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| XL > AutoMotor > Comparativos > FORD KUGA 2.0 TDCi TITANIUM AWD vs VW TIGUAN 2.0 TDI TRACK vs MITSUBISHI OUTLANDER 2.0 DI-D INTENSE+ |
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É oficial: os SUV consistem na nova ordem mundial. A Ford foi o último construtor, na Europa, a aderir a esta moda, com o Kuga. Na sua primeira prova de fogo, a versão que se prevê ser a mais vendida, a 2.0 TDCi Titanium AWD, desafiou os VW Tiguan 2.0 TDI e Mitsubishi Outlander 2.0 DI-D
Por Bruno Castanheira Fotos Miguel Ângelo Silva
JULHO 2008 |
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Depois do VW Tiguan, eis o Ford Kuga. A oferta SUV não pára de crescer. À venda no nosso país desde o passado dia 21 de Maio, o Kuga, concebido a partir da plataforma dos Focus e C-Max, consiste no primeiro SUV da Ford na Europa.
Segundo a marca norte-americana, foi criado para conferir uma visão diferente aos normais conceitos da vida quotidiana. Estratégias de marketing à parte, a verdade é que este novo SUV aposta no estilo e na polivalência de utilização para conquistar o coração de uma clientela mais preocupada com a imagem do que com a condução fora de estrada. Disponível em Portugal em três versões, a 2.0 TDCi Titanium AWD prevê--se que seja a mais vendida. Para avaliar aquilo que ela vale, nada melhor do que compará-la com dois rivais de peso: VW Tiguan 2.0 TDI Track e Mitsubishi Outlander 2.0 DI-D Intense+.
Estética, construção, segurança
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FORD KUGA 2.0 TDCI TITANIUM
Tal como no exterior, o design evoluído e muito cativante é um dos trunfos do interior do novo Ford Kuga. O equipamento de série é correcto |
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É o mais recente exemplo do kinetic design que a Ford tanto idolatra. E é, sem dúvida, um dos SUV compactos mais atraentes do mercado. Referimo--nos, naturalmente, ao Kuga, que se destaca visualmente dos oponentes Tiguan e Outlander.
É o melhor elaborado do ponto de vista estilístico e o que mais atenção desperta. Tal deve-se à imponente frente (dominada por um grelha escura e por uma volumosa entrada de ar), ao perfil musculado e à traseira arrojada. São tantos os detalhes agradáveis que enumeramos apenas alguns: jantes de 17”; barras no tejadilho prateadas; cavas das rodas pronunciadas; “piscas” nos retrovisores; “guelras” laterais; deflector no topo do óculo posterior; duas saídas de escape.
Um ponto atrás do Kuga surge o Tiguan. Não é inovador, visto não trazer nada de novo no plano estilístico, mas é apelativo. Embora não tanto quanto o Kuga. Seja como for, a embalagem atraente é conseguida, também, à custa das jantes “Boston” de 17”, da silhueta robusta e dos volumosos grupos ópticos. A versão Track distingue-se das restantes da gama pelo pára-choques dianteiro mais subido (que deixa à vista a protecção metálica na zona inferior), pelas barras pretas no tejadilho e pela ausência de molduras dos vidros cromadas.
O que menos pontos conquistou no subjectivo capítulo estético foi o Outlander. Não que seja uma desilusão a este nível, muito longe disso, mas por ser mais “desajeitado” e por estar já muito visto. No entanto, a frente é mais atraente do que a traseira. Quer as jantes de 18”, quer as barras prateadas no tejadilho, resultam bem. Convém referir que as inserções prateadas no exterior (puxadores e frisos das portas) pertencem ao nível Instyle+, não considerado para este comparativo.
Exibindo materiais mais agradáveis à vista e ao tacto, montagens superiores e acabamentos mais cuidados (embora o Kuga disponha de ruídos aerodinâmicos resultantes da intromissão de ar nas borrachas do pára-brisas e das janelas), os mais convincentes no que à construção diz respeito são Ford e VW. Os plásticos apresentam uma qualidade superior aos existentes no seu rival da Mitsubishi, as portas emitem um som mais abafado quando são fechadas e os ruídos parasitas estão presentes em número mais reduzido.
O Outlander é menos apurado do que Kuga e Tiguan em termos de qualidade. Ainda assim, o resultado final a este nível acaba por aceitar-se.
