O enorme êxito
que se tem revelado o novo Mini leva a que a sua
gama não pare de crescer. Primeiro, foi-se
alargando o leque de motorizações
disponíveis; agora, a BMW decidiu lançar
a versão descapotável, com o intuito
de cativar ainda mais novos clientes para as suas
fileiras.
O que primeiro impressiona no Mini Cabrio é
o seu enorme apelo visual. Com a capota colocada
e, sobretudo, com esta recolhida, desprovido que
está de pilares B, as suas linhas revivalistas
ganham um novo encanto, sendo (muito) difícil
resistir-lhes. Mesmo que algumas soluções
pudessem, em nossa opinião, ter ficado melhor
– como é o caso da “armadura”
plástica que reveste os pequenos arcos de
protecção colocados atrás dos
encostos de cabeça traseiros, onde estão
instalados os enroladores dos cintos; ou da forma
como a capota é arrumada atrás dos
bancos posteriores.
Ainda assim, estes pormenores são sublimados
pela excelente aparência do Mini Cabrio, que
recebeu uma frente redesenhada na qual marcam presença
o novo pára-choques, as novas ópticas
(que garantem uma iluminação 25% superior,
e já podem montar lâmpadas de Xénon
em opção), os faróis de nevoeiro
integrados no pára-choques e a grelha revista.
Na traseira, refiram-se os novos farolins (que integram
a luz de marcha-atrás), o farol de nevoeiro
montado na parte inferior do pára-choques,
entre duas barras cromadas, e a terceira luz de
Stop accionada por LED e montada no rebordo superior
da carroçaria. Quanto às jantes, de
série são de 15”, sendo propostas,
como opção, jantes de 16” e
17”, neste caso revestidas por pneus run-flat
de série.
Solução
de vanguarda
A capota é um dos principais elementos distintivos
do novo Mini Cabrio, merecendo ser enaltecida por
algumas soluções a que recorre. Como
ser totalmente automática e operada através
de um mecanismo electrohidráulico, bastando
pressionar um botão e aguardar 15 segundos
para que esta seja integralmente recolhida ou colocada.
Não menos importante, a sua secção
dianteira funciona como um tecto de abrir independente
com 40 cm de comprimento, que pode ser operado em
andamento até aos 120 km/h e permite desfrutar
da condução a céu aberto sem
ter de se remover a totalidade da capota.
Por dispor de um mecanismo de remoção
em “Z”, quando recolhida, a capota dobra-se
em três partes e fica alojada atrás
dos bancos posteriores, sem prejudicar demasiado
a capacidade da mala, a habitabilidade traseira
ou a visibilidade – pode não ser muito
bonito, mas é prático. Por outro lado,
para facilitar o acesso à mala, não
só a respectiva tampa (dotada de um fecho
eléctrico) abre ao contrário (de cima
para baixo, podendo funcionar como plataforma de
carga, por estar apta a suportar cargas até
um máximo de 80 kg, fazendo as respectivas
dobradiças lembrar o Mini original), como
a parte posterior da capota, quando esta está
montada, pode ser levantada manualmente 35º.
Quanto à capacidade da bagageira, oscila
entre os 120 litros (com a capota recolhida) e os
650 litros (com o banco traseiro rebatido), oferecendo
165 litros com a capota montada e o banco traseiro
na sua posição normal (160 litros
no Mini de tejadilho rígido). Por fim, refira-se
que o óculo traseiro é em vidro e
dispõe de desembaciador, que as janelas traseiras
abrem e contam com comando eléctrico, e que
existem três cores disponíveis para
a capota – verde, azul e preto – e nada
menos do que dez para a carroçaria, sendo
duas delas exclusivas desta versão (Hot Orange
e Cool Blue).
Interior à
medida
Com a chegada do Cabrio, o interior do Mini ganha
novas possibilidades de personalização,
podendo os respectivos revestimentos adoptar uma
de três cores – bege, azul ou preta.
