
|
 |
|
 |
| |
|
 |
Muitas vezes surgem propostas deveras interessantes para a aquisição de veículos que estão no fim do seu ciclo de vida. foi, precisamente, com esse objectivo que fizemos uma busca, mais aleatória do que científica, com o intuito de perceber se realmente compensa comprar um automóvel novo... que passará a “antigo” a breve trecho. E os resultados foram tudo menos desmotivantes, pelo que a pesquisa tende a valer a pena
Texto Luís Guilherme, Jorge Flores e José Macário Fotografia iStochphoto e Oficiais
FEVEREIRO 2010 |
|
|
 |
 |
 |
Um automóvel começa a sua desvalorização assim que sai pela porta do concessionário, pelo que o conceito de fazer um bom negócio é sempre relativo neste domínio. Não obstante, neste início de ano, em que vários são os automóveis que estão a chegar ao fim do seu ciclo natural de existência, fomos à procura de oportunidades, com a particularidade de ter restringido a nossa busca, justamente, a modelos em que é necessário escoar o respectivo stock – aquilo que, nesta área, vulgarmente é denominado como runout. Isto significa que já foram substituídos, que vão ser actualizados em breve ou mesmo que serão descontinuados, como é disso exemplo o Jaguar X-Type. Como tal, escolhemos, precisamente, dez exemplares que se encontram nesta situação e que podem, no caso de alguns, ser adquiridos ainda sem matrícula registada. E casos houve, inclusive, em que a busca se revelou infrutífera porque as unidades que ainda existiam de um modelo “antigo” já tinham todas encontrado dono.
Mais do que esmiuçar (palavra muito em voga...) todas as concessões até à exaustão na busca do melhor preço, escolhemos uma abordagem mais ligeira, deambulando aleatoriamente por alguns stands, na esperança de encontrar preços tentadores. E, no final, comparámo-los com os dos seus principais concorrentes nas respectivas versões mais vendidas em Portugal.
FUTURO INCERTO
Numa altura de balanços necessariamente preocupantes – basta ver que, em 2009, o sector de vendas de automóveis no nosso país obteve o pior registo desde há 22 anos, época em que, acrescente-se, os veículos ainda eram contingentados pelo Estado – esta demanda pelo melhor negócio faz ainda mais sentido. Até porque as dúvidas do mercado são muitas. Irá o Governo acabar com a dupla tributação (IVA sobre ISV)? E isso não corresponderá a um aumento de impostos?
Não se sabe. O que se sabe é que o programa de incentivos ao abate de veículos em fim de vida está suspenso. Aquele que foi o único balão de oxigénio para que os registos das marcas a operar em Portugal não fosse ainda mais negro (o mercado de veículos ligeiros de passageiros “ficou-se” por uma variação negativa de uns claros 24,6% face a 2008) encontra-se em “banho-maria” por tempo indeterminado. E o Governo já fez saber que a sua essência será reformulada.
Desde logo, o valor do desconto no ISV passará de €1500 para €1250. Mas o pior será a diminuição de 140 g/km para 130 g/km do limite máximo de emissões de CO2 dos veículos a adquirir neste âmbito, o que, segundo a ACAP, exclui automaticamente 350 versões deste programa: cerca de 25% do total de vendas em 2009 pertenceu, precisamente, a veículos cujas emissões de CO2 se situam entre 130 e 140 g/km.
Para mais, o Governo pretende que a lei que será aprovada em meados de Fevereiro comece a ser aplicada logo em Janeiro, criando uma retroactividade “impossível” de aplicar na opinião da ACAP.
PERSISTÊNCIA COMPENSA
Por tudo isto, o melhor que tem a fazer é procurar quais são as melhores soluções para si. Ninguém como o leitor saberá melhor aquilo que pretende. E, mais do que ninguém, lutará pelos seus interesses de forma tão empenhada. Esteja atento aos modelos que preparam a sua despedida e que possam estar em “saldo”. E não deixe de estar atento também às marcas que, por sua conta (e risco), mantêm em vigor campanhas de incentivo ao abate. Cada caso é um caso. E um bom negócio pode estar ao virar da esquina.
