Se parou nestas páginas e está disposto a ler este artigo, então é dos que têm um gostinho especial por desportivos. Se, além disso, é dos que podem estar em vias de adquirir um destes modelos, então, podemos desde já adiantar que, seja qual for o eleito, vão sobrar motivos para sorrir.
O recém-lançado Seat Leon Cupra R foi ensaiado na anterior edição, mas a invasão de território provocada pela chegada do novo Renault Mégane RS trouxe o modelo espanhol para a nossa “arena” mais uma vez. São concorrentes directos e os dois melhores desportivos do género à venda por pouco mais de 35 000 euros.
ESTÉTICA, CONSTRUÇÃO, SEGURANÇA
O design tem sempre influência na escolha de um modelo e a verdade é que existem encantos estilísticos nos dois, mesmo quando a maioria dos portugueses não morre de amores por amarelo e verde alface... ao contrário dos fotógrafos. Além dos adereços habituais destas versões, a altura ao solo reduzida e as jantes agressivas (as de 19’’ são opcionais no Mégane) reforçam a postura mais dinâmica, perceptível logo no primeiro olhar.
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| As bacquets Recaro incluídas no pacote Super Sport são muito boas e dão um aspecto ainda mais radical. A posição de condução é boa, mas mais alta e com um apoio para o pé esquerdo menos ergonómico |

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Se é dos mais picuinhas, que observam todos os detalhes da construção da carroçaria, vai perceber que não há diferenças de maior a assinalar, já que a qualidade da montagem e dos acabamentos é equivalente em ambos.
O mesmo se repete quando olhamos para a lista de equipamento de segurança, que inclui praticamente tudo o que pode desejar num automóvel deste segmento, desde os habituais airbags frontais, laterais e de cortina, até aos ABS, EBD, BAS e controlo de tracção e de estabilidade (ESP).
CONFORTO, HABITÁCULO, EQUIPAMENTO
O “nosso” Mégane RS vinha dotado do pack Super Sport (2350 euros), que inclui jantes 19’’ e bacquets Recaro. Sem esta opção, o modelo francês recorre a bancos mais “civilizados”, mas igualmente desportivos, com a particularidade de incluírem airbags nos assentos, para evitar o deslizamento do corpo.
Equipamento é coisa que não falta a nenhum destes desportivos, já que ambos contam com computador de bordo, ar condicionado automático, sensores de chuva e luz, ajuda ao estacionamento traseiro e rádio com leitor de CD, apenas para mencionar alguns. O Mégane tem a seu favor os faróis bi-Xénon direccionais de série, ao que o Leon contrapõe as ligações USB e Aux e faróis de nevoeiro dianteiros. Isto porque os LED na zona inferior do pára-choques do Renault são luzes diurnas, que permanecem acesas quando o comutador está em off.
O interior aposta em pormenores específicos para reforçar a desportividade, mantendo a concepção base de cada um dos modelos. Isto significa que há mais plásticos no interior do Seat, enquanto que o Renault recorre a um maior número de materiais maleáveis, mais agradáveis ao tacto.
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| Os bancos desportivos têm bom apoio lateral e a posição de condução é correcta. Os plásticos menos nobres do tablier são “de série” em todos os Leon, e o Cupra R não foge à regra |

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Em termos de espaço, o Leon é ligeiramente mais desafogado na zona das pernas, e o facto de ter cinco portas também tem influência na acessibilidade, além de ter uma melhor luminosidade, devido à maior superfície vidrada. As malas são equivalentes na capacidade e têm ambas um plano de carga elevado, o que dificulta a colocação de objectos mais pesados, limitação de pertinência questionável em modelos tão emocionais.
POSTO DE CONDUÇÃO, COMPORTAMENTO
E emoção é a palavra-chave na condução de qualquer um dos presentes, que confiam uma dose generosa de potência apenas às rodas dianteiras. A forma como os bancos envolvem o corpo contribui muito para o prazer de condução em ritmos frenéticos e a postura ao volante correcta também marca pontos.
Não obstante, preferimos a posição mais baixa do Cupra R, além de este oferecer um apoio para o pé esquerdo mais ergonómico, que permite à perna ir mais esticada. O volante do Leon é plano na secção inferior, o que dá um cheiro de competição, apesar de a aplicação em plástico ser de gosto discutível. No RS a circunferência é respeitada, mas também existe o pormenor das costuras no ponto neutro para provar a sua verdadeira vocação.
