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XL > AutoMotor > Contacto > Land Rover Defender 110 SW
 
 
 
 
O Land Rover Defender é um profissional de todo-o-terreno. A sua nova versão pode estar mais aburguesada, mas continua a ser pura e dura, vocacionada para todas as aventuras fora de estrada

Por Rui Faria Fotos Miguel Ângelo Silva
SETEMBRO 2007
 
Puro e duro...
Ficha Técnica
 
À primeira vista, só os mais atentos vão notar as diferenças entre o novo e o velho Land Rover Defender 110 Station Wagon, já que, ao nível da carroçaria, apenas a pequena bossa no capot dianteiro pode chamar a atenção. Esta alteração foi necessária para permitir alojar um novo motor que a Land Rover foi buscar à Ford Transit.

É uma das grandes novidades deste modelo. O novo quatro cilindros turbodiesel de 2401 cc é menos barulhento do que o antigo Td5 de cinco cilindros e, mais importante do que isso, é muito mais elástico (graças à adopção de um turbo de geometria variável), sobretudo acima das 2000 rpm, onde as coisas começam a acontecer.

Hoje passou a ser possível ouvir o rádio com leitor de CD que faz parte do equipamento de série na versão Station Wagon, ou até conversar com o parceiro do lado sem ser aos gritos. Em estrada, a condução torna-se muito mais dinâmica, tanto mais que a nova caixa de seis velocidades está bem escalonada, além de contar com um selector mais rápido e preciso do que o anterior. A alavanca é mais curta e o curso menor, o que paga dividendos em termos de facilidade de utilização.

 

O novo motor que
a Land Rover foi buscar
à Ford Transit garante
um melhor binário,
o que traz vantagens
fora de estrada
Mais conforto
Mas as novidades não se ficam por aqui. As grandes diferenças surgem no habitáculo, que, apesar de o estilo continuar a ser rústico, deixou de ser tão espartano como antigamente. O painel de instrumentos com um grande conta-rotações ao lado do conta-quilómetros é algo que um condutor dos Defender não estaria à espera, o mesmo se podendo dizer da  imponente consola central, encimada pelas duas saídas do ar-condicionado, o que marca a diferença, permitindo pela primeira vez na história do modelo, uma regulação adequada da temperatura no habitáculo, embora seja um opcional que custa 1640 euros.

O conforto melhorou graças ao desenho dos novos bancos, mais almofadados e com mais apoio. A posição de condução evoluiu um pouco, graças a uma maior possibilidade de regular longitudinalmente a posição do banco, mas o cotovelo esquerdo continua a bater na porta, tanto mais que o volante é (quanto a nós) demasiado grande. A direcção bastante assistida parece não exigir um volante com um diâmetro tipo roda de leme de barco, como o que surge nos novos Defender, com um design que recorda os antigos Discovery Td5.

A qualidade dos bancos traseiros também evoluiu, mas a grande alteração surge na zona de carga, onde os antigos bancos longitudinais basculantes deram lugar a dois verdadeiros assentos, basculantes, a exemplo do que acontecia nos Discovery Td5. É um ganho tremendo em termos de conforto, mas um grande roubo no espaço disponível para carga para quem opte pela versão de sete lugares. Não se pode ter tudo.


Fora de estrada
Os ganhos ao nível do conforto são sublinhados numa utilização fora de estrada, habitat natural dos Land Rover Defender. Nos estradões rápidos, com curvas em apoio, é fácil perceber a grande evolução ao nível dos bancos, já que a suspensão continua a ser a mesma: pura e dura, apesar do seu grande curso.

Numa condução em estrada, a sexta velocidade é como que um overdrive, basicamente destinada a poupar combustível, mas, fora dela, a primeira é mais curta do que a da versão anterior, pelo que, quando se engrenam as "redutoras", é praticamente dispensável. No entanto, com a segunda velocidade em "baixas", quase que é possível "subir paredes", tanto mais que os 360 Nm de binário máximo estão disponíveis logo às 2000 rpm. É um ganho face ao antigo Land Rover Defender 110 Td5, cujo binário máximo se ficava por uns mais modestos 300 Nm às 1950 rpm.

O Defender continua a ser um verdadeiro desafio para qualquer tipo de aventura fora de estrada. Cruzar montes e vales, ultrapassar regueiras profundas graças ao grande cruzamento de eixos, que muitas vezes nos deixa equilibrados em apenas três rodas, atravessar rios a vau, navegar em mares de lama ou vencer areais podem ser radicalismos sem sentido para muitos, mas, para quem retira prazer da condução fora de estrada, são um gozo que cada vez menos veículos são capazes de oferecer. É por isso que o Land Rover Defender continua a ser um veículo de culto.
 
 
 
 
 

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