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XL > AutoMotor > Apresentação > Audi A8
 
 
 
Em pouco mais de cinco metros de automóvel, o novo A8 reúne tudo o que de melhor a Audi sabe faze – O que não é pouco. Viajar nesta berlina de luxo, que promete ser a nova referência de um dos mais exigentes segmento do mercado, em qualquer dos lugares disponíveis, é um privilégio.

Texto António de Sousa Pereira Fotografia Audi
MARÇO 2010
 
Privilégio automóvel
Ficha Técnica
 
Está ao rubro a luta no exigente segmento das berlinas de luxo. Com o Mercedes Classe S ainda a dar boa conta de si, a nova geração do BMW Série 7 bastante recente no mercado e o novo Jaguar XJ a prometer dar que falar, eis que chega a mais recente geração do topo de gama da Audi. Anunciado como o modelo mais desportivo da classe, o A8 da quarta geração (contando com o Audi V8 de 1988, que marcou a entrada da marca dos quatro anéis no segmento) é, também, e não por acaso, o primeiro grande lançamento de 2010 da casa de Ingolstadt – por ser o modelo que indica o novo rumo que esta pretende seguir em termos de estilo, qualidade e tecnologia; e por sublinhar o seu objectivo de se tornar a principal marca premium a nível mundial.

Com 5137 mm de comprimento, 1949 mm de largura, 1460 mm de altura e 2992 mm entre eixos, o novo A8 é mais comprido e mais largo, não só que o seu antecessor, como do que os seus rivais germânicos. Volta a estar disponível em versão de châssis longo (lá mais para o final do ano, para já apenas com os motores V8 e W12), mais comprida e maior entre eixos 150 mm do que a “normal”. E entre os seus principais atributos conta- se uma silhueta com ares de coupé que lhe confere uma aparência graciosa e dinâmica, que alguns apontam como menos distinta do que o desejável a este nível (por estar demasiado próxima das mais recentes, mas menos elitistas, criações da Audi), mas que, seguramente, tem a seu favor ser muito mais consensual do que o caminho escolhido pelos seus opositores. Em termos de eficácia aerodinâmica, o Cx de 0,26 fala por si. Na sua edição de Janeiro, por via do convite para estar presente no exclusivo evento em que foi, pela primeira vez, mostrado o novo A8, a AutoMotor detalhou as suas principais características. Agora, que foi tempo do primeiro contacto dinâmico, é lógico que as atenções se concentrem, essencialmente, naquillo que se rela ciona com o seu desempenho.

A interactividade do novo sistema MMI é simplesmente fabulosa, merecendo especial destaque o touch pad com inúmeras funções. O espaço é amplo, à frente e atrás, e a qualidade geral irrepreensível

APOSTA TECNOLÓGICA…
Ainda antes de passar à acção, vale a pena lembrar alguns dos principais argumentos do novo A8. Com uma gama de motores cujos consumos baixaram 22% face aos da anterior geração do modelo, e é composta apenas por unidades de injecção directa e cilindros dispostos em V: 3.0 V6 TDI (250 cv, 550 Nm e dotado de sistema start/stop); 4.2 V8 TDI com dois turbos de geometria variável e injecção common-rail com injectores piezoeléctricos e 2000 bar (350 cv e 800 Nm) e 4.2 V8 FSI a gasolina (372 cv e 445 Nm). A chegada a Portugal das versões V8 está agendada para Abril; no terceiro trimestre de 2010 chegarão os V6 de 3,0 litros a gasóleo e a gasolina (290 cv).

No final do ano será a vez de ser lançado o 6.3 W12 FSI de 500 cv e uma variante que se espera muito competitiva, com tracção somente dianteira e animada por uma versão de 204 cv do motor 3.0 TDI, que anuncia um consumo médio de 6,0 l/100 km e emissões de CO2 de156 g/km. Para uma fase subsequente está ainda confirmado o lançamento de uma versão Diesel especialmente “limpa”, já capaz de cumprir as normas Euro 6 (a entrar em vigor em 2014) e que se afirma como imbatível na classe neste domínio, mesmo quando comparada com as propostas híbridas da concorrência.

De série em todos os A8 são a nova caixa automática tiptronic de oito velocidades (mais pequena que a anterior de seis relações, e dotada de patilhas no volante); o sistema de tracção total quattro com três diferenciais (distribuição estática entre os dois eixos de 60/40, podendo chegar a um máximo de 80% para trás e 60% para a frente – não disponível no 3.0 TDI de 204 cv); a suspensão pneumática com três modos de funcionamento (Auto, Confort e Dynamic – em opção existe a configuração Sport, com altura ao solo inferior em 10 mm); a direcção Servotronic por cremalheira (em opção está disponível o sistema Dynamic Steering, com relação infinitamente variável); o châssis ASF em alumínio com apenas 231 kg (composto por treze diferentes ligas de alumínio, é 40% mais leve do que uma estrutura equivalente em aço, oferece um acréscimo de 15% da rigidez torsional face ao anterior A8 e permite ao modelo ser cerca de 200 kg mais leve do que os rivais dotados de uma motorização e nível de equipamento equivalentes).

… EM TODAS AS ÁREAS
Também no interior a alta tecnologia é o mote no novo A8: o já célebre Drive Select permite ao condutor configurar, a seu prazer, o desempenho e resposta da suspensão pneumática, do motor, da caixa tiptronic da direcção Servotronic e do sistema de prevenção de colisões pre sense; no painel de instrumentos, o ecrã do sistema DIS, onde são projectadas as principais informações do veículo, passou de 5” para 7”; o selector da caixa de velocidaddes (com a forma do acelerador de um iate) passa a ser electrónico; o travão de estacionamento é electromecânico; a iluminação é toda por LED. Outros elementos a ter em consideração: bancos dianteiros eléctricos com 12 regulações de série (22 regulações, ventilação e massagem pneumática com cinco níveis em opção); bancos traseiros eléctricos em opção.