Este artigo não pretende, de forma alguma, nem pode, ser um guia exacto, mas antes um impulso à reflexão antes de decidir a sua compra. Muito provavelmente, com uma busca mais atenta pelo país, encontrará ainda melhores condições para os modelos em fim de ciclo do que as que aqui apresentamos.
 |
|
 |
|
POUPANÇA REAL
• CITROËN C3 1.1i AIRDREAM FIRST – €10 800
(NOVA GERAÇÃO NO DECURSO DE 2010)
• SEAT IBIZA 1.2 12V REFERENCE (70 cv) – €13 394
• RENAULT CLIO DYNAMIQUE S 1.2 75 cv – €16 200
• FORD FIESTA 1.25 TITANIUM 5 PORTAS – €15365
Com mais de dois milhões de unidades comercializadas nos quatro cantos do mundo, a actual geração do Citroën C3 verá a sua vida comercial chegar ao fim em Março próximo, altura em que se estreará em Portugal a nova geração do best-seller francês. Esse foi o mote para uma inquirição a alguns concessionários da marca gaulesa, onde conseguimos um bom negócio para o C3 actual: 10 800 euros foi o melhor preço que obtivemos, garantindo, à partida, uma poupança de 2863 euros face ao preço de tabela de 13 663 euros. Mas, no caso de a potência não ser o mais importante para si, a poupança pode chegar mesmo aos 5400 euros, quando comparado com o Renault Clio Dynamique S 1.2, o mais caro dos quatro em análise e o segundo mais vendido em 2009.
|
|
|
 |
|
 |
 |
|
 |
|
DUAS SAÍDAS DE CENA, DUAS ATITUDES…
• ALFA ROMEO 147 1.9 JTD 120 cv PROGRESSION €26 700 (NOVO GIULIETTA NO DECURSO DE 2010)
• OPEL ASTRA 1.7 CDTI 125 cv COSMO – €23 250
(JÁ SUBSTITUÍDO PELA NOVA GERAÇÃO)
• RENAULT MÉGANE DYNAMIQUE S 1.5 dCi110 cv – €25 650
• VW GOLF 1.6 TDI CONFORTLINE 105 cv – €25 889
• FORD FOCUS 1.6 TDCI TITANIUM 90 cv – €23 375
A terceira geração do Opel Astra está de saída do panorama comercial português. Sete anos e 2,2 milhões de unidades depois, a nova geração de um dos modelos de maior peso dentro da marca alemã já chegou aos concessionários nacionais. E, com ela, a hipótese de conseguirmos adquirir um dos derradeiros Astra “antigos”; por menos que os tabelados 27 320 euros. Fomos à procura e conseguimos 23 250 euros para um 1.7 CDTI Cosmo de 125 cv. Uma poupança de 4070 euros face ao preço de tabela. Mas não só: face aos principais rivais no segmento, os que maior volume de vendas obtiveram durante o pretérito ano, em versões equivalentes, conseguimos adquirir um modelo mais potente por menos dinheiro, poupando entre 75 euros e 2639 euros. No caso do Alfa Romeo 147, que será substituído na próxima Primavera pelo novo Giulietta, a melhor proposta que encontrámos para a versão 1.9 JTD de 120 cv, com nível de equipamento Progression, foi de 26 700 euros. Um desconto próximo dos 4000 euros, mas que, ainda assim, se traduz num preço que continua ser mais elevado do que os concorrentes mais vendidos. |
|
|
 |
|
 |
 |
|
 |
|
COMPETITIVIDADE ESPANHOLA
• FORD S-MAX 1.8 TDCI TREND – €33 490
(NOVA GERAÇÃO NO DECURSO DE 2010)
• RENAULT GRAND SCÉNIC DYNAMIQUE S
1.5 dCi 110 CV – €30 900
• CITROËN GRAND C4 PICASSO 1.6 HDI CONFORT
(CX. AUTOMÁTICA) – €32 873
• SEAT ALTEA XL 1.6 TDI REFERENCE – €24 740
O motor Diesel de acesso à gama do Ford S-Max é o 1.8 TDCI, mais penalizado pelo fisco do que os dos seus concorrentes mais vendidos, todos equipados com motores de menor cilindrada. Nas nossas buscas não encontrámos (até ao fecho desta edição) nenhuma campanha ou preços especialmente tentadores para o S-Max; e, mesmo que existissem, dificilmente seriam ultra-competitivos face aos praticados pelos seus rivais mais vendidos. Sobretudo tendo em conta que existe o Seat Altea XL, o qual, graças à introdução da versão 1.6 TDI com 105 cv, apresenta um preço inferior a 25 000 euros, o valor mais baixo dos modelos equacionados. Neste caso, aquirir um Ford S-Max em fim de ciclo não nos parece ser a melhor opção, já que a actualização deste modelo vai acontecer já no próximo mês de Março, apesar de os preços ainda não estarem definidos. |
