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Munido de uma nova e exclusiva versão Diesel?(3.0d S de 275 cv), o Jaguar XF aponta baterias para o topo da sua classe, desafiando abertamente o status alemão. O alvo é, sem dúvida, o BMW 535d de 286 cv, que terá de valer-se de todos os seus comprovado trunfos para suportar o confronto com este ambicioso executivo britânico
Por Nelson Oliveira Fotos Miguel Ângelo Silva
SETEMBRO 2009 |
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O Jaguar XF volta a elevar o seu estatuto na classe dos executivos ao receber uma nova e potente versão Diesel, animada pelo motor V6 de 3,0 litros e 275 cv. A intenção passa por instalar-se definitivamente no topo da oferta Diesel deste exclusivo escalão, entrando em rota de colisão com modelos alemães de prestígio, entre os quais se destaca de imediato o BMW 535d, munido de um motor Diesel de seis cilindros em linha, face ao V6 da Jaguar, que, além do mais, oferece 286 cv.
Para animar ainda mais este duelo, o XF surge com o seu nível máximo de equipamento, Portfolio, o qual vem acentuar o refinamento e o conforto que se vive no seu habitáculo, enquanto que o 535d responde com uma edição especial de equipamento, designada Executive, que lhe oferece conteúdos tecnológicos acrescidos.
Estética, construção, segurança
É raro assumirmos uma pontuação distinta, na Estética, em modelos desta classe: além de ser uma apreciação subjectiva, as diferenças de estilo são quase nulas, devido à abordagem estilística por norma conservadora destas berlinas. Mas, neste caso, o Jaguar consegue expressar bem a diferença, encantando pelas linhas elegantes mas afirmativas.
Porém, o triunfo do estilo britânico nesta categoria não se deve apenas aos nossos gostos, mas também à sua capacidade de diferenciação na classe, assumindo-se como uma alternativa bem-vinda e apelativa ao tradicional “formalismo” alemão. Embora mantenha a sua imponência, a aparência já algo desgastada deste Série 5 também não ajuda a contrariar esta lufada de ar fresco oriunda de terras britânicas.
Logo que acedemos ao interior do XF, ficamos de imediato seduzidos pelo seu ambiente refinado, ao velho estilo britânico, mas com um novo toque de sofisticação, atribuído por alguns gadgets pouco habituais, como é o caso das entradas de ar que se abrem automaticamente ao ligar a ignição, ou do comando rotativo da caixa de velocidades, que se eleva quando o motor é posto em marcha. O amplo revestimento em pele de tom castanho, que percorre todo o tablier e se estende até aos painéis das portas, impressiona pelo toque e pela aparência. A combinação de aplicações em alumínio e madeira no centro do tablier também cativa a atenção, remetendo-nos para um estatuto nobiliárquico imaginário.
Só pela sua aparência, o habitáculo do XF promete valer-lhe novo triunfo face ao seu rival, pelo menos até uma análise mais detalhada. O facto é que o ambiente mais “soturno” deste BMW “esconde” excelentes atributos, caso do revestimento em pele preta no tablier e das aplicações em madeira escura no seu centro. É certo que estes revestimentos podem não ser tão extensos ou visíveis como os do Jaguar, mas a sua qualidade é inquestionável. Além disso, a montagem do modelo germânico é ligeiramente melhor, sobressaindo pela elevada precisão na montagem dos painéis.
Os padrões de segurança destes dois rivais são elevados, reunindo as versões mais sofisticadas dos sistemas electrónicos de ajuda à condução. A diferença mais notória que apurámos foi a ausência de pré-tensores nos cintos traseiros do BMW, mas este item não é suficiente para quebrar mais um empate.
Conforto, habitáculo, equipamento
Se existe um campo em que o Jaguar impressiona logo que o levamos para a estrada é o do conforto de marcha que oferece. A sensação de leveza e de suavidade em estrada aberta é bem notória, para além de que as suspensões do modelo britânico conseguem, igualmente, atenuar com muita eficácia as irregularidades do piso, nomeadamente nos degradados pavimentos urbanos que proliferam em?Lisboa.
Embora não seja propriamente desconfortável, o 535d nunca consegue transmitir a impressão de estarmos a flutuar sobre o alcatrão como acontece no XF, mas essa também nunca foi a filosofia dinâmica da BMW. Além disso, a versão avaliada contava com a opcional suspensão desportiva, a qual acentua um pouco mais as trepidações no habitáculo sempre que nos deparamos com piso degradado.
Nos habitáculos destes dois executivos os passageiros são presenteados com uma ampla liberdade de movimentos, tanto à frente como atrás. O XF tem uma folga ligeiramente maior entre os bancos dianteiros e os traseiros, mas esta não é assim tão significativa, pois o espaço para as pernas oferecido pelo 535d é também bastante generoso. O mesmo sucede quando comparamos a capacidade das bagageiras, com a do XF a reclamar mais 20 litros do que a do BMW, volume insuficiente para oferecer ao executivo britânico uma vitória clara na análise do habitáculo.
