Quando não
existe senão uma opção, as
decisões são muito mais simples de
tomar. Mais complicadas são as matemáticas
quando existe uma panóplia de produtos concorrentes
no mercado, servindo todos eles o propósito
de assegurar a mobilidade de uma empresa.
Por este motivo, no momento em que uma empresa se
prepara para adquirir uma frota automóvel,
uma das maiores dores de cabeça da administração
será optar por umas das muitas soluções
existentes, se excluirmos, para o efeito, a possibilidade
(quase residual) de o fazerem recorrendo a fundos
próprios. São elas: Aluguer de Longa
Duração (ALD), Leasing e Aluguer Operacional
de Viaturas (AOV), também designado por Renting.
AOV apanha ALD
Se a base da decisão assentasse em motivos
meramente históricos, então, o ALD
seria, sem dúvida, a escolha principal das
empresas. Até porque já assim foi.
Durante a década de 1980, o ALD foi um sistema
que operou praticamente sozinho no mercado.
Acontece que os tempos estão claramente a
mudar. Como garante Joaquim Robalo de Almeida, secretário--geral
da Associação dos Industriais de Aluguer
de Automóveis sem Condutor (ARAC), “cada
vez mais, a tendência aponta para o AOV, até
devido à oferta que privilegia este produto”.
O Aluguer de Automóveis sem Condutor em Portugal
representa actualmente, segundo assegura, “entre
50 a 60% dos veículos novos vendidos. Desses,
cerca de 20 a 25% são para o rent-a-car (Aluguer
de Curta Duração). E, neste momento,
perto de 20% são AOV, representando o ALD
outros 20%”, afirma ainda o mesmo responsável.
Estaremos diante de um empate técnico? Porventura.
Mas também pontual. É que, no desenrolar
dos últimos anos, o AOV tem recuperado muito
terreno relativamente ao ALD, atendendo sobretudo
ao facto de ter menos de uma década de operacionalidade,
através de empresas profissionais, no nosso
país.
Joaquim Gonçalves, director comercial da
Finlog, avança com outra explicação
para esta viragem, considerando que as empresas
do sector de aluguer de longa duração
foram forçadas a operar no AOV desde que
a antiga ministra das Finanças, Manuela Ferreira
Leite alterou a legislação e o ALD
passou a estar tutelado pelo Banco de Portugal.
“A partir desse momento, os contratos de ALD
passaram a estar sobre o controlo dos bancos, pois
estes podem ser tutelados. Tanto o Leasing como
o ALD implicam um capital social de grande volume
e uma estrutura e organização bancária”,
explica o nosso interlocutor.
Mais oferta, mais
procura?
Uma prospecção efectuada junto do
mercado das principais empresas gestoras de frotas
nacionais permite concluir facilmente que o AOV
é hoje o produto privilegiado nas suas carteiras
– sendo que a sua maioria não disponibiliza
tão-pouco outro tipo de sistemas.
Será, então, uma questão de
quanto maior a oferta, maior a procura? Talvez.
Embora o raciocínio inverso também
tenha a sua lógica, dados os muitos benefícios
para as empresas (e particulares) que os vários
especialistas do sector encontram nos contratos
de AOV. A explicação mais recorrente
prende-se com a eliminação de riscos
desnecessários para a empresa, nomeadamente
para aquelas cujo core business em nada se relaciona
com o ramo automóvel – transformando
em custos fixos, através de uma renda imutável,
os tradicionais custos variáveis e imprevisíveis,
como os pagamentos de serviços, reparações,
seguros, manutenções, viaturas de
substituição, entre outros.
Custos esses que, uma vez definidos logo no acto
da assinatura do contrato de AOV, permitem às
empresas orçamentar as suas despesas a longo
prazo, sem o perigo de verem as suas contas resvalar.
Algo que as empresas mais tradicionais, e as que
recorrem ao ALD, Leasing ou crédito, não
conseguem antecipar, por desconhecerem quanto terão
de gastar neste tipo de serviços com as suas
frotas. Segundo estudos da ARAC, tanto as grandes
empresas como as PME estão a “terceirizar”
as suas frotas, a fim de reduzir os custos e melhorar
a qualidade da sua própria actividade devido
a esta gestão externa.
Perfil de quem escolhe
Será possível definir um perfil de
quem recorre a um e a outro produto? “O particular
que vise ficar com o carro no final do contrato
geralmente opta por um contrato financeiro de ALD
ou Leasing. Um ALD com promessa de compra e venda
ou um Leasing com opção de compra.
O cliente que apenas quer a utilização
da viatura vai, maioritariamente, para o sistema
AOV. A quota dos clientes de AOV é de cerca
de 90% de empresas, 6% de profissionais liberais
e 4% de particulares”, afirma Joaquim Robalo
de Almeida.
Ou seja, o grosso da coluna do AOV são as
empresas, enquanto que, no caso do ALD, a faixa
maior “tenderá a ser para os particulares,
embora ainda haja muitas empresas a procurar este
produto”, adianta o secretário-geral
da ARAC.
“Quanto ao Leasing, o que vejo são
sobretudo empresas que também não
querem investir capital à cabeça,
mas querem ser elas a fazer a gestão da sua
frota. Por isso, optam pelo Leasing, que é
um dos produtos, em termos fiscais e contabilísticos,
em tudo idênticos à compra com capitais
próprios”, sublinha a mesma fonte.
Leasing residual...
Podemos, ainda assim, concluir que o Leasing tem
um papel secundário no que se refere à
aquisição de frotas. “Não
tem a mesma preponderância no sector automóvel
do que os outros dois produtos. O Leasing é
um produto em crescimento, mas mais em termos
de veículos pesados, uma vez que a legislação
não nos permite o aluguer sem condutor
de veículos de mais de seis toneladas”,
refere Joaquim Robalo de Almeida, acrescentando:
“Nestas situações, o transportador
só tem duas hipóteses viáveis:
ou adquirir as frotas em Leasing ou através
de capitais próprios”.
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Estatísticas
da ARAC
NÚMEROS
PROVAM CRESCIMENTO DO AOV
As opiniões favoráveis
ao AOV dos especialistas do sector confirmam-se
com as estatísticas facultadas
pelo gabinete de estudos da ARAC. Observando
os números referentes a 2005,
verifica-se que o AOV obteve um crescimento
assinalável, num ano caracterizado
por um cenário económico
amplamente desfavorável em Portugal.
Assim, em Dezembro do ano passado, o
AOV alcançou as 99 580 unidades
de veículos em frota, face às
80 738 registadas em igual período
do ano anterior, o que representa um
crescimento de 23%. Quanto ao total
nacional, os valores registados em Dezembro
de 2005 e Dezembro de 2004 foram, respectivamente,
de 113 580 e 93 739 veículos.
Por seu turno, as aquisições
de viaturas novas para o exercício
de AOV obtiveram no ano passado um total
de 40 687 veículos, representando
uma subida de 25% em relação
a 2004 – divididos em 14% de veículos
de passageiros e 18% de comerciais ligeiros.
O ano de 2006 deverá manter a
mesma inclinação positiva.
A ARAC acredita que o crescimento “não
será inferior aos dois dígitos”.
O que corresponderá a 120 mil
unidades, prevendo que o total nacional
atinja as 135 mil unidades.
útil, a continuação
desta longa história que começa
nestas páginas e acabará
na barra do tribunal... |
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