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A Automotor integrou a equipa portuguesa presente na Mazda MX-5 Open Race 2010, uma corrida de imprensa com 26 países, disputada no circuito de Adria, em Itália, no âmbito da comemoração dos 20 anos do mítico roadster japonês. Uma experiência memorável com um resultado final a condizer
Texto Luís Guilherme Fotografia Mazda
ABRIL 2010 |
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O convite era claro: ia ser um dos cinco jornalistas a defender as cores de Portugal na Mazda MX-5 Open Race, que iria ser disputada em Adria, a cerca de uma hora de Veneza, em Itália. Os responsáveis da marca pediram-me todas as medidas, para que o fato, as luvas, o capacete, e o underware à prova de fogo ficasse a preceito. A coisa parecia séria e o entusiasmo era sentido nos telefonemas trocados com os meus colegas de equipa: Alfredo Lavrador (TV Turbo), Bernardo Gonzalez (Volante), Flávio Serra (Autohoje) e Paulo Cardoso (Auto Foco) seriam os únicos autorizados a tocar no volante do MX-5 n.º 28 além de mim.
Terça-Feira
Às 5h31 recebo uma mensagem do Alfredo a perguntar-me se seria necessário levar botas de competição. Boa pergunta, pois também não me lembro, e com um avião para apanhar daqui a um par de horas, resta acreditar que a organização não se esqueceu desse detalhe. O voo serve para compensar horas de sono perdidas a visionar vídeos no You Tube de corridas no traçado de Adria.
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| A partida aconteceu ainda sob chuva intensa. |


| A bacquet, os cintos de quatro pontos e o volante em camurça são alguns elementos específicos deste MX-5 |

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À chegada a Veneza, somos transportados para o circuito, para um briefing preliminar e para levantar uma mala com todo o equipamento. E cá estão as minhas botas n.º 42. Problema resolvido. O capacete com o respectivo nome alinhado com os restantes numa prateleira gera um sentimento de prazer infantil.
Somos levados até à nossa box, onde temos o primeiro contacto visual com o MX-5 n.º 28, pintado com a bandeira portuguesa. Lindo. O orgulho sobe e a excitação não fica atrás.
Ainda há tempo para dois dedos de conversa com o nosso mecânico de serviço (Mário) que nos fala por alto das alterações efectuadas ao modelo de série e avisa que dificilmente iremos experimentar os pneus slick. A chuva mantém-se e as previsões falam de neve para a corrida... Transfer para o hotel e (tentar) dormir sobre o assunto.
Quarta-feira
Não será difícil perceber porque é que o sono foi escasso, pois a ansiedade era tal que me apresentei logo no pequeno-almoço, ainda no hotel, com o equipamento completo. Nada de anormal, não fosse o facto de ter sido o único da minha equipa neste traje a esta hora...
Este era o primeiro dia de condução e a chuva prometia durar ao longo das duas sessões de treinos livres, cada uma com a duração de 90 minutos.
Quando vejo a quantidade de água existente no circuito, só rezo para não ser o primeiro a entrar. O nosso “mister” Paulo Torres, encarregado da estratégia da equipa, sugere a ordem alfabética no alinhamento dos pilotos. As preces são respondidas. Sou o penúltimo e, por essa altura, já terei bastante informação dos meus team mates sobre o comportamento do MX-5 nestas condições.
O Alfredo e o Bernardo dão-me algumas dicas sobre as melhores trajectórias, mas é o Flávio que lança o maior desafio: “acho que se conseguem melhores tempos com o DSC desligado”. E o facto é que, até agora, foi ele o mais rápido... Gabo-lhe a coragem, pois quando entro em pista sinto de imediato que o MX-5 “dança” com facilidade ao mínimo excesso de acelerador. Arrisco uma volta com o DSC em off, mas uma forte sacudidela da traseira numa das travagens deixa-me apreensivo... Volto a ligar este dispositivo electrónico e tento ser o mais suave possível na condução, ao mesmo tempo que procuro perceber as melhores zonas de aderência em cada curva. Resultado? O melhor tempo da equipa (por centésimos de segundo) e o quarto melhor da geral, entre os 29 MX-5 presentes em pista. Animador.
Na sessão da tarde, a pista está (ainda) mais encharcada e a ordem de entrada inverte-se. O Paulo Cardoso é o primeiro a ir para o traçado e eu entro a seguir. Confiante pelo tempo efectuado de manhã, continuo à procura das melhores trajectórias e não ouso desligar o auxílio electrónico do DSC.
As curvas presentes nos 2,7 km do circuito são feitas todas em segunda e, como o escalonamento da caixa é longo para este traçado, apenas consigo engrenar 4.ª na recta da meta. Numa ou noutra curva experimento usar a 3.ª para beneficiar a tracção à saída, mas os tempos registados no cronómetro colocado na consola central não me dão a certeza se será uma boa opção. A não ser a de que é impossível repetir os tempos da manhã.
Entrego o “28” ao Flávio, que rapidamente bate o meu tempo... sem o auxílio do controlo de tracção! Começam as dúvidas novamente. Será que a electrónica atrapalha? Curiosamente, o Bernardo entra a seguir ao Flávio e averba o melhor tempo da nossa equipa nesta sessão, com o DSC ligado. Mais dúvidas...
No quadro geral estamos em 8.º e o Bernardo é o elemento escolhido para a Super Pole, uma única volta que vai decidir o nosso lugar na grelha no dia seguinte. O nervosismo instala-se, pois o mínimo erro pode mandar o nosso 28 lá para trás na grelha de partida, a qual será lançada, ao estilo Indy.
A experiência e um bom controlo das emoções por parte do Bernardo Gonzalez coloca o nosso MX-5 no quinto posto da grelha. Ninguém diz, mas o pensamento é claro por parte de todos os presentes na comitiva lusa: é possível chegar ao pódio. Isto apesar de correr a notícia de que há vários pilotos profissionais presentes na contenda – FIA GT, Fórmula 3000, Fórmula Ford, Porsche Supercup e Fórmula 3 francesa são alguns exemplos. Então não era só para jornalistas? Alguém tem um calmante?...
Quinta-feira
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| O nosso “28” chegou a rodar no primeiro lugar, mas acabou por cortar a meta no segundo posto. Nada mau. |