Munido do seu nível de topo, Portfolio, o XF assume-se como favorito ao triunfo na disputa pela dotação de equipamento de série mais generoso. O modelo britânico tem a seu favor itens que o BMW não dispõe sequer como opção, caso do travão-de-mão eléctrico ou do ecrã táctil, adicionando ainda outras exclusividades, como os bancos eléctricos e o sistema de arranque sem chave. Contudo, o 535d tem um trunfo na manga, ao surgir neste confronto com a edição especial de equipamento Executive, a qual acrescenta à lista de série “normal” vários itens de relevo, como o sistema de navegação Professional e o interface Bluetooth para telemóvel. Mas o item desta edição especial que faz mesmo a diferença são os faróis bi-Xénon (opção no Jaguar). Com este pacote de equipamento, o BMW consegue atenuar a diferença de valores para o XF, a qual fica abaixo dos 2500 euros, fasquia definida para a atribuição de um ponto.
Posto de condução, comportamento
O posto de condução é a área onde se começa a sentir a orientação dinâmica distinta destes dois executivos. O 535d sobressai pela forma natural como acolhe o condutor, colocando todos os principais instrumentos no seu campo de visão e numa posição de fácil acesso. Mesmo não contando com o opcional volante em pele M, de espessura e tacto quase ideais, este BMW avança ainda com um óptimo apoio lateral oferecido pelos bancos.
No modelo britânico, a disposição dos principais instrumentos está mais dispersa, forçando o condutor a desviar a sua atenção da estrada sempre que necessita de efectuar algumas regulações. Os bancos dianteiros do XF são muito confortáveis, mas o seu apoio lateral não é muito efectivo, deixando a parte inferior das costas dos ocupantes mais vulnerável às oscilações da carroçaria. Estes dois executivos evidenciam um rolamento em estrada muito consistente e seguro, disfarçando facilmente no habitáculo as velocidades elevadas que conseguem alcançar. Nestes ritmos mais intensos, o 535d volta a distanciar-se do seu rival britânico pela forma como consegue oferecer ao condutor um melhor feedback das suas acções e reacções em estrada, muito por culpa da sua direcção mais precisa e do desempenho mais reactivo da sua suspensão desportiva. Esta última opção acaba, assim, por conseguir recuperar o ponto perdido pelo BMW no capítulo do conforto, atribuindo-lhe uma excelente competência dinâmica em curva.
O XF até surge munido de jantes de 19”, que contrastam com as de 18” do BMW, para ajudá-lo a atingir uma boa eficácia em trajectórias mais exigentes, mas não consegue transmitir a mesma envolvência e naturalidade que se sente no 535d.
Performances e consumos
Na guerra de potências, o novo V6 Diesel de 3,0 litros do XF fica 11 cv abaixo do seu rival de seis cilindros em linha do 535d, mas esta diferença não se reflecte de forma decisiva nas nossas medições. Aliás, o motor do Jaguar até chega a permitr ao?XF ser ligeiramente mais rápido nas acelerações do que o seu rival germânico. O empate nas performances é perfeitamente justificado, pois estes executivos podem gabar-se de um desempenho pujante, que se estende por uma ampla faixa de regime.
Estes dois motores Diesel surgem associados a transmissões automáticas de seis velocidades, as quais agradam pela sua resposta segura e decidida, evitando momentos de hesitação nas trocas de mudanças Os consumos destas versões Diesel mais potentes não são propriamente uma referência, mas estão dentro de patamares compreensíveis. As médias apuradas revelam uma tendência menos gastadora do 535d, mas que não justifica a vitória neste campo, pois a diferença para o XF é quase imperceptível para esta classe de veículos.
Conclusão
O novo Jaguar XF 3.0d S consegue suportar muito bem o confronto com o reconhecido BMW 535d, igualando-o e superando-o em diversos campos. No entanto, o seu preço mais elevado acaba por deitar por terra as suas aspirações a um triunfo, ou mesmo a um meritório empate.
Já o 535d vale-se da sua competência dinâmica para se impor face a este pretendente britânico, mas neste particular embate é a sua melhor relação preço/equipamento que dita a vitória final neste duelo. De facto, a edição especial de equipamento Executive é decisiva, por conseguir manter o preço na casa dos 80 mil euros e, ao mesmo tempo, permitir ao modelo equivaler-se ao nível de equipamento de topo do Jaguar, mesmo que por uma “unha negra”. Os mais simplistas poderão mesmo afirmar que a vitória foi atribuída ao BMW, se não pelos seus lindos olhos, pelo menos pela presença dos faróis bi-Xénon na sua lista de equipamento de série. |
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