A Fiat deu um contributo
inegável à história do automóvel,
mas os tempos recentes não têm sido
os mais risonhos para o construtor de Turim que,
com o lançamento do Grande Punto, pretende
inverter uma situação que começa
a ser delicada. Ao contrário do que poderia
pensar-se, o Punto "antigo" vai continuar
a ser vendido, o que não diminui as expectativas
dos italianos face ao novo modelo.
Das propostas disponíveis para ensaio, escolhemos
o Opel Corsa 1.3 CDTI e o Renault Clio 1.5 dCi,
na versão de 85 cv, duas referências
incontornáveis na classe dos utilitários.
O primeiro já tem alguns anos no activo,
enquanto o segundo acaba de chegar há poucos
meses.
Estética,
Construção, Segurança
O design do novo Grande Punto é, na nossa
opinião, o mais atraente, com algumas influências
Maserati na concepção do conjunto
dianteiro, faróis e grelhas, o que dá
um apelo muito especial ao modelo latino. As ópticas
traseiras verticais arrumadas nos pilares e os volumosos
pára-choques acrescentam um certo toque desportivo,
uma intenção assumida por Giugaro.
Com mais de quatro metros de comprimento, o Fiat
é o maior dos utilitários aqui presentes
e estreia uma nova plataforma, bem como a versão
de 90 cv do motor 1.3 Multijet, inexistente na gama
Corsa que apenas dispõe de 70 cv no mesmo
bloco.
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| A
melhor posição de condução
pertence ao modelo italiano que apresenta
muitos plásticos e poucos espaços
de arrumação |
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Passando directamente ao domínio do equipamento
de segurança, todos contam com dois airbags
frontais e laterais, ABS com EBD e assistência
às travagens de emergência, cintos
com pré-tensores e limitadores de esforço
e pontos Isofix para as cadeiras dos mais pequenos
(no Corsa só no banco traseiro). O Punto
e o Clio acrescentam os airbags de cortina, um elemento
relegado para a lista de opcionais do Corsa.
Conforto,
Habitáculo, Equipamento
Quando se acede ao habitáculo do modelo transalpino,
percebe-se de imediato que o plástico duro
foi o material escolhido na construção
do tablier, menos dispendioso, mas de aspecto mais
frágil e pouco agradável ao toque.
O Corsa alinha pela mesma bitola de materiais, apesar
de se notar maior rigor na montagem geral e nos
acabamentos.
Já o Renault eleva consideravelmente os padrões
na qualidade de construção que, neste
nível Dinamique, oferece de série
um tablier com revestimentos maleáveis, além
de pormenores como os comandos esféricos
nas saídas de ventilação, originais
e ergonómicos.
A consola central é simples (com uma boa
disposição dos elementos), mas bem
conseguida, enquanto a do Corsa tem alguns botões
menos intuitivos e a do Punto é a menos atraente
do ponto de vista estílistico.
O espaço interior não é maior
do que aquilo que se adivinha e, apesar do comprimento
superior do Punto, a verdade é que os três
estão muito equilibrados nesta matéria,
tanto à frente como atrás, onde existe
uma liberdade razoável para as pernas de
quem vai neste banco.
Arrumar uma mera carteira nas portas do Punto pode
não ser tarefa fácil e se for um telemóvel
vai ter que o "pescar" com perícia,
visto que as bolsas são demasiado estreitas,
o que não acontece nos outros dois que também
contam com pequenos espaços mais práticos,
na consola central. O cinzeiro nómada (é
a designação oficial) do Clio é
igualmente uma solução bem pensada.
Para arrumar a bagagem, a mala do Renault é
a mais generosa, com uma capacidade de 288 litros,
seguida do Punto e do Corsa com 275 e 260 litros,
respectivamente. Não gostámos do facto
do portão traseiro do Fiat só poder
ser aberto por dentro ou através do botão,
na chave. Pode ser um acrécismo de segurança,
mas em determinadas situações não
parece muito prática a ausência de
um comando na própria porta.
O equipamento de série do modelo gaulês
é mais completo e inclui jantes de liga leve,
faróis de nevoeiro, iluminação
em curva, computador de bordo, rádio com
leitor de CD e volante em pele, apenas para mencionar
alguns. As jantes estão presentes no Opel,
que é o único com ar condicionado
de série, mas o computador de bordo é
opção, ao contrário dos seus
rivais que o incluem no preço indicado.
No Punto, as jantes, os faróis de nevoeiro
e a pele do volante fazem parte de um Pack que custa
mais 424 euros, mas em contrapartida é o
único a dispôr de regulação
dupla da coluna de direcção, já
que os seus concorrentes apenas permitem o ajuste
em altura.
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| A
postura ao volante do modelo alemão
é mais alta mas correcta. O tablier
também recorre ao plástico
duro, mas a montagem é cuidada |
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Posto de condução,
Comportamento
E é esta regulação extra do
Grande Punto que contribui para melhor posição
de condução deste trio, já
que oferece um ângulo mais cómodo às
pernas, com o volante ao alcance ideal das mãos.