Segurança é o que também não falta: encostos de cabeça activos; ESP; airbags frontais; airbags laterais e de cortina em todos os lugares; cruise-control activo; pre sense de série (em opção são propostas as mais evoluídas derivações deste sistema; front, plus e rear); side assist (opção, monitoriza a traseira do veículo numa distância de 70 metros); assistente à manutenção na faixa de rodagem (opção); sistema de visão nocturna (opção). Apesar de tudo isto, um dos encantos do A8, neste domínio, é o novo sistema MMI. Pela integração de uma impressionante panóplia de funções, que vai ao ponto de permitir eleger o destino para o sistema de navegação a partir da Internet. Pela eficácia e elegância do seu interface. E, não menos apelativo, pelo genial MMI Touch, um painel sensível ao toque, semelhante ao dos “ratos” conhecidos de alguns computadores laptop, e que adopta diversos tipos de funcionamento, consoante a função está ser utilizada: pode funcionar como cursor nas quatro direcções; como um conjunto de botões (por exemplo, para eleger uma estação de rádio); e funciona, até, como sistema de reconhecimento de escrita em várias línguas, função particularmente útil quando se navega na lista de endereços do telefone, na Internet ou se pretende eleger uma morada no sistema de navegação. Brilhante!


As ópticas bi-Xénon são de série no novo A8 e podem ser complementadas por um sistema de luzes adaptativo. Mas, delicioso, mesmo, é o sistema de iluminação totalmente constituído por LED, que além do mais confere ao modelo uma aparência única. A experiência de condução do maior e mais leve modelo do segmento é por demais gratificante
 
EXEMPLO DE DINAMISMO
Ao longo dos dois dias passados no Sul de Espanha, e das várias centenas de quilómetros efectuados com as três primeiras versões que chegarão ao mercado, pode, desde já, adiantar- -se que a experiência de condução do novo A8 é por demais gratificante. Uma vez a bordo, a primeira menção vai para o amplo espaço disponível, à frente como atrás (conjugado com uma bagageira com 510 litros de capacidade, 10 litros mais do que no anterior modelo), para a decoração sóbria e elegante, para a iluminação suave e eficaz e para um nível de qualidade geral absolutamente insuspeito.

Ainda antes de colocar o motor em marcha, é dada particular atenção ao sistema MMI e ao Drive Select, para configurar os principais parâmetros de funcionamento dos sistemas aí configuráveis. De série, o A8 conta com um sistema de som com 180 Watt, 10 altifalantes, leitor de DVD e dois leitores de cartões SD; mas as unidades colocadas à disposição dos jornalistas contavam, ou com o soberbo sistema Bose com amplificador digital com 600 Watt, 12 canais e 14 altifalantes; ou com o magnífico sistema Bang&Olufsen com dois amplificadores, mais de 1400 Watt de potência, 19 canais e outros tantos altifalantes (ambos opcionais). Uma verdadeira delícia para os ouvidos, particularmente o de origem nórdica.

Principescamente sentado atrás do volante, é tempo de começar pela versão do A8 mais interessante para Portugal: o 3.0 TDI. Mesmo com a suspensão no seu modo mais brando, o modelo brinda os seus ocupantes com um pisar sólido, que desde logo indicia um temperamento desportivo, mas que não põe em causa um excelente nível de conforto, sublinhado pelo baixo nível de ruído de funcionamento do motor e por uma óptima insonorização. A suavidade das passagens de caixa, a competência do sistema de travagem ou a precisão e correcta assistência da direcção são trunfos que contribuem de maneira decisiva para o prazer que é conduzir o A8. O motor responde sempre com franqueza às solicitações do acelerador, permitindo alcançar prestações de muito bom nível.

Em troços mais sinuosos, e adoptando-se um ritmo mais elevado, a suspensão baixa a altura ao solo em 20 mm e o A8 responde com brio às exigências, através de reacções honestas e previsíveis, e manifestando uma agilidade e eficácia invulgares para um modelo com este porte. Na variante 4.2 FSI há uma dose extra de entusiasmo proporcionada não só pelo superior rendimento disponível, como pela melodiosa sonoridade do motor a alto regime. Mas é no 4.2 TDI que as coisas atingem o seu patamar mais convincente, ou não fosse esta a mais célere versão do A8: embora menos potente do que o 4.2 FSI, o mais dotado dos Diesel conta com um excelente binário, e é o que garante o melhor valor nos 0-100 km/h (5,5 segundos; em todas as versões, a velocidade máxima está electronicamente limitada a 250 km/h).

Além do mais, é, ainda, o único que monta, de série, o difrencial traseiro dynamic sport, que gere a repartição do binário entre as rodas traseiras e confere dose extra de eficácia ao modelo – e, por consequência, de emoção ao condutor, sobretudo quando este opta por seleccionar o modo mais dinâmico (leia-se: permissivo) do ESP, e só é pena que este sistema não possa ser totalmente desligado.

Finda a experiência, fica a certeza de que o novo Audi A8 é um rival à altura dos dominadores do segmento, mesmo a nível dinâmico, prometendo, inclusive, tornar-se a nova referência do mesmo. Para mais, conta com uma dotação de equipamento deveras interessante e praticará, entre nós, preços que não podem deixar de se considerar competitivos, com a vantagem adicional de exigir um dispêndio extra pela versões de châssis longo (€3000) inferior ao pedido pelos seus concorrentes alemães. Resta esperar por Abril para tirar conclusões mais definitivas em território nacional e ver qual a receptividade do cliente português à nova geração do topo de gama da marca dos quatro anéis.
 
 
 
 
 

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