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XL > AutoMotor > Comparativos > Fiat Grande Punto 1.3 Multijet vs Opel Corsa 1.3 CDTI vs Renault Clio 1.5 dCi
 
 
 
 
A chegada do novo Grande Punto traz novo estilo à classe dos utilitários, ou não fosse italiano. Para avaliar o seu potencial apresentamos um confronto com o Clio 1.5 dCi e o Corsa 1.3 CDTI que enfrentam a versão 1.3 Multijet de 90 cv do Fiat

Por Luis Guilherme Fotos Kevin Knight
FEVEREIRO 2006
 
Estilo económico
Ficha TécnicaAs nossas mediçõesPontuaçãoA favor/contra
 
A Fiat deu um contributo inegável à história do automóvel, mas os tempos recentes não têm sido os mais risonhos para o construtor de Turim que, com o lançamento do Grande Punto, pretende inverter uma situação que começa a ser delicada. Ao contrário do que poderia pensar-se, o Punto "antigo" vai continuar a ser vendido, o que não diminui as expectativas dos italianos face ao novo modelo.

Das propostas disponíveis para ensaio, escolhemos o Opel Corsa 1.3 CDTI e o Renault Clio 1.5 dCi, na versão de 85 cv, duas referências incontornáveis na classe dos utilitários. O primeiro já tem alguns anos no activo, enquanto o segundo acaba de chegar há poucos meses.

Estética,
Construção, Segurança

O design do novo Grande Punto é, na nossa opinião, o mais atraente, com algumas influências Maserati na concepção do conjunto dianteiro, faróis e grelhas, o que dá um apelo muito especial ao modelo latino. As ópticas traseiras verticais arrumadas nos pilares e os volumosos pára-choques acrescentam um certo toque desportivo, uma intenção assumida por Giugaro.


Com mais de quatro metros de comprimento, o Fiat é o maior dos utilitários aqui presentes e estreia uma nova plataforma, bem como a versão de 90 cv do motor 1.3 Multijet, inexistente na gama Corsa que apenas dispõe de 70 cv no mesmo bloco.




A melhor posição de condução pertence ao modelo italiano que apresenta muitos plásticos e poucos espaços de arrumação

Passando directamente ao domínio do equipamento de segurança, todos contam com dois airbags frontais e laterais, ABS com EBD e assistência às travagens de emergência, cintos com pré-tensores e limitadores de esforço e pontos Isofix para as cadeiras dos mais pequenos (no Corsa só no banco traseiro). O Punto e o Clio acrescentam os airbags de cortina, um elemento relegado para a lista de opcionais do Corsa.

Conforto,
Habitáculo, Equipamento

Quando se acede ao habitáculo do modelo transalpino, percebe-se de imediato que o plástico duro foi o material escolhido na construção do tablier, menos dispendioso, mas de aspecto mais frágil e pouco agradável ao toque. O Corsa alinha pela mesma bitola de materiais, apesar de se notar maior rigor na montagem geral e nos acabamentos.

Já o Renault eleva consideravelmente os padrões na qualidade de construção que, neste nível Dinamique, oferece de série um tablier com revestimentos maleáveis, além de pormenores como os comandos esféricos nas saídas de ventilação, originais e ergonómicos.

A consola central é simples (com uma boa disposição dos elementos), mas bem conseguida, enquanto a do Corsa tem alguns botões menos intuitivos e a do Punto é a menos atraente do ponto de vista estílistico.

O espaço interior não é maior do que aquilo que se adivinha e, apesar do comprimento superior do Punto, a verdade é que os três estão muito equilibrados nesta matéria, tanto à frente como atrás, onde existe uma liberdade razoável para as pernas de quem vai neste banco.

Arrumar uma mera carteira nas portas do Punto pode não ser tarefa fácil e se for um telemóvel vai ter que o "pescar" com perícia, visto que as bolsas são demasiado estreitas, o que não acontece nos outros dois que também contam com pequenos espaços mais práticos, na consola central. O cinzeiro nómada (é a designação oficial) do Clio é igualmente uma solução bem pensada.

Para arrumar a bagagem, a mala do Renault é a mais generosa, com uma capacidade de 288 litros, seguida do Punto e do Corsa com 275 e 260 litros, respectivamente. Não gostámos do facto do portão traseiro do Fiat só poder ser aberto por dentro ou através do botão, na chave. Pode ser um acrécismo de segurança, mas em determinadas situações não parece muito prática a ausência de um comando na própria porta.

O equipamento de série do modelo gaulês é mais completo e inclui jantes de liga leve, faróis de nevoeiro, iluminação em curva, computador de bordo, rádio com leitor de CD e volante em pele, apenas para mencionar alguns. As jantes estão presentes no Opel, que é o único com ar condicionado de série, mas o computador de bordo é opção, ao contrário dos seus rivais que o incluem no preço indicado.


No Punto, as jantes, os faróis de nevoeiro e a pele do volante fazem parte de um Pack que custa mais 424 euros, mas em contrapartida é o único a dispôr de regulação dupla da coluna de direcção, já que os seus concorrentes apenas permitem o ajuste em altura.