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VW TIGUAN 2.0 TDI TRACK
O habitáculo do Tiguan exibe evidentes parecenças com outros modelos da VW, mas não deixa, por isso, de ser atraente, e a qualidade geral é elevada |
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No domínio da segurança, o primeiro lugar pertence a Tiguan e Outlander. Os dois dispõem precisamente dos mesmos itens, sendo, por isso, os mais expressivos nesta área. O Kuga posiciona-se em último nesta matéria devido à ausência de dois itens que estão presentes nos seus adversários: trancamento automático de portas e airbag do passageiro desligável. À parte estes detalhes, os três dispõem de seis airbags; fixações Isofix; cintos dianteiros com pré-tensores e limitadores de esforço; avisadores da não colocação dos cintos dianteiros; ABS com EBD+BAS; e ESP.
Conforto, habitáculo, equipamento
Se existe área onde os Kuga e Tiguan não conseguem vencer o Outlander é na do conforto. Mesmo equipado com jantes de 18”, o modelo nipónico é o mais convincente neste domínio. A suspensão é a que melhor filtra os desníveis de terreno e os bancos são os mais macios. As vibrações estão, também, presentes em número inferior. M
enos agradáveis são Ford e VW. As suspensões mais firmes e os bancos mais duros de ambos confirmam-no. À mínima irregularidade do piso, as oscilações incómodas e as vibrações na coluna de direcção sentem-se logo. O corpo é que paga...
Na análise ao habitáculo e mala, também não existem dúvidas: o melhor é o representante japonês. Para além de ser o único que propõe sete lugares, é ainda aquele que dispõe do espaço interior mais amplo. Quanto à mala, cujo volume pode ser ajustado em função do número de lugares que se pretenda utilizar, cumpre na perfeição os requisitos de uma utilização familiar. A versatilidade está, por isso, em alta, tal como os locais destinados à arrumação de objectos.
Um ponto atrás do Outlander surgem Kuga e Tiguan. Ambos dispõem de habitáculos menos espaçosos, comparativamente ao modelo da Mitsubishi, embora o do VW inclua regulação do banco traseiro (16 cm em termos longitudinais; 23º no que respeita à inclinação das costas). Gavetas sob os bancos dianteiros só podem ser encontradas no Tiguan. Já mesas nas costas dos bancos da frente estão presentes nos Kuga e Tiguan. Em ambos, os espaços de arrumação equivalem-se, tal como a habitabilidade e a capacidade da bagageira.
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MITSUBISHI OUTLANDER 2.0 DI-D INTENSE+
Apesar de uma escolha de materiais menos criteriosa, o Outlander tem a vantagem de ser o único SUV em análise a oferecer sete lugares |
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Na disputa pelo equipamento de série mais completo, nenhum SUV se destaca de outro. Não dispõem os três exactamente dos mesmos itens, mas no cômputo geral equivalem-se. Por isso, a igualdade pontual entre Kuga, Tiguan e Outlander é o resultado mais justo.
Posto de condução, comportamento
Se existe característica comum a estes três SUV é o posto de condução correcto que todos oferecem. Os volantes (três braços nos Tiguan e Outlander; quatro braços no Kuga; o único que não propõe regulação em profundidade é o do Outlander) dispõem de uma pega muito boa e estão bem posicionados. Da colocação dos pedais, alavancas das caixas e comandos secundários, não existem críticas a apontar.
Nos três, a visibilidade é boa para todos os ângulos e os bancos oferecem eficazes suportes laterais e lombares. Ao volante destes três SUV, o condutor tem todas as condições para desempenhar com mestria a sua missão.
A análise ao desempenho dinâmico de um SUV abrange, como é hábito, o comportamento em estrada e a eficácia fora dela. Começemos, então, pelo asfalto. O mais eficaz e envolvente é o Tiguan, que exibe o menor rolamento em curva, a direcção mais precisa, o comando da caixa mais agradável de manusear e os travões com a melhor sensibilidade.
Menos apurado é o Kuga. Faz tudo o que faz o Tiguan, só que de forma menos precisa e menos envolvente. Não desilude em andamentos rápidos, mas o superior balanceamento da carroçaria e a direcção menos directa tornam-no menos envolvente.
Mas pior, mesmo, é o Outlander.
O elevado rolamento em curva, o comando da caixa duro e impreciso e a direcção menos convincente posicionam-no em último lugar no que ao desempenho em asfalto diz respeito. Contudo, o seu empate com o Kuga neste domínio deve-se ao facto de, fora de estrada, ser mais convincente.
