Um ano passou sobre
a primeira edição especial exclusivamente
dedicada ao tema da Gestão de Frotas realizada
pela AutoMotor. Neste espaço de tempo, algumas
coisas se alteraram no panorama automobilístico
português que levam a que este seja um assunto
cada vez mais na ordem do dia. E é também
por isso que aqui estamos de novo, com o intuito
de que esta possa ser uma ferramenta interessante,
um auxiliar útil para todos aqueles que
tenham de tomar decisões nesta matéria,
em termos individuais ou enquanto responsáveis
por uma frota, tanto própria como alheia.
Indubitavelmente, a modificação mais relevante introduzida neste
sector nos últimos tempos foi a reforma operada pelo Governo em termos
de fiscalidade automóvel. Com a chegada do Imposto Sobre Veículos
(ISV) e do Imposto Único de Circulação (IUC), teve fim a
vigência do tão famigerado Imposto Automóvel (IA) e de uma
série de outros impostos “acessórios”. Em teoria, e à partida,
uma boa notícia. Mas como nem tudo o que parece é, um olhar mais
atento às novas regras permite facilmente concluir que, por via destas,
o que, a prazo, o Estado acabou por conseguir, à “boleia” do
argumento “ambiental”, foi garantir um superior nível de receita
para o erário público. Possuir um automóvel em Portugal
passou, assim, a ser mais caro – e o diferencial será tanto maior
quanto mais tempo o veículo ficar na posse de quem o comprou.
Não esquecendo algumas dúvidas que só o tempo permitirá esclarecer,
de entre as quais as duas mais significativas serão: como irá reagir
o mercado de usados a todas estas modificações, e quanto tempo
demorarão as coisas a clarificar-se e a estabilizar? Que decisão
final será tomada relativamente à dupla tributação
(incidência de IVA sobre o ISV), considerada contrária às
regras comunitárias pela Comissão Europeia, e que implicações
terá a dita decisão no comportamento do mercado?
Perante isto, a gestão de frotas, genericamente, e o Aluguer Operacional
de Viaturas, em particular, enquanto produto cada vez mais implantado em Portugal,
e com crescente preponderância nas vendas de determinadas classes de veículos,
têm à sua frente novos e difíceis, mas nem por isso menos
estimulantes, desafios. De cuja resposta poderá depender, em boa parte,
a adesão de novos sectores da sociedade aos serviços por si propostos,
nomeadamente os particulares, que aqui têm cada vez mais uma solução
interessante, quando não sob uma perspectiva estritamente economicista,
pelo menos no que respeita ao conforto de utilização de uma viatura,
que, não lhes pertencendo, permite dispensar a maioria, se não
mesmo a totalidade, dos riscos inerentes à compra, usufruto e revenda
de um automóvel.
É certo que ainda há um longo caminho a percorrer neste domínio.
Quase tão difícil como mudar mentalidades é o português
médio ter disponibilidade financeira para optar por este tipo de solução
em detrimento da tradicional compra, passando a valorizar mais o usufruto da
sua viatura do que, propriamente, a sua posse – ou não fosse a nossa
economia o que é. Mas o caminho já começou a ser desbravado,
e não parece haver quem duvide de que este é o trilho a seguir
num futuro mais ou menos próximo. |