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A Land Rover espantou o mundo dos automóveis em 1970, com a apresentação do Range Rover, um todo-o-terreno luxuoso para ser utilizado no dia-a-dia e, ao mesmo tempo, sendo capaz de garantir todas as aventuras fora de estrada. Estava inventado o conceito SUV e, nessa altura, ninguém fazia ideia...
Texto Rui Faria Fotografia Range Rover
MAIO 2004 |
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A sigla SUV já faz parte do léxico automóvel. Significa “Sport Utility Vehicle”. Tudo começou em 1970 com o lançamento da primeira geração do Range Rover, modelo que conjugou a capacidade de utilização em estrada e fora dela, aliando o luxo exigido pelas elites com o potencial de um veículo de trabalho. Na época, a ideia foi vista como um “ovo de Colombo”. Mas já tinha algumas “barbas”: nasceu nos primórdios da Land Rover, quando um relatório chegou às mãos dos irmãos Maurice e Spencer Wilks (que detinham o controlo da marca), afirmando que 75% dos proprietários dos veículos Land Rover os utilizavam para actividades de lazer.
Estávamos nos anos 50 e tal estudo levou à equação de um “Road Rover”, vocacionado para o lazer, mas o protótipo não convenceu ninguém e a ideia foi arquivada durante quase uma década. Nos anos 60, o projecto foi repensado e o seu desenvolvimento entregue a Spen King e Gordon Bashford, dois engenheiros da empresa, que tiraram partido da decisão de adquirir à General Motors os direitos de produção do motor V8 que equipava a gama Buick e Oldsmobile. A este bloco em alumínio, de 3,5 litros, foi acoplada uma tracção total permanente sem o incómodo recurso à alavanca que alterava a tracção nos Land Rover.
ESTILO ÚNICO
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| Ícone do luxo, o Range Rover também se afirmou como um grande aventureiro, tendo ganho o Paris-Dakar em 1979 e 1981 (na foto) |
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Definidas a motorização e a transmissão, e estudado um châssis convencional de travessas e longarinas, foi criada uma carroçaria em aço prensado com painéis em alumínio. O design aliou a modernidade da forma de um “TT” convencional com a imagem das grandes wagons americanas, criando um estilo.
A definição do habitáculo marcou uma ruptura radical com qualquer 4x4 até então produzido, assumindo o requinte das grandes berlinas de luxo disponíveis no mercado. Estava lançada a moda e o Range Rover passou a ser uma griffe, que ganhou espaço no mercado entre 1970 e 1994, com aquela que ficou conhecida como a primeira geração, marcada por grandes evoluções técnicas e estéticas ao longo dos anos.
Em 1994, surgiu a segunda geração – mais eficaz, mais requintada e mais eficiente –, uma evolução que contras - tava com os problemas que con di - cionavam o construtor britâ nico, que veio a ser adquirido pelos alemães da BMW.
A injecção de capital permitiu avançar com a terceira geração do modelo, em que a marca aban - donou o esquema conven cional de châssis/carroçaria com o lança - mento de um modelo com car - roçaria monobloco. Depois, os alemães venderam a marca à Ford, que começou por fazer um make- -up ao modelo, antes de o equipar com novos motores. A gama também foi dilatada com a apresentação do Range Rover Sport, realizado com base no Discovery, que surgira em 2004.
Hoje, a Land Rover é propriedade dos indianos da Tata e, quarenta anos depois do lançamento do seu primeiro modelo, há estudos de marketing que apontam para a autonomização da Range Rover como marca independente da Land Rover, como forma de vincar o seu carácter exclusivo e sofisticado. Poderá vir a ser a bóia de salvação para os Range, mas, porventura, também a condenação à morte da mítica Land Rover. |
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