Abandonando, então, as superfícies alcatroadas, em direcção aos estradões de terra e aos pisos desnivelados – afinal de contas, o habitat natural destes três SUV, todos passam o teste com distinção. Embora uns com notas mais elevadas do que outros...
O Tiguan é, também, o mais eficaz fora de estrada. Dispõe do sistema de tracção integral 4Motion que, graças a uma embraiagem Haldex, de comando electrohidráulico, integrada no eixo traseiro (acoplamento que pesa 44 kg), reparte o binário pelos dois eixos em função das condições de aderência e das necessidades do momento. Em condições normais, 90% da tracção é fornecida apenas ao eixo dianteiro.
Solução igual é utilizada pelo Kuga AWD. Dispõe, também, de um acoplamento Haldex, mas, ao contrário do que afirma a VW (que defende que, no Tiguan, quase 100% do binário pode ser transferido para o eixo traseiro!?), a distribuição de binário no Ford nunca ultrapassa os 50% para o eixo traseiro. O Outlander recorre a um sistema electrónico de tracção integral que, através de um botão, permite seleccionar uma de três posições: 2WD, 4WD e Lock.
Grande parte da eficácia do Tiguan deve-se, também, ao botão “Off-road”, que, uma vez premido, optimiza o sistema 4Motion: adapta as relações de caixa como se de “redutoras” se tratassem, activa o controlo de descidas acentuadas e desencadeia a assistência de compensação da direcção. O ângulo de ataque do Tiguan é superior ao dos seus adversários, mas os de saída e ventral não são brilhantes. Tal como a reduzida altura ao solo e os pneus de vocação maioritariamente estradista (Goodyear Excellence, de medida 235/55R17). Apesar disso, o Tiguan é o mais eficaz fora de estrada.
No Kuga e no Outlander, ambos dotados de menos funções “de combate”, consegue-se, com alguma perícia e maior dose de paciência, efectuar manobras mais radicais e circular por pisos mais exigentes. Os ângulos equivalem-se, tal como a altura ao solo, mas no Kuga consegue atravessar-se cursos de água de maior profundidade. Contudo, gostámos mais da capacidade de tracção e da menor “hesitação” em terrenos difíceis do Outlander. Os pneus de ambos consistem, também, num bom compromisso entre o desempenho em estrada e a eficácia fora dela: Continental 4x4 Contact, de medida 235/55R17, no Kuga; Bridgestone Dueler H/P Sport, de medida 225/55R18, no Outlander.
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| O comando circular do Outlander permite optar entre os três modos que o sistema de tracção total proporciona ao condutor |
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Performances e consumos
Equipados, os três, com potentes motores turbodiesel de 2,0 litros (o do Kuga e o do Tiguan recorrem à injecção common-rail; o do Outlander conta com o sistema injector/bomba de origem VW), qualquer destes SUV se equivale no que às performances diz respeito. Todos fazem uso de caixas manuais de seis velocidades e todos convencem neste domínio, embora o motor do Outlander seja o mais ruidoso. Acelerações e reprises são, por isso, de bom nível nos Kuga, Tiguan e Outlander. Mas nada de euforias.
No que respeita aos consumos, para não variar, regista-se nova igualdade pontual entre os três, perfeitamente justificada pela proximidade das médias ponderadas: 8,2 l/100 km no Kuga; 8,3 l/100 km no Outlander; 9,1 l/100 km no Tiguan.
Conclusão
Ainda não foi desta que o VW Tiguan 2.0 TDI Track foi vencido. Por um ponto de vantagem sobre o Ford Kuga 2.0 TDCi Titanium AWD e dois pontos sobre o Mitsubishi Outlander 2.0 DI-D Intense+, o SUV compacto da VW reuniu, nas onze áreas em análise, um maior número de pontos. Sem ser brilhante, é um produto, no mínimo, homogéneo. O Kuga aposta essencialmente no design e na polivalência de utilização para fazer a diferença no segmento.
É um SUV atraente, eficaz, bem equipado e bem feito, mas pouco acrescenta face ao que já existe no segmento. Soluções inovadoras, então, nem uma...
Quanto ao Outlander, embora exiba todo o seu know-how numa área que é tão familiar à Mitsubishi, existem uma série de aspectos que merecem uma revisão. Nomeadamente a selecção de materiais, a melhoria da insonorização e a escolha de um motor mais evoluído. Quem sabe se na próxima geração deste modelo... |
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