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O ícone dos desportivos compactos está de volta. Mais eficaz e apelativo do que nunca. Ainda por cima, vestido de preto. Deve ao motor 2.0 TSI de 210 cv, à suspensão rebaixada, aos pneus largos e aos travões potentes parte da sua competência. A outra parte é garantida pela caixa DSG, pelo Dynamic Chassis Control e pelo sistema XDS. Mais não se pode pedir...
Por Bruno Castanheira Fotos Miguel Ângelo Silva
JUNHO 2009 |
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Para quê mentir? Não vejo a necessidade. Até porque por dizer a verdade não cai o Carmo e a Trindade. Por isso, aqui vai, doa a quem doer: o novo Golf GTI está longe de ser dos automóveis mais performantes e inebriantes da actualidade, mas, para mim, é dos mais eficazes e apelativos desportivos de tracção dianteira que já conduzi. Tira-me o sono, tira-me do sério e, sobretudo, faz-me bem ao ego. Muito bem mesmo.
E, como quem diz a verdade não merece castigo, continuo, em jeito de confissão: durante quatro dias não me comportei muito bem. Mas atenção: não pus em causa a integridade física dos demais utentes da via pública. Estes foram até totalmente coniventes, pois, para espanto meu, deixaram-me ver o inimigo e deixaram-me ser o animal.
Afinal, o caso não era para menos: diante dos seus olhos passava um dos maiores ícones da indústria automóvel. Desde 1976 que a VW apaixona legiões de fãs com as versões GTI do Golf. São já seis as gerações...
ESPALHA-BRASAS
Não é dos GTI mais elegantes que a VW já produziu, mas o encanto visual, esse, é grande. A diferença para as versões normais é visível a centenas de metros: pára-choques desportivo; grelha escura com duas riscas vermelhas; jantes “Detroit” de 18” com cinco enormes buracos e inserções em preto “Piano”; pinças de travagem vermelhas; dois escapes; deflector no topo do óculo posterior; difusor de ar traseiro; sigla GTI na grelha e na tampa da mala.
A carroçaria está pintada de preto, mas podia ser branca ou vermelha. Como podia ter, também, cinco portas. Nada se alteraria. Nem mesmo com opcionais vidros escurecidos.
Após uma breve observação, quer ao volume da mala, quer ao espaço disponível no banco traseiro (confesso que nada disto me interessa neste desportivo, embora cumpra perfeitamente os requisitos de uma utilização familiar), instalo-me no melhor lugar do mundo: atrás do volante.
O ambiente interior, sóbrio e nada exuberante, é muito semelhante ao do GTI da anterior geração. Mas agrada-me: opcionais bancos desportivos em pele, pedais e apoio para o pé esquerdo em alumínio; inserções “Black Stripe”; acabamentos brilhantes; mostradores com fundo escuro e grafismo branco; costuras vermelhas no volante, na alavanca da caixa e no travão de mão; volante de três braços, com base plana, em pele lisa/perfurada; tecto e pilares forrados a preto.
A qualidade de construção elevada, o equipamento extenso e o posto de condução óptimo demonstram que a VW sabe bem o que faz. Até porque,todos sabemos que o grau de exigência num desportivo é outro. Sem mais demoras, acordo o motor e começo por deliciar-me com a sua sonoridade...
CÓDIGO ESPECÍFICO
Motor 2.0 TSI de 210 cv. Caixa DSG de seis velocidades. Suspensão rebaixada (22 mm na frente; 15 mm na traseira). Pneus Bridgestone Potenza RE050A, de medida 225/40R18. Travões potentes. Controlo de estabilidade (desligável apenas a parte da tracção). Dynamic Chassis Control (controlo electrónico do amortecimento, que dispõe dos modos Normal, Comfort e Sport). Sistema XDS (bloqueio electrónico do diferencial, que trava a roda interior da curva quando esta perde motricidade, enviando, neste caso, o binário para a roda exterior, garantindo-lhe melhor tracção). Direcção, de assistência variável, precisa.
Com este elenco técnico à minha disposição, estavam à espera que explorasse as aptidões do novo Golf GTI obedecendo a um Código da Estrada que parece ter sido feito há décadas, ao volante de um ciclomotor? A resposta parece-me óbvia...
Este desportivo tem, por isso, um código específico. Tudo depende do atrevimento do condutor e da inspiração do momento. Nas entradas e saídas das auto-estradas passei várias vezes a
mais do dobro da velocidade afixada. Bastou apontar a frente, operar as patilhas situadas no volante e deixar o châssis do Golf GTI fazer o resto. A motricidade é superior e a estabilidade é óptima.
Os travões são muito bons. Os mais de 1300 kg de peso deslocam-se a um ritmo que me vicia. Desafio, por isso, os limites. Mais os meus do que os do automóvel. Quanto mais conduzo, mais quero conduzir. É tudo tão fácil e tão eficaz_ que chego a pensar que nasci para isto. Mas já sei que, assim, estou a meio caminho andado de fazer asneira se as coisas não correrem conforme o previsto. Por isso, abrando o ritmo e concentro-me, agora, no conforto razoável que este desportivo me oferece.
Depois das curvas encadeadas e das velocidades elevadas, estaciono e dirijo-me para casa. Antes de abrir a porta, ouço os estalidos provenientes dos escapes e olho, uma vez mais, para o novo Golf GTI. Não sei se conseguirei adormecer facilmente; mas, pelo menos, tentarei. Quem sabe se não sairei a meio da noite com a chave deste VW no bolso? |
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