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XL > AutoMotor > Auto Histórias > Citroën 2 Cv e Type H
 
 
 
Em 1948 a Citroën apresentou dois modelos que ajudaram a motorizar a Europa do pós-guerra. Quem não se lembra do furgão Type H ou não vibrou com o 2 CV?...

Por Rui Faria Fotos Citroën
ABRIL 2008
 
Sexagenários
 
Em 1948 as cicatrizes da II Guerra Mundial ainda eram profundas. A Guerra Fria estava no seu início. Depois de esmagar a revolta de Praga, a União Soviética fez um bloqueio a Berlim, obrigando a cidade a ser abastecida pela força aérea americana. No Médio Oriente foi proclamado o Estado de Israel e, na Índia, Ghandi foi assassinado, enquanto o Reino Unido deixou o país-Continente.

Ao mesmo tempo, a Europa procurava recuperar o tempo perdido com a Guerra, e os automóveis eram um bem cobiçado. Para responder à procura, e maximizar as vendas, foi necessário proletarizá-lo, tornando-o acessível a uma classe média emergente, que se afirmava no comércio.

Foi esta a proposta do Type H, o furgão que a Citroën apresentou em Junho. Equipado com um motor de 1911 cc e 50 cv, era capaz de transportar 1,2 toneladas, tendo sido um modelo com uma grande longevidade, já que até 1981 foram produzidas 490 mil unidades. Em Portugal, os cinquentões recordam-se certamente dos furgões Type H da “Menina Pescadinha”, que distribuíam peixe congelado por todo o país, para já não falar nas bibliotecas itinerantes da Fundação Gulbenkian.

2CV é um clássico
Ainda em 1948, durante o Salão Automóvel de Paris, a Citroën apresentou aquele que é hoje um clássico entre os automóveis europeus: o 2 CV. Foi realizado com base num protótipo criado por André Lefebvre para o Salão Automóvel de Paris de 1939, um certame que nunca se realizou devido ao início da II Guerra Mundial.

Os 250 protótipos que tinham sido construídos haviam sido destruídos, ou escondidos da invasão nazi, tendo sido redesenhados, mas a sua forma original, feita de linhas arredondadas, foi mantida, o mesmo acontecendo com a exigência de ser capaz de “transportar quatro pessoas e 50 kg de batatas”, como estava definido no caderno de encargos inicial.

Equipado com um motor de dois cilindros opostos, refrigerado a ar, com 375 cc e 9cv de potência (2 cv era a potência fiscal), era capaz de chegar aos 45 km/h, gastando 4,5 litros aos 100 km. Ao longo da sua vida surgiram várias versões que ajudaram a motorizar a Europa.

Entre Outubro de 1948 e 27 de Julho de 1990, altura em que a última unidade deixou a linha de montagem da fábrica de Mangualde (perto de Viseu), foram produzidas 5 114 490 unidades do 2CV, das quais 1 246 335 da Fourgonette (carrinha). Para a história ficou um automóvel que foi um ícone da juventude do pós-guerra, uma imagem de liberdade e mobilidade, que ainda hoje (60 anos depois) alimenta paixões.
 
 
 
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