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XL > AutoMotor > Ensaio > Mitsubishi iMiEV
 
 
 
Durante dois dias a rotina foi silenciosa. O Mitsubishi iMiEV tornou-se mais um acessório indispensável na garagem, que pode ser ligado a uma tomada comum em qualquer momento. O futuro é hoje

Por Luis Guilherme Fotos Miguel Ângelo Silva
ABRIL 2009
 
Rotina eléctrica
Ficha TécnicaAs nossas mediçõesA favor/contra
 
Já imaginou o seu dia-a-dia com um veículo eléctrico que pode ser carregado como um telemóvel ou um computador portátil? Foi essa a nossa realidade durante os dois dias em que estivemos na posse de um Mitsubishi iMiEV, um protótipo que a marca japonesa vai começar a comercializar já em 2010.

A forma definitiva ainda não é conhecida, mas, segundo os responsáveis da marca, não deverá andar longe da filosofia de um citadino como este. Ou seja, um modelo com cinco lugares e com algum espaço na mala.

O iMiEV anuncia uma autonomia próxima dos 100 km, com a marca a assumir a vocação urbana deste modelo, pensado apenas para o percurso casa-trabalho-casa, a somar a uma deslocação pequena na hora de almoço. Soa-lhe familiar? É praticamente aquilo que todos os automobilistas fazem diariamente nas grandes cidades… Então e escapadas para longe ao fim-de- -semana? É um prazer legítimo, mas que não vem no menu do iMiEV.

O som do silêncio

   
O que este citadino oferece são deslocações em silêncio que, só por si, já valem a experiência de o conduzir. Para sermos rigorosos, os únicos ruídos audíveis são os de rolamento e os aerodinâmicos. Há ainda uma espécie de assobio eléctrico que dá a sensação aos peões de estarem a cruzar-se com um veículo do filme Star Wars. Pela nossa experiência ficámos a perceber que é necessária atenção redobrada aos peões que decidem atravessar a estrada, já que, a baixa velocidade, o iMiEV é mais discreto do que um gato a caminhar.

A aceleração é uma surpresa, sobretudo face à ausência de som. Assim que se aperta o pedal, arrancamos com aquela cara de filme cómico de Domingo à tarde. A configuração do iMiEV também a ajuda a compor a cena, tendo em conta a largura face à altura e o facto de esta unidade ser bicolor, com várias inscrições que denunciam a sua identidade.


   
Este protótipo está avaliado em cerca de 400 000 euros, o que dá a sensação engraçada de se estar a conduzir um citadino mais caro que um Ferrari. Além disso, esta unidade vinha equipada com volante para um particular povo europeu, que se habitou a conduzir no lugar (para a maior parte de nós) do passageiro. O efeito novidade de conduzir um citadino 100% eléctrico foi assim aumentado por este quid pro quo, o que teve consequências, sendo a mais frequente accionar o limpa pára-brisas quando a intenção era apenas acender o “pisca”...

No iMiEV basta rodar o switch da ignição, esperar a luz verde READY, colocar a alavanca em D e acelerar. As baterias de iões de Lítio de 330 V (um total de 88 células agrupadas em 22 módulos) dão ordem ao motor síncrono de magneto permanente para empurrar o pequeno Mitsubishi para os 100 km/h em 15,0 segundos e para uma velocidade máxima restringida a 130 km/h, marca que atinge sem problemas. A colocação das baterias sob o piso contribuiu para baixar o centro de gravidade, o que é salutar, tendo em conta que estas contribuem com 200 kg para os 1080 kg de peso final deste modelo.


   

   
O comportamento não deixa de surpreender para um automóvel com escassa largura de vias e 1,60 metros de altura. O iMiEV é ágil, a direcção é directa e bem assistida, o que dá confiança nas mudanças de direcção mais bruscas. A carroçaria não adorna por aí além e, mesmo à velocidade máxima, a estabilidade é muito boa.

No painel de instrumentos há um mostrador que envolve o velocímetro digital, com um ponteiro que faz de barómetro da nossa condução. Faixa azul significa que estamos em modo de regeneração de energia (desaceleração ou travagem); faixa verde é o modo económico de utilização; e, do meio para frente (faixa branca), entra-se na zona Power, onde se beneficia dos 64 cv, transmitidos às rodas traseiras de forma simples por uma relação fixa com inversor. Em zonas planas consegue-se rodar a 100 km/h com o ponteiro na marca verde, com o veículo a reagir prontamente quando se pisa o acelerador a fundo.

Questão de autonomia

   

   
Apesar dos números anunciados, o primeiro dia do nosso teste acabou após 54 km, mas o nível de carga ainda apresentava três traços, o que significa que faria aproximadamente mais 20 km até se acender a luz da tartaruga. Um símbolo original que avisa que a partir desse momento a potência desce para 25 cv, a velocidade fica limitada a 50 km/h e a autonomia a cerca de 5 km.

No dia 2 fizemos um pouco mais, mas ligámos o iMiEV à corrente (quase duas horas) quando fomos almoçar a casa. Qual telemóvel... Isto significa que, até esgotar a carga toda, poderíamos ter feito mais de 100 km. Para carregar as baterias na totalidade são necessárias 6 horas ligado à corrente, o que pode ser feito durante a noite. Além do vulgar D, o selector oferece ainda um modo Eco, que reduz a potência a 25 cv, e um B, destinado a favorecer o efeito travão motor para declives mais acentuados.

Durante este ensaio, experimentámos carregar o iMiEV num dos postos de abastecimento da EDP específicos para o efeito, mas, para nossa surpresa, as tomadas estavam trancadas com cadeado. Um pequeno autocolante esclarecia que estes pontos foram criados no âmbito da Semana Europeia da Mobilidade 2008, mas que a sua utilização está restrita a veículos da Polícia Municipal de Lisboa. Contactámos a EDP e foi-nos dito que os referidos postos estão em fase experimental e que para já não há informação de quando serão abertos ao público. Tendo em conta que este modelo ainda é protótipo, não há preços definidos, apesar de se saber que o custo das baterias constitui a parte mais onerosa deste veículo, o que faz com que os benefícios governamentais tenham um papel decisivo no valor final.

Ficamos à espera da vontade do nosso primeiro-ministro, se até lá ainda estiver no activo...
 
 
 
 
 

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