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XL > AutoMotor > Comparativos > Mazda6 SW 2.0 MZR-CD Sport vs Renault Laguna Break 2.0 dCi Dynamique s vs Ford Mondeo SW 2.0 TDCi Titanium
 
 
 
A entrada em cena da renovada Mazda6 SW justifica o confronto com duas rivais recém-chegadas ao mercado que também pretendem assumir-se como referências da classe das carrinhas familiares. Todas equipadas com motores turbodiesel de 2,0 litros, estas breaks são as três propostas mais recentes de um segmento que parece viver tempos de uma abundância nunca antes vista

Por Nelson Oliveira Fotos Miguel Angelo Silva
MAIO 2008
 
GIVE ME A BREAK
Ficha TécnicaAs nossas mediçõesPontuaçãoA favor/contra
 
Se existe uma altura certa para avaliar a compra de uma carrinha parece ser esta. Coincidência, ou não, a chegada da Primavera trouxe uma renovação profunda a este segmento de mercado, especialmente na classe dos familiares médios.

A mais recente proposta a chegar ao mesmo é a Mazda6, que, graças a um restyling substancial, surge com maior apuramento mecânico e de formas. Para avaliar a evolução da break nipónica não foi difícil encontrar rivais, também elas, recém-lançadas, como as novas gerações da Renault Laguna Break e da Ford Mondeo SW. Mas a enxurrada de novidades não vai ficar por aqui: estão já na rampa de lançamento a nova Citroën C5 Break e a Honda Accord Tourer, a estrear entre nós no Salão de Lisboa.

Para já, concentramos atenções nestas três carrinhas, aqui analisadas nas suas versões equipadas com motores 2.0 turbodiesel, bem adaptados ao nosso mercado: Mazda6 e Ford Mondeo oferecem 140 cv, enquanto que a Laguna vale-se de um propulsor com 150 cv. Por outro lado, a carrinha francesa surge na sua versão de acesso à gama, Dynamique S, enquanto que as suas rivais adoptam a sua expressão máxima de equipamento; Sport no caso da Mazda e Titanium na Mondeo. Resta agora saber qual das três mostra melhores argumentos para se tornar o alvo mais procurado das famílias portuguesas nesta época.


Estética, Construção, Segurança

MAZDA6 SW 2.0 MZR-CD SPORT
A Mazda 6 SW tem um rolar em estrada sólido e estável, mas a firmeza das suspensõestorna-a menos dócil para os passageiros
   
 
   
 
   

   
Embora com abordagens ligeiramente distintas, estas três carrinhas exibem formas bastante atractivas. Por razões óbvias, a Mazda6 é a que manteve um formato mais reconhecível. Mesmo assim, o restyling foi muito certeiro, atribuindo--lhe uma face mais agressiva e aerodinâmica, que descola muito bem do visual mais apagado do modelo original. A traseira também seduz pelos grupos ópticos rasgados, pelas formas robustas do pára-choques e pelo ângulo vincado do óculo traseiro. O resultado final é muito agradável, traduzindo bem a ideia de que a carrinha japonesa não sofreu apenas um pequeno lifting, mas registou uma evolução substancial.

A aparência exterior da Laguna Break também merece elogios, destacando- -se pelo bom equilíbrio de formas e pela elegância de algumas soluções. Além de ser a única que tem, de série, vidros escurecidos e barras de tejadilho acetinadas, a carrinha francesa recorre a várias aplicações cromadas para compor uma imagem mais distinta e sóbria.

Já a carrinha Mondeo aposta num impacto visual mais imediato, valendo--se da sua secção dianteira imponente e da sua traseira de formas robustas. O facto de ser a carrinha de maiores dimensões deste trio também ajuda a acentuar a sua presença em estrada. A Mazda6 SW reclama uma subida dos padrões de qualidade no habitáculo nesta nova evolução. O facto é que os materiais utilizados são consistentes e robustos, embora nem todos sejam tão suaves ao toque como aparentam.

Por exemplo, o revestimento superior do tablier é mais duro na parte do condutor do que do lado do passageiro, onde só aí se sente um toque verdadeiramente esponjoso. A aplicação a imitar madeira em tom escuro que percorre o fundo da consola central é agradável à vista e sólida no toque. A montagem está também num bom patamar, com todos os painéis a mostrar uma ligação isenta de folgas.