Além da disponibilização de
opcionais como sistema de navegação,
volante multifunções ou TV de formato
16:9, são propostos elementos como o Cockpit
Chrono Package, que confere ao habitáculo
um look mais desportivo, abandonando o velocímetro
a posição central para passar a estar
colocado sobre o volante, ao lado do conta-rotações,
sendo o seu lugar ocupado pelo indicador do nível
de combustível e pelos manómetros
da temperatura do óleo e líquido de
refrigeração e de pressão do
óleo. Outra opção é
o Chrome Line, que reforça a presença
dos cromados no interior e que também está
disponível para a carroçaria, surgindo
aqui os cromados em maior número nos pára-choques,
na grelha dianteira, nas caixas dos espelhos retrovisores,
na tampa da mala e nos roll-bars.
A segurança passiva é garantida pelos
cintos com três pontos de fixação
nos quatro lugares disponíveis (dotados de
pré-tensores e limitadores de esforço
na frente), pelos airbags dianteiros adaptativos
e pelos airbags laterais destinados a proteger a
cabeça e o tórax. No que diz respeito
à segurança activa, todas as versões
do novo Mini Cabrio montam, de série, ABS,
EBD e CBC (controlo electrónico de travagem
em curva), fazendo parte da lista de opcionais o
controlo de tracção ASC+T e o controlo
electrónico de estabilidade DSC (ambos desligáveis).
Quanto a espaço, nada de novo. Como não
é substancialmente diferente do oferecido
pela versão “fechada”, tal significa
que continua a ser exíguo na traseira, não
permitindo aí transportar senão crianças
ou adultos de estatura não muito elevada,
por curtos períodos de tempo.
Condução
agradável
Fundamental, num descapotável, é também
verificar como se comporta uma estrutura que, originalmente,
foi concebida para funcionar com uma capota fixa
em chapa. E, neste domínio, o Mini Cabrio
é uma agradável surpresa.
Se é um facto que os diversos reforços
efectuados obrigaram a um aumento do peso da ordem
dos 125 kg face ao da versão fechada, é
igualmente forçoso reconhecer não
só que a rigidez estrutural é, pelo
menos, tão boa quanto a desta (mesmo nos
pisos mais degradados e nas solicitações
mais exigentes), como a protecção
aerodinâmica é muito boa, não
sendo difícil manter uma conversa a bordo
até velocidades da ordem dos 160 km/h –
atributo de que muitos cabrios de outro gabarito
(e preço!...) não se poderão
gabar.
O comportamento dinâmico continua a ser outro
dos grandes trunfos deste modelo, concorrendo para
tal factores como a direcção bastante
directa e precisa, a correcta distribuição
do peso (60% sobre a frente, 40% sobre a traseira)
ou as sofisticadas e eficientes suspensões.
Ainda assim, mesmo na versão Cooper de 115
cv (que perde para o Cooper “normal”
5 km/h na velocidade máxima, 0,6 segundos
nos 0-100 km/h e consome, em média, mais
0,5 litros por cada cem quilómetros percorridos),
o motor pareceu-nos algo “justo” para
se poder tirar partido de todo o potencial do châssis,
exibindo uma resposta algo lenta às solicitações
do acelerador e revelando alguma “preguiça”
em subir de regime.
Situação que não é totalmente
explicada pelo aumento de peso e que será
ainda mais notória na versão One de
90 cv, pelo que os condutores mais exigentes terão
no Cooper S (que em breve chegará ao mercado
com 170 cv de potência, a mesma que, a partir
de então, será oferecida também
pelo Cooper S “fechado”) a sua opção
ideal. Assim o seu orçamento o permita...
Encantador, muito eficaz dinamicamente e detentor
de um nível de qualidade geral invejável
para um automóvel desta categoria, o novo
Mini Cabrio será proposto, como referido,
nas versões One, Cooper e Cooper S, estando
a sua chegada ao mercado nacional agendada para
Setembro (a partir do início de 2004 estará
ainda disponível, como opção,
a caixa automática Setptronic de seis velocidades
e comando manual sequencial).
Os preços ainda não estão definidos,
mas vale a pena atentar que, na Alemanha, o Cabrio
custará mais 3600 euros* do que as versões
“normais” equivalentes, diferencial
que não deverá ser muito diferente
no nosso país. |