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XL > AutoMotor > Auto Histórias > Ferrari 250 GT
 
 
 
Se o novo FF da Ferrari tem um design estranho, o que se poderá dizer do 250 GT realizado no início dos anos de 1960 por Bizzarrini/Drogo, à revelia de Enzo Ferrari?

Texto Rui Faria Fotografia Ferrari
MARÇO 2011
 
A carrinha do pão
 
No dia 24 de Fevereiro de 1962, na tradicional conferência de imprensa que marcava o início de cada temporada, a Ferrari impressionou tudo e todos com a apresentação daquele que talvez seja o mais icónico modelo da sua história – o 250 GTO. Hoje, 49 anos depois, o Salão de Genebra foi o palco eleito para a marca mostrar o FF, um coupé familiar que passa a ser o Grande Turismo mais potente da sua história.

A grande diferença entre este momentos são os aplausos consensuais que a Ferrari granjeou em 1962, com o 250 GTO, em contraste com a surpresa causada pelo design do novo FF, modelo com formas originais e diferentes, que recorda um Ferrari construído à revelia de Enzo Ferrari, que os britânicos apelidaram de “breadvan” (carrinha do pão).

Nos anos de 1960 as relações entre “il Commendatore” e o conde Giovanni Volpi, proprietário da “SSS Scuderia Sereníssima Republica di Venezia”, não eram as melhores, e Enzo Ferrrai recusou a venda de um dos novos GTO à equipa veneziana. Agastado, o conde recorreu ao engenheiro Giotto Bizarrini e ao carroçador Piero Drogo, que lhe realizaram um novo carro de competição com base no 250 GT SWB. O trabalho foi realizado em tempo recorde, e em Junho, por altura das 24 Horas de Le Mans, o “Breadvan” (matricula MO 6 8939) roubou muito do protagonismo ao novo GTO.

À REVELIA
Giotto Bizarrini utilizou o châssis de um 250 GT SWB (n.º 2819GT) e adoptou as mesmas ideias que os engenheiros da Ferrari seguiram na definição do GTO, ou seja, os conceitos aerodinâmicos enunciados por Wunibald Kamm nos anos de 1930. O alemão já nessa altura defendia que o desenho da carroçaria tinha de oferecer pouca resistência ao ar e o desenho da traseira era fundamental.

Este conceito, que ainda hoje é conhecido como “Kamm tail” ou “K-tail”, foi radicalizado no caso do “Breadvan”, que foi equipado com um motor V12 de 3,0 litros do 250 Testarossa, ainda mais recuado do que acontecia no GTO, para garantir uma melhor repartição de massas.

A competitividade do “Breadvan” era evidente, e, na longa recta da Hunaudiéres em Le Mans, foi mais rápido do que os Ferrari GTO oficiais, ocupando o sétimo lugar absoluto quando foi obrigado a desistir com problemas de transmissão.

A “SSS Scuderia Sereníssima Republica di Venezia” utilizou o “Breadvan” em inúmeras provas até 1966, altura em que o modelo foi vendido para os Estados Unidos, onde foi utilizado tanto nas pistas como fora delas, sendo sempre alvo da curiosi dade geral onde surgisse. Algo que ainda hoje acontece quando aparece nos meetings reservados a automóveis históricos, mesmo no festival anual de Goodwood, onde é costume marcarem presença verdadeiras raridades cheias de história.

Quem teve o privilégio de o conduzir afirma que é um automóvel fácil de conduzir até às 4500 rpm, mas que, a partir desse regime, o seu temperamento altera-se radicalmente, já que toda a potência dos seus cerca de 300 cv surge repentinamente, sendo, por isso, difícil de controlar a partir de então.
 
 
 
 
 

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