RENAULT LAGUNA BREAK 2.0 DCI DYNAMIQUE S
A sensação de bem-estar e o conforto a bordo da Laguna são elevados. Já o seu desempenho dinâmico é menos envolvente
   
 
   
 
   
 
   
A Mondeo é outro bom exemplo de evolução qualitativa no habitáculo. A nossa atenção recai imediatamente no revestimento suave aplicado em todo o tablier e que se estende pelas paredes da consola central. Esta última recorre a um plástico cromado para acentuar o ar hi--tech desta nova geração, mas que, quando é pressionado, revela ser menos consistente do que o plástico cinzento utilizado na carrinha da Mazda. De qualquer forma, este pormenor não parece ser grande fonte de preocupação para ruídos parasitas, sensação reforçada pela boa qualidade de montagem. ---- À primeira vista, a Laguna Break parece estar ao nível, ou mesmo acima, das suas rivais neste domínio, especialmente quando tomamos contacto com o revestimento esponjoso aplicado no topo do tablier, o qual é o mais agradável ao toque de todos. Mas, quando avaliamos a solidez do plástico utilizado na consola central, as dúvidas começam a instalar-se. As suspeitas são confirmadas já em andamento, onde se torna perfeitamente audível o ruído de plásticos a ranger proveniente dessa zona. Esta sinfonia plástica acaba por relegar a carrinha francesa para o último posto nesta categoria.

Se está preocupado em garantir a melhor protecção para a sua família, estas três carrinhas estão todas acima da média, mas a Laguna Break consegue destacar-se. Trata-se da única que oferece, de série, trancamento automático das portas, cintos traseiros com pré-tensores e avisador de colocação e sistema pre-fill, capaz de antecipar uma travagem de emergência, preparando as pastilhas de travão para esse efeito.

A Mondeo SW fica ligeiramente atrás, mas não deixa de oferecer, em exclusivo, airbag para os joelhos do condutor. Já a Mazda6 fica no último lugar, pois embora tenha um recheio muito aceitável, não se pode gabar de ter nenhum dos dispositivos de segurança atrás mencionados.


Conforto, Habitáculo, Equipamento
A postura mais desportiva da Mazda6 SW fazia-nos temer o pior em termos de suavidade de rolamento. O panorama não é tão negro como antecipávamos, mas esta carrinha não deixa de ser a que tem uma suspensão com afinações mais duras e o pisar menos confortável para o nosso corpo.

Apesar de estar longe de ser dramática, esta sensação de dureza acaba por pesar em viagens de maior duração. Por outro lado, os passageiros do banco posterior não poderão reclamar de falta de espaço para as pernas, pois a folga entre os assentos é muito aceitável. Estes dispõem ainda de algumas funcionalidades extra, como o apoio de braços central com dois porta-copos. Quem quiser guardar revistas tem de se contentar com apenas uma bolsa nas costas do banco do passageiro.

Já à frente, os ocupantes usufruem de compartimentos de arrumação mais práticos e funcionais, destacando-se as amplas bolsas laterais, com espaço definido para uma garrafa pequena, e o compartimento central/apoio de braços com bom espaço em profundidade, onde se encontram uma tomada 12 Volt e uma saída Aux.


FORD MONDEO 2.0 TDCI TITANIUM
O desempenho dinâmico da Mondeo é muito equilibrado, revelando-se eficaz em curva, mas sem penalizar em demasia o conforto
   
 
   
 
   
 
   
A mala tem espaço de sobra para comportar as bagagens familiares essenciais e, se necessário, para transportar um objecto mais volumoso, pode sempre recorrer-se a um prático sistema de rebatimento do banco traseiro (60/40), que envolve apenas o accionamento de uma pequena alavanca. O único reparo que se pode fazer à bagageira desta carrinha é o acesso algo elevado, que exige um pouco mais de força de braços. Regressando ao tópico do conforto, a Laguna Break não deixa os créditos dos construtores franceses por mãos alheias. A afinação mais branda das suspensões resulta num rolamento muito suave, que nos faz pensar de imediato em antecipar a próxima viagem ao Algarve com a família.

A estrada aberta é o habitat ideal desta carrinha, pois, além do excelente conforto, também é possível apreciar uma notável tranquilidade a bordo, graças ao bom trabalho efectuado ao nível da insonorização. A excelente luminosidade a bordo atribuída pelo tecto panorâmico, proposto em opção, ajuda a criar um ambiente relaxante, ao qual também não é alheio o design inspirado dos painéis e dos instrumentos.