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Hoje é o “Dia D.” A corrida é às 13h00, mas ainda há um warm-up pela manhã. A chuva diminui e a pista está mais seca. Resolvo aproveitar este período para fazer um par de voltas sem o auxílio do DSC. Seja o que Deus quiser...
Realmente, sou forçado a concordar com o Flávio: o MX-5 é mais rápido, e muito mais divertido, sem a ajuda deste dispositivo, apesar de obrigar a uma sensibilidade adicional com o acelerador, não só à saída das curvas, mas também na trocas de caixa de 2.ª para 3.ª, como uma monumental “atravessadela” em recta proverbialmente me lembrou...
Nas travagens mais violentas, o ABS actua e parece que os rails são o nosso destino. Felizmente, nos últimos metros, o MX-5 faz-nos a vontade e entra na trajectória pretendida. Que loucura.
São 13h00 e cheira a ansiedade no padock. É obrigatório cumprir três voltas atrás do pace car até que este sai para dar inicio às quatro horas de corrida.
O Bernardo porta-se à altura e envolve-se numa acesa batalha na defesa do seu quinto lugar logo nas primeiras voltas. E não só resistiu com mestria como acabou por saltar para quarto, graças a um despiste de uma das equipas alemãs que seguia a nossa frente. Entretanto, um norueguês e um checo atacam com sucesso o MX-5 português e, quando o Alfredo entra, após o primeiro reabastecimento, o n.º 28 está em sexto.
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| O nosso “28” chegou a rodar no primeiro lugar, mas acabou por cortar a meta no segundo posto. Nada mau. |


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É neste turno que se começa a confirmar o potencial da nossa equipa. Com uma condução old school, este ex-navegador de ralis enceta uma recuperação notável, assumindo-se como o mais rápido do momento – sem descurar a nota artística, já que andar de lado era quase uma obrigação para o Alfredo Lavrador. Eu e o Flávio assistíamos a tudo numa das bancadas principais do circuito e percebíamos que a responsabilidade crescia a olhos vistos, pois quando o Paulo Cardoso tomou conta do volante já estávamos em segundo!
Com as trocas de pilotos e os respectivos reabastecimentos a sucederem-se, o nosso MX-5 assalta o primeiro lugar, graças ao ritmo consistente do Paulo, posição mantida até à entrada do jornalista do Autohoje. O Flávio Serra segura sem problemas o primeiro posto, cimentando a sua confiança com os melhores tempos da equipa até ao momento, sem deixar de exibir o seu talento na arte de conduzir um MX-5 “na perpendicular”, mesmo nas situações de maior tráfego causado por concorrentes atrasados.
É AGORA...
É a minha a vez e sinto que há fortes possibilidades de ganhar a corrida, fazendo fé que a equipa belga ainda tem que parar duas vezes. Com a pulsação a disparar, ajudo o Flávio no reabastecimento tão atabalhoado como cómico, e salto para o volante o mais rápido que consigo. Cintos apertados, banco regulado, atenção ao limite de 60 km/h na box e entro na arena de Adria.
Todos os receios e ansiedade sentidos cá fora desaparecem como que por magia. A concentração está no auge, o prazer é indescritível, o único objectivo é ser o mais rápido possível e ultrapassar tudo o que aparecer pela frente. Suficientemente explícito? O cronómetro dá-me conta que estou a manter um bom ritmo, mas sempre que passo pela meta procuro a placa de informações da minha equipa. Volta após volta e nada.
A pista está mais seca e posso abusar do acelerador, o que resulta em derivas pronunciadas, mas de fácil controlo, graças às reacções transparentes e progressivas do MX-5
Entretanto, surge um despiste de um concorrente e são mostradas as inevitáveis bandeiras amarelas. Não posso ultrapassar, sob pena de ser penalizado. Não surgem bandeiras verdes e não sei se posso voltar ao ataque. Na dúvida deixo-me ficar, mas atrás mim surge um MX-5 alemão com clara intenção de me passar. Tento com dificuldade defender-me, mantendo um andamento lento imposto pelo concorrente que segue à minha frente. Desisto e passo ao ataque novamente, não há bandeiras verdes, mas também não vejo mais nenhuma amarela. Espero não ser penalizado...
Finalmente, a placa informa-me que estamos em segundo lugar e que o terceiro está a 11 segundos. A desilusão dura cerca de 5 segundos, para dar lugar a satisfação de um pódio garantido. Isto se me concentrar a levar o “28” até ao fim e deixar de pensar em disparates...
E assim acontece: os belgas não tinham mais nenhuma paragem para cumprir, alcançam a vitória e o MX-5 português garante o segundo lugar, seguido pela equipa húngara, que nos acompanha no pódio, com direito ao clássico banho de champanhe. Como cantava Lou Reed: just a perfect day.… |
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