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Não é todos os dias que se tem a oportunidade de conviver de perto com um automóvel eleito para transportar diversos chefes de Estado - inclusivamente o português. É este o caso do BMW 760Li, um modelo capaz de satisfazer mesmo as mais difíceis exigências
Por António de Sousa Pereira Fotos Kevin Knight
MAIO 2006 |
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Entre os mais sensíveis ao fenómeno automóvel, quem teve oportunidade de visionar as imagens televisivas referentes à tomada de posse do novo Presidente da República não terá deixado de reparar na nova aquisição, destinada ao transporte da principal individualidade do estado português: o BMW 760Li. Será, pois, fácil de perceber que não é de forma leviana que se parte para um teste de estrada com este modelo...
Ligeiramente retocado em meados do ano passado, o Série 7 da BMW continua a ser um automóvel com uma presença marcante. Em boa parte devido às suas linhas, no mínimo, invulgares, às quais não é possível ficar indiferente. No caso da versão de topo desta família, dois detalhes ajudam a torná-la ainda mais imponente: os 5179 mm de comprimento (mais 140 mm do que a variante "curta") e a sigla V12 colocada junto aos guarda-lamas dianteiros, identificativa do poderio mecânico que está instalado sob o capot.
Qualidade exemplar
Mas, ainda antes de por em marcha o motor, não é despropositado dispensar alguma atenção ao habitáculo. O espaço disponível, como se esperaria num automóvel com estas dimensões, é extremamente amplo, com o destaque, nesta versão de châssis longo, a ir, naturalmente para a generosa habitabilidade traseira, nomeadamente ao nível das pernas, reflexo do incremento 138 mm na distância entre eixos (ao ponto de até existirem aqui apoios reguláveis para os pés, para maior conforto de quem viaja atrás...).
Comuns a qualquer Série 7, a exímia qualidade de construção e materiais, bem como a posição de condução próxima da perfeição, sendo que, no caso do 760Li, pode contar-se ainda com um completo equipamento de série. Mas é sempre possível instalar alguns extras. No caso da unidade ensaiada: revestimento integral em pele (e2000); volante desportivo (e200); jantes com raios em estrela (e1570); sistema eléctrico de abertura/fecho da tampa da mala (e550); tecto de abrir eléctrico (e1370); controlo de iluminação em curva (e680); cruise-control activo (e2140); sintonizador de TV (e1260); e monitor de TV (e2820). Não sabendo se a presidência da república optou, propriamente, pelos mesmos opcionais, apenas podemos adiantar que, com estes, é difícil criticar a qualidade de vida a bordo do 760Li, mesmo em tiradas mais longas...
Motor soberbo
Conduzir o BMW 760Li é uma experiência gratificante. Desde logo pela extrema suavidade e silêncio de funcionamento do motor V12. Ainda com o veículo parado, é fácil, quando não se arranca de imediato, após colocar o motor em marcha, o condutor não dar pela sua presença. Resultado: volta a pressionar-se o botão Start/Stop que comanda a ignição, o que tem como consequência o desligar do dito...
Uma vez em andamento, estes atributos voltam a impor-se. Mesmo quando se leva o V12 de 6,0 litros até perto do seu regime máximo de funcionamento, a sua presença no habitáculo é quase imperceptível. E, apesar de a caixa de velocidades possuir um programa que permite o seu comando manual sequencial através de botões colocados no volante (por sinal, descentrados, o que continua a ser um dos principais pontos a rever no Série 7), o melhor mesmo é optar pelos modos automáticos "Normal" (mais vocacionado para o conforto) ou "Sport" (a resposta ao acelerador é mais rápida e as trocas de mudança efectuadas próximas da red-line), tal a disponibilidade desta unidade motriz.
De facto, apesar das suas mais de duas toneladas de peso, os 445 cv e 600 Nm são suficientes para conferir ao 760Li prestações notáveis, de tal forma que o relevo parece nem interferir na capacidade de resposta do motor: em subidas como em recta ou em descidas, a facilidade com que se ganha velocidade é impressionante. E, se dúvidas houver, atente--se nos valores anunciados: 250 km/h de velocidade máxima (electronicamente limitada) e 0-100 km/h cumpridos em 5,6 segundos. Quantos desportivos não aspirariam a registos deste calibre?...
Dinâmica de excepção
Mas o que mais espanta é mesmo a eficácia em curva deste automóvel com 2105 kg de peso e mais de cinco metros de comprimento. Não que tenha a agilidade de um desportivo, mas nem por isso deixa de espantar a elegância e facilidade com que descreve as trajectórias, mesmo quando sujeito a ritmos pouco condizcentes com a sua vocação natural. E tudo isto se passa sem que o conforto dos ocupantes seja minimanente beliscado, mesmo que a qualidade do piso não seja a melhor.
Aqui chegados, resta mencionar os aspectos menos positivos do 760Li. Com a parte económica à cabeça: preço de venda de 179 600 euros (192 190 euros quando dotado dos extras acima descritos) e um consumo médio que, em utilização real, dificilmente se afasta muito dos 20 l/100 km, o que, podendo não ser preocupação maior para quem tanto est* disposto a pagar por um automóvel, não deixa de causar os seus incovenientes. Quanto mais não seja, em termos de autonomia...
Por fim, para quem aprecia a discrição, também há que ter em conta que a proverbial curiosidade dos portugueses cerceia bastante a privacidade de quem se faz transportar num automóvel deste género. Nomeadamente quando se circula com as cortinas traseira e laterais fechadas: chega a ser caricato observar os esforços dos transeuntes para tentar adivinhar quem estará sentado lá atrás! Vicissitudes... |
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