O apoio para o pé esquerdo é ligeiramente
mais recuado que o dos concorrentes, mas tal não
influencia a qualidade geral da postura neste lugar.
Na estrada, o Fiat apresenta um bom comportamento,
mas os 90 cv do motor 1.3, de injecção
directa common rail com turbo de geometria variável,
convencem mais pela suavidade do que propriamente
pela rapidez a subir de velocidade, ainda que se
note logo à partida maior elasticidade em
comparação com o Corsa, o menos potente
dos três.
Quando embrenhados na cidade, o Punto revela um
argumento de peso, já herdado do modelo mais
antigo: o modo City que transforma a direcção
em peso pluma, sempre que se anda abaixo dos 60
km/h, já que a partir dessa velocidade, volta
ao normal. Com este sistema, estacionar em locais
apertados é uma bricandeira de crianças...
Na estrada e numa condução mais exigente,
o Fiat é eficaz em curva, com uma tendência
subviradora, quando se excedem os limites de aderência,
facilmente contida com o doseamento certo do acelerador.
O comando da caixa de seis velocidades (é
o único com esta transmissão) é
facil de utilizar, mas parece ser menos preciso
que o dos seus adversários. O conforto também
está em bom plano e, mesmo sem filtrar as
irregularidades do piso com a mesma competência
da suspensão do Clio, faz valer o facto de
ter pneus com perfil mais alto.
A sonoridade do motor é contida e os maiores
ruídos surgem por questões aerodinâmicas,
O bom desempenho em curva do Corsa é também
uma certeza, apesar de ser bem mais firme e sensível
às alterações de piso, o que
lhe retira alguma eficácia comparativamente
com os seus companheiros de contenda.
Todos assentam numa arquitectura de suspensão
do tipo McPherson, à frente, e eixo semi-rígido,
atrás, mas isso não impede o Renault
de ser simultaneamente o mais confortável,
eficaz e até divertido em curva, ainda qua
direcção não seja tão
comunicativa como gostaríamos. O eixo dianteiro
é rápido e decidido na inserção
em trajectórias mais fechadas e o traseiro
demonstra uma boa dose de agilidade que contribui
para eficácia global sentida.
Com um maior ou menor alívio do acelerador
no início da mudança de direcção,
a traseira solta-se na mesma proporção,
sem que o condutor se sinta de alguma forma ameaçado.
O controlo electrónico de estabilidade (ESP)
é sempre uma ajuda salutar, mas é
uma opção em todos.
O bom escalonamento da caixa do modelo francês
é responsável pela sensação
(confirmada pelas medições) de que
é o mais rápido a subir de velocidade
e os travões também revelam competência,
mesmo depois de algumas solicitações
mais violentas. De realçar, que o Clio é
o único com quatro discos, enquanto os seus
adversários recorrem a tambores, atrás.
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| A
qualidade de construção
está num patamar superior ao
seus rivais, bem como a insonorização.
A postura ao volante podia ser melhor
com a regulação em profundidade,
uma opção vendida em conjunto
com o cartão mão livres |
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Performances e Consumos
Na medição da travagem a partir dos
90 km/h, o Clio consegue imobilizar-se em menos
um metro, apesar de, na prática, nem o Fiat
nem o Opel, merecerem críticas neste domínio.
Como já foi referido, as diferenças
de potência e de escalonamento da caixa, resultam
em prestações distintas. Os 70 cv
do Corsa não permitem ir além dos
14,9 segundos no arranque dos 0 aos 100 km/h, o
qual o Fiat consegue fazer em 13,3 segundos.
O Clio cumpre a mesma aceleração em
apenas 11,9 segundos e regista as melhores recuperações
dos três, as quais são muito equilibradas
entre os dois presentes equipados com o motor 1.3,
desenvolvido em parceria entre a Fiat e a GM.
Se existem diferenças notórias nas
prestações, o mesmo já não
se pode dizer dos consumos que, de uma forma geral,
são baixos e muito idênticos nos três
utilitários. O valor mais baixo em cidade,
foi registado pelo Opel Corsa, que conseguiu gastar
apenas 6,1 litros ao fim de 100 km, apesar da diferença
para os outros não ir além dos 0,5
litros.
Conclusão
A estética agressiva, a boa postura ao volante,
o comportamento saudável e o preço
competitivo, não foram suficientes para o
novo utilitário da Fiat evitar a vitória
do Renault Clio.
Este, continua a ser uma das referências da
classe, graças a uma qualidade de construção
superior, a um chassis muito bem afinado, que permite
um óptimo compromisso entre o conforto e
eficácia, e um motor solícito (e silencioso)
correctamente aproveitado pela bem escalonada caixa
de cinco velocidades.
O Opel Corsa não deixa de ser um modelo competente,
com um preço apelativo, mas com algumas limitações
naturais por ser o mais antigo e por não
ter a mesma potência do motor do Grande Punto.
Mesmo assim, é um automóvel fácil
de conduzir, com comportamento equilibrado e consumos
muito animadores. |