O bom espaço para as pernas e a presença de diversas funcionalidades destinadas aos passageiros do banco traseiro (incluindo saídas de climatização, apoio de braços com dois porta-copos e pequenas bolsas laterais) também merecem elogios. A bagageira tem um bom acesso e dispõe também de um sistema de rebatimento de bancos por alavanca muito prático de operar. Já a capacidade deste compartimento é ligeiramente inferior ao do das suas rivais, mas sem deixar de ser muito razoável.

A nota mais dissonante do habitáculo da Laguna Break são os escassos espaços de arrumação à frente: a presença da consola do sistema de navegação, outro opcional, fez desaparecer o porta-copos na consola central, deixando apenas as bolsas laterais, ou o compartimento central fechado, que também não é muito generoso, para arrumar os pequenos utensílios de viagem.

Aproveitando as dimensões acrescidas da sua carroçaria, a Mondeo SW é a que oferece maior liberdade de movimentos a bordo, o que se reflecte especialmente nos bancos traseiros. Os seus ocupantes também beneficiam de várias comodidades, das quais se destacam as bolsas laterais com espaço para garrafas pequenas. Talvez isso explique o facto de o apoio de braços central não ter porta-copos.

À frente, os espaços de arrumação são mais acessíveis e práticos de utilizar do que na Laguna, mas equivalem-se aos da Mazda. Já na capacidade da mala a Mondeo dispõe de uma pequena vantagem face à carrinha japonesa na configuração tradicional. Mas não dispõe de um sistema de rebatimento de bancos tão prático de utilizar, sendo que o espaço disponível nesta configuração é ligeiramente inferior ao da Mazda. Por isso, embora a Mondeo tenha potencial para triunfar na análise ao habitáculo e mala, acaba por ficar igualada com a Mazda, pois não tem tantas soluções para explorar a capacidade da mala, área crucial numa carrinha.

Mesmo não sendo tão confortável quanto a sua rival gaulesa, a carrinha da Ford não deixa de proporcionar um rolamento equilibrado, que é suficiente para se distanciar da dureza da Mazda. Na nossa opinião, é a que tem o melhor compromisso entre conforto e dinâmica, mas como só estamos a avaliar, por enquanto, a primeira variável, a vitória da Laguna Break neste parâmetro é inquestionável.


   
Mais claro ainda é o triunfo da Mazda quando analisamos as listas de equipamento de série. Nesta versão Sport são vários os itens exclusivos que a proposta japonesa apresenta face às rivais, bastando mencionar os bancos dianteiros totalmente eléctricos; os estofos em pele; o tecto de abrir; o sistema de som Bose com permutador de seis CD; e os faróis bi-Xénon para justificar a sua vantagem clara neste campo.

Laguna e Mondeo acabam por ficar igualadas, embora tenham algumas discrepâncias. A primeira, no nível de acesso Dynamique S, pode gabar-se dos seus tradicionais gadgets, como o cartão mãos--livres de acesso ao habitáculo e o travão de estacionamento eléctrico, enquanto que a Ford Mondeo, na sua configuração de topo Titanium, responde com os sensores de estacionamento (à frente e atrás) e os bancos com regulação em altura eléctrica.


Posto de condução, Comportamento

   
Ao assumir a sua posição de comando, o condutor encontra em todos estes modelos um leque considerável de regulações, instrumentos fáceis de operar e um bom posicionamento da alavanca de comando da caixa . Mas Mazda e Ford são quase exemplares nesta classe, distinguindo-se pelos poucos ou nulos ajustes necessários para nos sentirmos confortáveis ao volante, o que não acontece na Laguna – a posição algo elevada do banco requer alguma habituação.

Se a posição de condução já marca uma clivagem de Mazda e Ford face à Renault, pela sua orientação mais desportiva, esta acentua-se quando se trata de explorar o potencial dinâmico. Se a carrinha japonesa já gozava de boa reputação, nesta evolução consegue ir um pouco mais longe, tornando menos perceptíveis as oscilações da carroçaria.