A postura ao volante do modelo alemão é mais alta mas correcta. O tablier também recorre ao plástico duro, mas a montagem é cuidada
Posto de condução, Comportamento
E é esta regulação extra do Grande Punto que contribui para melhor posição de condução deste trio, já que oferece um ângulo mais cómodo às pernas, com o volante ao alcance ideal das mãos. O apoio para o pé esquerdo é ligeiramente mais recuado que o dos concorrentes, mas tal não influencia a qualidade geral da postura neste lugar.

Na estrada, o Fiat apresenta um bom comportamento, mas os 90 cv do motor 1.3, de injecção directa common rail com turbo de geometria variável, convencem mais pela suavidade do que propriamente pela rapidez a subir de velocidade, ainda que se note logo à partida maior elasticidade em comparação com o Corsa, o menos potente dos três.

Quando embrenhados na cidade, o Punto revela um argumento de peso, já herdado do modelo mais antigo: o modo City que transforma a direcção em peso pluma, sempre que se anda abaixo dos 60 km/h, já que a partir dessa velocidade, volta ao normal. Com este sistema, estacionar em locais apertados é uma bricandeira de crianças...

Na estrada e numa condução mais exigente, o Fiat é eficaz em curva, com uma tendência subviradora, quando se excedem os limites de aderência, facilmente contida com o doseamento certo do acelerador. O comando da caixa de seis velocidades (é o único com esta transmissão) é facil de utilizar, mas parece ser menos preciso que o dos seus adversários. O conforto também está em bom plano e, mesmo sem filtrar as irregularidades do piso com a mesma competência da suspensão do Clio, faz valer o facto de ter pneus com perfil mais alto.

A sonoridade do motor é contida e os maiores ruídos surgem por questões aerodinâmicas, O bom desempenho em curva do Corsa é também uma certeza, apesar de ser bem mais firme e sensível às alterações de piso, o que lhe retira alguma eficácia comparativamente com os seus companheiros de contenda.

Todos assentam numa arquitectura de suspensão do tipo McPherson, à frente, e eixo semi-rígido, atrás, mas isso não impede o Renault de ser simultaneamente o mais confortável, eficaz e até divertido em curva, ainda qua direcção não seja tão comunicativa como gostaríamos. O eixo dianteiro é rápido e decidido na inserção em trajectórias mais fechadas e o traseiro demonstra uma boa dose de agilidade que contribui para eficácia global sentida.

Com um maior ou menor alívio do acelerador no início da mudança de direcção, a traseira solta-se na mesma proporção, sem que o condutor se sinta de alguma forma ameaçado. O controlo electrónico de estabilidade (ESP) é sempre uma ajuda salutar, mas é uma opção em todos.

O bom escalonamento da caixa do modelo francês é responsável pela sensação (confirmada pelas medições) de que é o mais rápido a subir de velocidade e os travões também revelam competência, mesmo depois de algumas solicitações mais violentas. De realçar, que o Clio é o único com quatro discos, enquanto os seus adversários recorrem a tambores, atrás.


A qualidade de construção está num patamar superior ao seus rivais, bem como a insonorização. A postura ao volante podia ser melhor com a regulação em profundidade, uma opção vendida em conjunto com o cartão mão livres



Performances e Consumos
Na medição da travagem a partir dos 90 km/h, o Clio consegue imobilizar-se em menos um metro, apesar de, na prática, nem o Fiat nem o Opel, merecerem críticas neste domínio.

Como já foi referido, as diferenças de potência e de escalonamento da caixa, resultam em prestações distintas. Os 70 cv do Corsa não permitem ir além dos 14,9 segundos no arranque dos 0 aos 100 km/h, o qual o Fiat consegue fazer em 13,3 segundos.

O Clio cumpre a mesma aceleração em apenas 11,9 segundos e regista as melhores recuperações dos três, as quais são muito equilibradas entre os dois presentes equipados com o motor 1.3, desenvolvido em parceria entre a Fiat e a GM.

Se existem diferenças notórias nas prestações, o mesmo já não se pode dizer dos consumos que, de uma forma geral, são baixos e muito idênticos nos três utilitários. O valor mais baixo em cidade, foi registado pelo Opel Corsa, que conseguiu gastar apenas 6,1 litros ao fim de 100 km, apesar da diferença para os outros não ir além dos 0,5 litros.

Conclusão
A estética agressiva, a boa postura ao volante, o comportamento saudável e o preço competitivo, não foram suficientes para o novo utilitário da Fiat evitar a vitória do Renault Clio.

Este, continua a ser uma das referências da classe, graças a uma qualidade de construção superior, a um chassis muito bem afinado, que permite um óptimo compromisso entre o conforto e eficácia, e um motor solícito (e silencioso) correctamente aproveitado pela bem escalonada caixa de cinco velocidades.

O Opel Corsa não deixa de ser um modelo competente, com um preço apelativo, mas com algumas limitações naturais por ser o mais antigo e por não ter a mesma potência do motor do Grande Punto. Mesmo assim, é um automóvel fácil de conduzir, com comportamento equilibrado e consumos muito animadores.
 
 
 
 
 

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