|
|
 |
|
 |
 |
|
 |
|
NO REINO DO ESPAÇO
• FORD GALAXY 1.8 TDCI TREND – €35 285
(NOVA GERAÇÃO NO DECURSO DE 2010)
• MITSUBISHI GRANDIS 2.0 DID INVITE – €34 615
• VW SHARAN 1.9 TDI FAMILY – €36 792
• SEAT ALHAMBRA 1.9 TDI REFERENCE – €33 694
No caso do Ford Galaxy, também não conseguimos ter acesso a um preço mais apelativo dos que o dos seus adversários mais vendidos, mesmo na versão 1.8 TDCI com nível de equipamento Trend, o menos completo da gama. Além disso, o Seat Alhambra continua a ser mais barato e fica a ideia que, com paciência, as condições do modelo espanhol podem ser sempre mais favoráveis face a uma Galaxy com um nível de equipamento equivalente. Ainda assim, houve quem nos fizesse a proposta de aquirir uma Galaxy na versão Titanium (a mais completa) com um desconto de 2500 euros, o que resulta num preço final de 36 915. Um valor que continua a ser mais elevado do que aqueles que são praticados pelos concorrentes aqui presentes. Se, mesmo assim, a Galaxy continua a ser o seu modelo de eleição entre os monovolumes, então será melhor esperar pelo “novo” modelo, que irá chegar no próximo mês de Março, para evitar os efeitos da desvalorização. |
|
|
 |
|
 |
 |
|
 |
|
DÚVIDA LEGÍTIMA
• BMW SÉRIE 5 520d – €53 000 (NOVA GERAÇÃO NO DECURSO DE 2010)
• MERCEDES CLASSE E 250 CDI AVANTGARDE – €56 242
• AUDI A6 2.0 TDI 170 CV – €49 593
• JAGUAR XF 3.0D V6 – €71 681
Corria o ano de 2004 quando a BMW lançou o actual Série 5 (E60). Um familiar requintado, que inovou no seu segmento em vários campos, com tecnologias como, por exemplo as barras estabilizadoras activas ou o interface iDrive (estreado no Série 7). Além disso, foi o pioneiro da filosofia Efficient Dynamics, que inclui uma série de soluções com o intuito de dimunir os consumos e, consequentemente, os valores das emissões de CO2. Com a nova geração prestes a chegar, aumentam as campanhas para vender as últimas unidades deste modelo, mas, neste caso, o melhor preço conseguido por um 520d Executive ainda foi superior ao do Audi A6 2.0 TDI, o segundo mais vendido deste segmento em 2009, na versão carrinha, designada Avant. O melhor negócio que conseguimos para um 520d foi um preço de 53 mil euros, uma boa proposta quando comparada com os preços de Classe E 250 CDI e do XF 3.0d, caso em que a poupança pode ultrapassar os 18 000 euros. Isto com a ressalva de o Jaguar ter um motor lançado há pouco tempo, mais potente, e quiçá outra exclusividade que o torna, necessariamente, mais caro. Ainda assim, ao comparar a proposta do 520d Executive com o preço do Audi A6 2.0 TDI, o modelo de Ingolstadt revela-se mais barato que o da casa de Munique. Neste caso, a maior dúvida está entre adquirir um BMW Série 5 carregado de equipamento, mas que vai sofrer uma desvalorização inevitável, ou um Audi A6 que irá continuar a ter um bom valor de mercado, mas que não oferece o mesmo nível de equipamento. E convém não esquecer que os opcionais nos modelos premium têm um custo elevado; e que a tentação de os ter é real na hora de tomar uma decisão. |
|
|
 |
|
 |
 |
|
 |
|
APOSTA NA RECICLAGEM
PAGA DIVIDENDOS
• SEAT EXEO ST 2.0 TDI
O Seat Exeo é um modelo novo no mercado, mas a verdade é que foi copiado da anterior geração do Audi A4, deste se distinguindo apenas através de alguns pormenores estéticos, exteriores e interiores. Para quem o considerar como um concorrente legítimo dos líderes alemães do segmento, então, o preço é mais do que apelativo, já que há versões 2.0 TDI abaixo dos 35 000 euros, tanto para a berlina de quatro portas como para a carrinha ST. Mas quando se pode comprar um Jaguar por 36 000 euros... |
|
|
 |
|
 |
 |
|
 |
|
LUXO A BOM PREÇO
• JAGUAR XJ 2.7D – €100 000 (NOVA GERAÇÃO
NO DECURSO DE 2010)
• AUDI A8 3.0 TDI – €100 000 (NOVA GERAÇÃO
NO DECURSO DE 2010)