   
 
   

A consola central da Mazda6 SW distingue-se pela funcionalidade, enquanto que a da Mondeo SW prima pelo ambiente hi-tech. Já a da Laguna Break é muito agradável à vista e prática de utilizar, especialmente no que respeita aos comandos do ar condiconado, mas a consola do opcional sistema de navegação Carminat rouba espaço de arrumação de pequenos objectos
   
Com uma rigidez estrutural adicional e uma suspensão reforçada, a renovada Mazda6 SW, munida ainda de jantes de 18”, não teme ritmos elevados e consegue desembaraçar-se com à-vontade em curvas acentuadas. A direcção precisa e o volante de dimensões ideais impelem também o condutor a ir por caminhos mais sinuosos. A caixa manual é precisa, mas é algo lenta por forçar o condutor a engrenar as mudanças com determinação.

A Mondeo SW pode não estar tão preparada para suportar estes “trabalhos forçados”, dispondo de uma suspensão menos afirmativa e de jantes de 17” (para mais, opcionais), mas isso não é sinónimo de uma condução menos envolvente. Dispondo, também, de um volante de dimensões e espessura muito acertadas, a carrinha da Ford parece ter uma direcção mais leve, mas isso não a impede de oferecer uma boa reactividade e precisão em curva.

Ficamos mesmo com a sensação de que a carrinha da Ford está muito próxima de atingir o potencial dinâmico da sua rival em ritmos mais exigentes, e com os apetrechos certos poderia mesmo superá-la. Além disso, consegue ser mais agradável de conduzir quando se opta por um estilo mais pausado, dispondo de uma caixa manual mais suave e agradável de manusear.

Mais longe deste duo dinâmico ficou a Laguna, claramente orientada para a auto-estrada. Tal não significa que a carrinha francesa seja completamente inapta para abordar traçados mais sinuosos, onde revela um desempenho previsível e fácil de gerir, mas também não deixa de ser a que maiores dificuldades evidencia em lidar com situações mais exigentes.

Aqui, as oscilações e trepidações que se fazem sentir denunciam uma opção menos “desportiva” na afinação do châssis, embora também não é justo penalizar em demasia uma proposta familiar por não ser tão envolvente em trajectórias mais “apertadas”. Não poderíamos concluir esta apreciação da Laguna sem tecer elogios à sua caixa manual, que revela uma suavidade impressionante: não só é a mais agradável de manusear das três, como nos arriscamos a afirmar que passou a ser a referência da classe.


Performances e Consumos

   
 
   

   
Quando se trata de apurar qual o motor mais enérgico, os papéis invertem--se. Recorrendo a uma unidade um pouco mais potente, a Laguna destaca-se de Mazda6 SW e Ford Mondeo SW na resposta às solicitações do acelerador.

Os valores medidos evidenciam a sua superioridade nas acelerações, e mesmo nas reprises só perde alguns décimos de segundo para a Mondeo nos 60-100 km/h. Deixando de lado a frieza dos números, e baseando-nos na experiência em estrada, é notório que o motor 2.0 dCi de 150 cv, além de entregar a potência de modo suave e progressivo, é mais elástico e oferece uma resposta mais pronta do que os 2.0 de 140 cv que animam as suas rivais de ocasião.

Mazda e Ford recorrem ambas a blocos com energia suficiente para garantir um ritmo de condução agradável, mas falta-lhes um fôlego extra para corresponder ao elevado potencial dinâmico de ambas. Não que estejamos perante propulsores demasiado “curtos” para estas carrinhas, mas estes acabam por não disfarçar algum esforço ao cumprir as suas tarefas mais duras, o qual, na a Renault, se sente bastante menos.

Os consumos estão dentro do esperado: se a Mazda6 tem a melhor média, a proximidade entre as três não justi- fica qualquer distinção entre elas neste capítulo essencial para o orçamento familiar.


Conclusão
Após uma luta renhida com a Mondeo SW, a mais recente evolução da Mazda6 SW acaba por conquistar o triunfo neste comparativo, valendo-se de uma excelente relação preço/equipamento. Como é óbvio, os seus atributos não se ficam por aqui, mas este foi o ponto essencial para se superiorizar à proposta da Ford, que também se pauta por um excelente equilíbrio em todas as áreas, com excepção do equipamento, onde era de esperar um conteúdo mais extenso para uma versão topo de gama.

Ficando para trás nas vertentes mais dinâmicas, a Laguna Break é também penalizada pelo seu preço, o mais elevado de todos, o que não deixa de ser estranho, especialmente se tivermos em conta que se trata da versão de acesso à gama. De qualquer forma, é uma proposta aliciante para quem privilegia o conforto acima de tudo.


 
 
 
 
 

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