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Em 2010, a mortalidade rodoviária passou a contabilizar as vidas perdidas nos 30 dias subsequentes ao acidente. A ANSR esconde o registo oficial, anunciando uns provisórios 747 mortos. Mas dados da GNR e do Instituto de Medicina Legal apontam para 1000 óbitos. Entretanto, reina o terror entre os militares da ex-BT e já há ameaças de morte…
Texto Jorge Flores Fotografia Miguel Ângelo Silva
MARÇO 2011 |
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O ano de 2010 foi o primeiro em que a mortalidade rodoviária, no nosso país, passou a contabilizar as vidas perdidas nos 30 dias subsequentes ao acidente. E a contabilidade dificilmente poderia ser mais negra! Tal como a AutoMotor alertara, há já dois anos (ver artigo “Números Milagrosos”, na edição de Agosto de 2009), os números “reais” das vítimas mortais por acidente
de viação são muito superiores aos propalados oficialmente ao longo dos anos.
A julgar pelos valores provisórios disponíveis no site da ANSR (que, uma vez mais, não respondeu às perguntas da nossa revista), que remete para Julho os números oficiais do registo das mortes no final dos 30 dias, durante o ano de “2010, o número de vítimas mortais resultantes de acidentes de viação sofreu um aumento de 1% em relação ao ano anterior, e uma redução de 4% comparativamente a 2008”. Segundo consta do mesmo site, o ano passado morreram 747 pessoas nas nossas estradas, face aos 737 óbitos de 2009 e aos 776 de 2008.
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| Paulo Marques é o principal alvo das críticas dos militares da BT e foi entregue um abaixo-assinado na Assembleia da República a pedir a sua demissão |
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Mas a verdade é mais negra. Apesar de a ANSR dar conta de uma média anual de 700 mortos, tanto os registos da GNR como do próprio Instituto Nacional de Medicina Legal (IML) apontam para o milhar de mortos, todos os anos, decorrentes dos sinistros.
Mil mortos por ano
Contactado pela AutoMotor, o presidente do IML, Duarte Nuno Vieira, começa por referir que a “metodologia agora utilizada é a mais correcta. Os 30 dias já envolvem a grande maioria das vítimas de acidentes de viação”, sublinhando que houve um “grande empenho” do instituto para que esta fórmula fosse aprovada no nosso país.
Mas admite que, durante muitos anos, o número de autópsias efectuadas pelo IML era “40% superior aos mortos apresentados oficialmente”. Basta ver a discrepância entre o número de mortos apresentado pela ANSR e o das certidões passadas pelo IML.
Em 2008, já com o agravamento de 14% imposto pelo UE, o registo oficial foi de 776 vítimas mortais, enquanto que o IML contou… 1000 óbitos. Já em 2009, a ANSR anunciou 737 mortos, mas as autópsias do instituto a este tipo de sinistrados foram 896. Também no ano passado, o primeiro em que foi aplicado o novo sistema de contagem, a ANSR indica como provisório o registo de 747 mortos, mas o trabalho do IML evidencia uma outra realidade: 1150 mortos foi o balanço de 2010 nas estradas lusas.
Dois anos sem BT
A GNR, por seu turno, também labora, mas com base em registos distintos dos da ANSR (ver gráfico nestas páginas). Segundo fonte anónima desta corporação, os números obtidos pela GNR em 2008 e 2009 (748 e 763 mortos, respectivamente) “contêm todos os mortos ocorridos no período de 1 de Janeiro a 31 de Dezembro, sendo uma contabilidade mais extensa, pois podem ter a contagem a mais de 30 dias. Os números de 2010 (813) são a 30 dias, contando assim com os que faleceram até ao dia 31 de Janeiro de 2011, resultantes de Dezembro de 2010”.
O mesmo interlocutor não tem dúvidas em associar o aumento do número de mortos, nos últimos dois anos, à extinção da Brigada de Trânsito?(BT): “Analisando os números apresentados, verifica-se que, após a extinção da BT, os mortos resultantes de acidente de viação têm aumentado. Tomando como referência 2008 (último ano da BT), tinham perdido a vida 748 pessoas; em 2009 aumentaram para 763 (mais 17 pessoas, aumento de 3%). Em 2010, com a contabilidade a 30 dias, temos 813 vítimas mortais na área da GNR, e, estatisticamente, a PSP apresenta 140 mortos. Sem contar com os 30 dias da PSP, somam-se 953 mortos”, afirma.
O militar encontra explicações para esta tendência negativa da mortalidade rodoviária no “desbaratar” dos conhecimentos dos militares da ex-BT, na degradação dos meios operacionais e no “grave erro” de dispor o trânsito de forma territorial, “folgando uns e sacrificando outros”. Para não falar do mal-estar que se vive na corporação… |
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