• BMW 730d – €103 195
• MERCEDES CLASSE S 320 CDI – €109 598
• MERCEDES CLS 350 CDI – €85 869
Um Porsche 911 novo por 60 000 euros seria uma compra fantástica mas, para muitos, continua a ser um valor inalcançável. Este é o espírito dos negócios que se podem fazer neste segmento, um dos mais exclusivos do mercado. Um Audi A8 3.0 TDI recheado de equipamento por 100 000 euros é uma boa oportunidade para quem pode dispôr deste capital sem ter ir a correr ao multibanco para verificar o saldo... E, pelo mesmo preço, encontrámos um Jaguar XJ 2.7D Sovereign, modelo que também será substituído este ano. Em qualquer dos casos, trata-se de unidades dotadas de praticamente tudo o que é opocional (o que não é pouco, nem barato, tendo em conta as marcas em questão), e, mesmo assim, estão mais baratas do que os seus rivais mais vendidos no segmento, se exceptuarmos o caso particular do Mercedes CLS 350 CDI, o terceiro mais vendido em 2009 na classe. Nesta proposta, a reduzida altura do tejadilho é uma imposição do design que pode causar incómodo a uns… e atrair outros! Mas também convém não esquecer que, face aos exemplos acima mencionados, será necessário adicionar cerca de 15 000 euros de equipamento opcional para colocar o CLS no patamar dos dois modelos em fim de ciclo (valor fácil de alcançar se se deixar seduzir pela lista de opções da Mercedes). Já face ao Classe S equivalente, o preço a que XJ e A8 nos foram propostos traduz uma poupança de cerca de 10 mil euros. Em relação ao Jaguar XJ, a nova geração já pode ser encomendada nos concessionários da marca britânica, e uma das suas principais características é romper, estética e mecanicamente, com a anterior geração, que já havia sido revista no início de 2008. Para os saudosistas, ou amantes das linhas clássicas do XJ, esta será, portanto, a oportunidade ideal para adquirir uma unidade da anterior geração. Por seu turno, a quarta geração do A8 chegará a Portugal em Março próximo, três anos depois da última revisão. É verdade que se trata de um modelo completamente novo, e que promete representar uma importante evolução face ao seu antecessor; mas não o é menos que o actual ainda é um excelente automóvel. Assim sendo, pelo preço certo… |
|
|
 |
|
 |
 |
|
 |
|
CHARME BRITÂNICO
• JAGUAR X-TYPE 2.0D – €36 000
(MODELO JÁ DESCONTINUADO)
• BMW 320d TOURING – €44 200
• AUDI A4 AVANT 2.0 TDI 143 CV – €39 364
• MERCEDES CLASSE C 220 CDI AVANTGARDE – €46 038
Como já foi referido, o Jaguar X-Type é dos modelos escolhidos que já chegou ao fim da sua produção. Lançado em 2001, inicialmente apenas com tracção integral, foi desenvolvido tendo por base o anterior Ford Mondeo, o que fez torcer o nariz aos admiradores da marca inglesa. Na nossa busca, encontrámos uma unidade com um preço de tabela de 42 795 euros, mas que, graças a um desconto efectuado pelo concessionário, de 25%, acabou por nor ser proposto por 36 000 euros. Boas notícias, tendo em conta um nível de equipamento mais completo face a um Audi A4 2.0 TDI, o segundo modelo mais vendido do seu segmento. O facto de ser alternativa mais exclusiva aos premium alemães torna este X-Type uma óptima opção face ao preço. |
|
|
 |
|
 |
 |
|
 |
|
POLIVALÊNCIA
• NISSAN QASHQAI 1.5 dCiTECHNA PREMIUM – €28 890
(NOVA GERAÇÃO NO DECURSO DE 2010)
• PEUGEOT 3008 SPORT 1.6 HDI 110 CV – €30 183
• VW TIGUAN 2.0 TDI 4X2 - €36 128
As alterações que o Qashqai receberá este ano não serão muito significativas, mas desvalorizam o modelo ainda em comercialização. Por cerca de 29 000 euros encontrámos uma versão 1.5 dCi deste Nissan com o nível de equipamento Tekna Premium, que inclui entre outros bancos em pele e sistema de navegação. Proposta a ter em conta, já que está mais barato e com mais equipamento do que os seus rivais mais vendidos.
|
|
|
 |
|
 |
|
| |
|
|
| |
|
|
| |
| |
| |
|
|