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Só um grupo restrito da sociedade poderá aspirar a adquirir o novo BMW Série 6 Cabriolet, um descapotável encantador, com charme, uma dinâmica a condizer e que oferece muita qualidade de vida
Texto Nelson Oliveira Fotografia Miguel Ângelo Silva
MAIO 2011 |
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Desta a vez a BMW decidiu iniciar o lançamento do novo Série 6 com a versão Cabriolet. Para nós foi perfeito, pela coincidência deste ensaio com o arranque da Primavera, com verdadeiros dias de sol, o que já fazia falta aos portugueses, obrigados levar com dias cinzentos, em todos sentidos…
O primeiro contacto visual com o Cabrio da nova Série 6 provoca admiração e obriga a determo-nos por alguns momentos para apreciar o estilo idealizado por Adrian van Hooydonk, responsável de design da BMW.
A agressividade da dianteira, com a forma do capot em V, combina na perfeição com a traseira estilizada e de aspecto desportivo, sem descurar a elegância. Aberto ou fechado, este BMW convida o olhar a percorrer cada centímetro da carroçaria, com um grande equilíbrio nas proporções, tendo em conta que cresceu cerca de 7,5 cm, em comprimento e distância entre eixos, face ao modelo anterior.
Neste momento só há duas versões disponíveis, 640i e 650i, e foi a primeira a ser alvo da nossa atenção nesta edição. Apesar da designação, este Série 6 aloja sob o capot um motor de 3,0 litros e seis cilindros linha, que combina um turbo twin scroll, a injecção directa de gasolina e um sistema de comando variável das válvulas Valvetronic. A potência chega aos 320 cv e o binário de 450 Nm mantém-se constante na faixa 1300-4500 rpm.
SUAVES SEIS CILINDROS
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| Todas as horas são bem passadas neste habitáculo… O ecrã mais parece um plasma |
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Mais do que ser um velocista puro e duro, este motor prima pela suavidade e baixo ruído, apesar das (muito) boas prestações que permite ao 640i Cabriolet alcançar. Se é um facto que este Série 6 não é um desportivo com a raça de 911 Carrera Cabriolet, oferece um comportamento muito eficaz aliado a um nível de conforto muito superior ao do Porsche, não só pela afinação da suspensão, mas também pelo funcionamento adequado da caixa automática de oito velocidades.
640i Cabrio foi feito para desfrutar da paisagem, dos cheiros e da brisa na cara, ainda que, com o pára-vento montado e todos os vidros subidos, quase não se sinta vento no habitáculo. A capota é totalmente eléctrica e pode ser accionada em andamento até 40 km/h, o que é uma grande comodidade.
Todo o interior exibe um elevado grau de requinte, com revestimentos em pele e bons acabamentos. A única crítica vai para espaço limitado nos lugares traseiros, o que reforça a convicção de que o Série 6 é para ser gozado a dois e os lugares extra só existem para situações excepcionais. Como diria a sabedoria popular, não é defeito, é feitio. Os bancos até são bons, mas as pernas têm tolerância zero de movimentos.
ADAPTIVE DRIVE
Os ajustes do temperamento do 640i Cabriolet são quase infinitos. Equipado com o opcional Adaptive Drive, que inclui as barras estabilizadoras activas e o controlo dinâmico do amortecimento, podemos escolher entre os modos Confort, Normal, Sport e Sport+ apenas com um toque num botão.
Mas as alterações não se ficam pelo acerto mais brando ou mais firme da suspensão: as leis do mapa da direcção e a resposta do acelerador e da caixa também entram na equação quando se alterna entre cada modo. E a inteligência do sistema é de tal ordem que consegue perceber a intenção de uma configuração desportiva e adaptá-la, por exemplo, a uma estrada mais irregular, graças ao controlo electrónico individual do que se passa em cada roda. Outro pormenor interessante surge na direcção (EPS), que adopta um feeling mais desportivo quando o programa Sport é seleccionado, ou quando o controlo de estabilidade (DSC) é desactivado. A BMW parece ler a mente do condutor entusiasta…
Se a tudo isto ainda adicionarmos a Direcção Activa Integral, opção também incluída no nosso 640i Cabrio, temos um descapotável de quatro rodas direccionais, com as traseiras a poderem mover-se 2,5°. Um ângulo que só acontece em situações excepcionais, por exemplo, em manobras de estacionamento, já que, a velocidades mais elevadas, o grau é mais contido. Em condução rápida, acima dos 60 km/h, o facto de as rodas traseiras rodarem na mesma direcção do volante garante uma agilidade invejável para um descapotável com praticamente 4,90 metros.
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| Apesar da designação poder sugerir algo diferente, sob o capot do 640i Cabriolet está um 6 cilindros de 3,0 litros |


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A facilidade com que se ataca uma estrada sinuosa e o prazer que dá fazê-lo, mesmo sem ter de se chegar ao limite, torna a convivência com este Série 6 um caso sério de dependência… Mesmo sem o DSC activo, o eixo traseiro não descola do chão em potência, a não ser que seja muito provocado. O châssis tem uma postura firme, consistente e, ao mesmo tempo, confortável.
Quase parece um paradoxo, mas é exactamente o que acontece, até em modo Sport. Quando a trajectória de uma curva fecha mais do que o esperado, a velocidade já vai alta e é necessário forçar a direcção, a obediência impressiona e os pneus soltam pouco mais do que um chiar tímido.
Pelas características do motor e da caixa, o 640i pede uma travagem mais cedo, ao invés de um ataque feroz à curva, daquelas em que cada centésimo conta, mesmo que o eixo dianteiro aguente bem. Por outro lado, compensa esta benesse do condutor com uma grande liberdade na velocidade de saída… e sempre com um grau de conforto elevado!
A caixa de oito velocidades lê com facilidade o comportamento do pé direito e adapta-se com grande rapidez às alterações de humor do mesmo, o que, aliado à boa potência de travagem (sempre são 1840 kg, mais alguns da crescente barriga deste condutor), resulta numa postura dinâmica característica de um BMW. Mesmo tendo em conta a menor rigidez estrutural face ao Coupé que chegará este ano, o Série 6 Cabriolet tem um apelo muito especial e, depois de conduzido durante alguns dias, parece ter ainda mais…
QUALIDADE INTERIOR
Os bancos parecem alinhar pela mesma bitola: seguram bem o corpo e não deixam de ser envolventes e cómodos, apesar de estes desportivos serem opcionais. Sabe bem conduzir este cabrio: a posição de condução é óptima; o volante tem a dimensão certa e a espessura ideal; os comandos são ergonómicos e intuitivos; o painel tem uma apresentação moderna, mas fiel à tradição da marca, em termos de grafismo como de iluminação. Para não falar do tamanho do “plasma” na consola…
Mas há um senão. Pelo menos no nosso caso, o cotovelo colidia com facilidade com o botão que abre uma das portas do compartimento sob o apoio de braços. E não foi só uma vez. Nem duas. Nem três…
Este contratempo e o espaço limitado atrás são as únicas críticas a este cabrio, além, claro, do preço dos extras. O nível de equipamento opcional incluído nesta unidade leva o preço para os 128 708 euros. E é difícil resistir à lista! |
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