Em andamento, o pisar firme denuncia de imediato a filosofia de ambos, mas, a este nível, há sempre concessões a fazer ao conforto.
Como a especificação Cup foi a eleita para acompanhar o Mégane RS para Portugal, isso significa que já vem equipado de série com um diferencial autoblocante e uma suspensão com molas mais duras (35 % à frente e 38% atrás), além de um eixo traseiro (semi-rígido, de perfil fechado) mais resistente à torção. Isto tudo em comparação com variante Sport comercializada noutros países. Os discos de travão com rasgos e pinças de travão Brembo vermelhas também são uma exclusividade Cup.
Graças a uma suspensão independente atrás, nota-se que o piso irregular é (ligeiramente) melhor absorvido no Leon, ao passo que no Renault o amortecimento é mais seco quando se “tropeça” num buraco ou numa banda sonora.
Neste face-a-face temos um francês com um bloco de 2,0 litros sobrealimentado por um turbo twin scroll, com 250 cv às 5500 rpm, e um espanhol (com genes alemães...) com as mesmas características, mas com injecção directa e sem a dupla conduta do turbocompressor. Em relação ao Cupra normal, este R inclui reprogramação da gestão electrónica, nova bomba de combustível de alta pressão, um intercooler maior e um fine tuning do escape. Tudo junto, elevou a potência de 240 para 265 cv, os quais chegam às 6000 rpm.
Qualquer um impressiona pela capacidade de aceleração e travagem, mas o que mais surpreende é a eficácia incrível demonstrada em curva, mesmo quando se usa e abusa da direcção juntamente com o pedal do lado direito. Apesar de o modelo espanhol não ter diferencial autoblocante, o sistema XDS funciona quase como se tivesse. Esta tecnologia recorre aos sensores do ESP para detectar (e travar) a roda com menor aderência, para que seja enviado mais binário àquela que está do lado oposto.
Em circuito, o Mégane é mais acutilante na inserção da trajectória, mas, no dia-a-dia, o sistema do Cupra pareceu-nos quase tão eficaz e, sobretudo, mais suave a reagir, o que traz benefícios na condução à chuva para quem não nasceu com o talento de Ayrton Senna...
Ambos são máquinas viciantes, com uma sonoridade rouca que instiga a explorar os regimes mais elevados. No limite, o Cupra R parece ser mais user friendly e o Mégane um pouco mais exigente, mas a diferença é tão ténue que as palavras talvez não façam a justiça necessária às sensações. A direcção do Leon comunica melhor e o comando da caixa tem um curso mais curto, já que em termos de precisão não há diferenças.
Na prática, a adrenalina está garantida quando se ataca uma estrada sinuosa com qualquer um, mas o Cupra R parece ter o condão de elevar também a auto-estima, ou seja, consegue passar a ideia de que há talento no condutor… seja qual for a experiência do mesmo!
PERFORMANCES E CONSUMOS
Acima dos 200 km/h, o ponteiro do velocímetro do modelo espanhol contínua a sua cavalgada com maior vigor que o seu rival, apesar de a velocidade máxima anunciada ser idêntica. Na prática, as prestações falam por si e comprovam tudo aquilo que se sente ao volante, com ligeiras diferenças favoráveis ao Seat, mas que não justificam maior pontuação neste capítulo.
Curiosamente, a historia repete-se no que toca a consumos, já que ambos registaram uma média ponderada de 10,9 litros por cada 100 km que ficam para trás. De qualquer forma, pode contar com valores acima dos 20 l/100 km se quiser dar asas à diversão.
CONCLUSÃO
Há muito tempo que não havia um face-a-face entre desportivos tão equilibrado, o que torna tarefa árdua encontrar um vencedor. Mas, neste caso, não só foi difícil, como impossível, já que a soma total revelou exactamente o mesmo resultado.
As diferenças pontuais aconteceram apenas na posição de condução, favorável ao Leon, e na qualidade de construção, a favor do Mégane. Como o preço é praticamente idêntico e o equipamento completo nos dois, apenas podemos sugerir que os experimente e estabeleça o seu próprio veredicto. Nós, desta vez, não conseguimos decidir, e é com alguma vergonha que o assumimos. E é certamente uma escolha que será baseada na estética, já que a dinâmica oferecida por ambos é, no mínimo, soberba.
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