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XL > AutoMotor > Ensaio > Peugeot 308 GTi
 
 
 
A sigla GTi está de volta à Peugeot. Mais apelativa e eficaz do que nunca. Equipado com motor 1.6 THP de 200 cv, caixa manual de seis velocidades, suspensão firme, travões potentes e jantes de 18”, o mais musculado dos 308 tem raça de campeão

Texto Bruno Castanheira Fotografia Miguel Ângelo Silva
MARÇO 2011
 
Raça de campeão
Ficha TécnicaAs nossas mediçõesA favor/contra
 
A Peugeot recuperou a sigla GTi e decidiu aplicá-la no 308. Dis po - ní vel apenas com carroçaria de cinco portas, este musculado familiar compacto é, segundo a marca francesa, um desportivo moderno, polivalente e em linha com o seu tempo. Mais: tem um carácter desportivo domesticado, sendo capaz de se tornar explorável e confortável no dia-a-dia, em qualquer regime e longe de um radicalismo exacerbado, sabendo oferecer ao seu piloto um máximo de sensações, sempre que solicitado. Quem o diz é a Peugeot. Argumentos de marketing à parte, de uma coisa pode o leitor estar certo: o 308 GTi é, a par com o RCZ, o modelo mais eficaz que o construtor de Sochaux alguma vez concebeu. Quer saber porquê? Então, aperte o cinto de segurança e não saia destas páginas…

PRESENÇA DISCRETA
Diz a tradição que um desportivo deve ser eficaz. A tradição diz também que um desportivo deve mexer com os sentidos. O que a tradição não diz é que um desportivo pode não ser exuberante.

Apelativo, sem ser demasiado vistoso, o 308 GTi tem uma presença discreta. Mesmo estando a carroçaria pintada de branco. Os adereços que o equipam não primam pela extravagância. Nem precisam. Contudo, estão lá: jantes “Lincancabur” de 18” com cinco raios; deflector no topo do óculo posterior; duas saídas de escape do lado esquerdo; pára-choques dianteiro “Sport”; pára-choques traseiro com difusor em preto lacado “Perla Nera”; letterings específicos na tampa da mala e junto às cavas das rodas dianteiras. Quem pretender uma pintura metalizada terá de despender uns adicionais 400 euros, ao passo que quem preferir antes uma envernizada terá de desembolsar 500 euros, ou seja, apenas mais 100 euros do que a metalizada. Valores extremamente acessíveis.

Uma vez instalados a bordo, começamos por apreciar o equipamento completo (o alarme e os sensores de estacionamento dianteiros são as únicas opções disponíveis) e a qualidade de construção convincente. Depois, o espaço e o volume da bagageira, que cumprem, sem deslumbrar, os requisitos de uma utilização familiar.

Desportivo sem ser exuberante, o 308 GTi inclui um ESP que se desliga totalmente. As jantes são de 18” e os pedais em alumínio

O ambiente desportivo é assegurado pelos pedais e apoio para o pé esquerdo (activo) em alumínio; pelos mostradores com fundo branco e grafismo escuro; pelo volante de três braços em pele com base plana e inserções em alumínio; pelo punho metálico da alavanca da caixa; pelos bancos desportivos em pele e tecido; pelas pegas das portas dianteiras em aço escovado; e pelas aplicações cromadas introduzidas em vários comandos e noutras pequenas secções.

O posto de condução é simplesmente excelente. O banco, que regula, tal como o do acompanhante, em comprimento, inclinação, altura e apoio lombar (todos os ajustes são manuais), oferece um suporte lateral de bom nível e está bem posicionado face aos pedais e volante. Este último, que dispõe de dupla regulação, agrada pela óptima pega que oferece. À visibilidade e localização dos comandos secundários não há críticas a apontar.

Sem mais demoras, acordámos o motor. O som de funcionamento do mais musculado dos 308 é simplesmente encantador. Tal deve-se à tecnologia “Sound System”, que permite libertar harmónicas diferentes ao ritmo das acelerações. Tal como num instrumento musical verdadeiro, uma membrana vibratória colocada na admissão emite uma sonoridade que é depois gerida e amplificada por uma conduta acústica, preservando, deste modo, o nível sonoro em percursos longos. Um autêntico must…

Ágil, preciso e envolvente, o 308 GTi é dos melhores desportivos que a Peugeot alguma vez criou, encantando, ainda, pela sonoridade
ATITUDE FEROZ
Ainda que mantenha um nível bastante razoável de conforto, e embora esteja perfeitamente adaptado a uma utilização familiar no dia-a-dia, o 308 GTi tem uma atitude feroz. O seu visual pode ser de cordeiro, mas o seu temperamento é de lobo. Ou melhor, de leão. E esfomeado.

Basta o condutor querer. Ágil, eficaz e envolvente, tudo o que faz, faz bem. Só é pena o comando da caixa não ser mais rápido e a direcção não ser mais comunicativa. Seja como for, este desportivo agarra-se à estrada com inegável bravura, graças à boa motricidade de que dispõe e aos pneus Continental SportContact 2, de medida 225/40R18, que o equipam.

Certinho nas trajectórias, o 308 GTi tem um eixo traseiro reactivo que ajuda a “empurrar” o dianteiro para a direcção certa, não exibindo grande tendência para escorregar de frente nas entradas em curva feitas a maior velocidade.

Pela primeira vez, a Peugeot decidiu instalar num familiar compacto de cariz desportivo um controlo de estabilidade que pode ser totalmente desactivado, dando, assim, maior liberdade ao condutor para este fazer aquilo que muito bem entender. Quando está activo, este dispositivo electrónico não é demasiado interventivo, deixando uma interessante margem de manobra.

O temperamento explosivo do 308 GTi deve- se ao motor 1.6 THP de 200 cv. Dotado de injecção directa de gasolina, sistema VTi (controlo variável das válvulas de admissão, solução que deriva do sistema Valvetronic utilizado pelo Grupo BMW) e turbocompressor twin- -scroll, atinge os regimes elevados num ápice e é bem explorado por intermédio de uma caixa manual de seis velocidades.

Se dúvidas houvesse, atente-se nas medições por nós efectuadas, que superaram, imaginese, as anunciadas pela Peugeot: 7,2 segundos nos 0-100 km/h; 15,1 segundos nos 0-400 metros; 27,3 segundos nos 0-1000 metros. As recuperações são também todas de bom nível, variando entre os 4,0 segundos nos 60-100 km/h realizados em terceira velocidade e os 9,1 segundos nos 80-120 km/h em sexta velocidade. E o que dizer da travagem de 90-0 km/h, na qual registámos um dos melhores valores de sempre? 27 metros, ou melhor, 26,98 metros, para sermos mais rigorosos…

E como a comparação é inevitável, aqui vai: face ao RCZ 1.6 THP de 200 cv, que é 102 kg mais leve, o 308 GTi é apenas dois décimos de segundo mais lento nas acelerações (um décimo de segundo só nos 0-1000 metros). Nas recuperações, o 308 GTi situa-se também ao mesmo nível do RCZ. É que das seis efectuadas, iguala em três (60-100 km/h em terceira e quinta; 80-120 km/h em quarta), perde em duas (60-100 km/h em quarta; 80-120 km/h em sexta) e ganha numa (80-120 km/h em quinta). Quanto à travagem, o 308 GTi regista menos um metro. Ainda tem dúvidas, caro leitor?
 
 
 
 
 

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