SEGMENTO MUITO CONCORRIDO
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CONFORTO, HABITÁCULO, EQUIPAMENTO
Apesar de apostarem em jantes específicas com pneus de perfil diferente (215/50R17 no 5008; 205/60R16 no Grand Scénic), estes dois monovolumes compactos equivalem-se em matéria de conforto. As suspensões de ambos filtram de forma satisfatória as irregularidades da estrada e os bancos acomodam bem todos os ocupantes. Claro que existem oscilações incómodas e vibrações na coluna de direcção sempre que o piso não é perfeito, mas nada que belisque o resultado francamente favorável que estes dois modelos alcançam neste domínio.
Chegámos à área porventura mais importante num monovolume compacto: habitáculo e mala. Neste aspecto, Peugeot e Renault dificilmente poderiam agradar mais. Desde inúmeros locais de arrumação (bolsas nas portas, cavidades entre os bancos e alçapões na plataforma são apenas alguns exemplos) até à ampla versatilidade do interior (os bancos da segunda fila deslizam, inclinam- se e rebatem em ambos; os da terceira fila são facilmente alojados no piso criando uma zona de carga totalmente plana), tudo, mas mesmo tudo agrada nestas duas propostas francesas.
Tal como o espaço e o volume da mala. Luzes de leitura, mesas nas costas dos bancos dianteiros, porta-óculos, cinzeiro amovível, tomadas de 12 V, pegas no tejadilho, espelho que permite vigiar as crianças que viajam atrás e cortinas destinadas a evitar a intromissão do sol são detalhes que vencem e convencem em ambos. Melhor, só mesmo com os opcionais ecrãs colocados nos encostos de cabeça dianteiros, que entretêm os mais pequenos nas viagens mais longas ou percorridas no trânsito caótico.
Na análise ao equipamento de série, não existe margem para dúvidas. A igualdade que até aqui se verificava entre estes dois modelos franceses fica desfeita graças à clara superioridade do 5008 sobre o Grand Scénic neste particular. Embora não disponha de regulação em altura para o banco do acompanhante, cartão mãos-livres e cortina no óculo traseiro, como tem o Renault, o Peugeot é o único que propõe a possibilidade de dobrar as costas do banco do passageiro, sensores de estacionamento dianteiros e traseiros com reconhe - cimento do espaço necessário para parquear e capacidade para manter a distância de segurança para o veículo da frente, head-up display, tecto panorâmico em vidro, sensor de pressão dos pneus e rede na mala.
É DIFÍCIL NÃO SE FICAR SEDUZIDO PELO RENAULT GRAND SCÉNIC 1.5 dCi LUXE, QUE OFERECE UMA UTILIZAÇÃO MUITO MAIS USER-FRIENDLY
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POSTO DE CONDUÇÃO, COMPORTAMENTO
As boas pegas oferecidas pelos volantes de três braços, o correcto apoio lateral dos bancos, as alavancas das caixas posicionadas próximo da consola central, a ergonómica distribuição dos comandos secundários, a boa visibilidade e a eficaz colocação dos pedais permitem aos 5008 e Grand Scénic assegurar um posto de condução de bom nível. Tal como em outras áreas, também nesta não gostámos particularmente mais de nenhum em detrimento do outro. Ambos reúnem todas as condições para o condutor desempenhar com competência a sua função.
As prioridades em termos dinâmicos nos monovolumes compactos vão, como não podia deixar de ser, para a facilidade de condução, para o nível de conforto e para a economia de combustível. Por isso, não é de esperar qualquer tipo de envolvência neste domínio.
Contudo, o que mais nos convenceu foi o Peugeot. Embora disponha do comando da caixa mais ruidoso, o 5008 é mais preciso e mais agradável de conduzir comparativamente ao Grand Scénic. Primeiro: a carroçaria exibe um rolamento menos acentuado em curva. Segundo: a direcção transmite melhor feedback sobre tudo o que se passa. De resto, Peugeot e Renault são muito idênticos no que diz respeito à eficácia dos travões, ao manuseamento do comando da caixa e aos pneus: Michelin Primacy HP no 5008; Michelin Energy Saver no Grand Scénic. Des pro - vidos de grande envolvência e agilidade, proporcionam viagens tranquilas, onde conforto e versatilidade falam mais alto.
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ENQUANTO O PEUGEOT 5008 EXIBE UM VISUAL MENOS EXPRESSIVO, O RENAULT GRAND SCÉNIC APOSTA NUM DESIGN UM POUCO MAIS ARROJADO |
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PERFORMANCES E CONSUMOS
Equipados com motores Diesel common-rail de 110 cv dotados de filtro de partículas (1.6 o do Peugeot, que dispõe de 16 válvulas; 1.5 o do Renault, que dispõe de 8 válvulas), que têm acopladas caixas manuais de seis velocidades, 5008 e Grand Scénic empatam no que às performances diz respeito. Os valores não são iguais, é certo, mas são muito próximos entre si. Exibindo um ruído de funcionamento pouco elevado, qualquer destes monovolumes compactos tem bastante dificuldade em proporcionar ritmos mais vivos. O peso acima dos 1400 kg e os mais de 4,5 metros de comprimento que ambos reclamam fazem com que Peugeot e Renault fiquem um pouco aquém do ideal neste domínio.
Quanto aos consumos, sem dúvida outro dos argumentos destes modelos franceses, 5008 e Grand Scénic situam-se no mesmo patamar. Embora à custa de parcelas diferentes, a proximidade das médias ponderadas aos 100 km por nós medidas ditou mais um empate entre ambos: 6,5 litros para o Renault; 6,9 litros para o Peugeot.
CONCLUSÃO
Contas feitas, o vencedor deste frente-a-frente é o Peugeot 5008 Sport 1.6 HDi. Face ao Renault Grand Scénic 1.5 dCi Luxe, o mais recente monovolume compacto do mercado destacou-se pelo equipamento mais expressivo e pelo desempenho dinâmico mais preciso, perdendo apenas no preço, mas não chegando a diferença a mil euros. Nas restantes áreas em análise, o resultado foi sempre um empate. Significará isto que o Peugeot 5008 está prestes a tornar-se a nova referência da classe? Só o tempo, como sempre, o dirá. Argumentos não lhe faltam, mas não esqueçamos que, em 2010, perde o argumento da “oferta” dos 990 euros da terceira fila de bancos. |
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