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XL > AutoMotor > Comparativos > KIA Picanto 1.0 EX vs Nissan Pixo 1.0 Acenta vs Suzuki Alto 1.0 GL
 
 
 
Produzidos em Nova Deli, na Índia, os novos Nissan Pixo e Suzuki Alto vêm agitar o segmento dos citadinos. Para avaliar aquilo que valem estes “primos” japoneses, comparámo-los com o sul-coreano Kia Picanto. Equipada com motores 1.0 a gasolina e dotada de carroçarias de cinco portas, esta ofensiva asiática pretende dominar a classe

Texto Bruno Castanheira Fotografia Miguel Ângelo Silva
SETEMBRO 2009
 
Ofensiva asiática
Ficha TécnicaAs nossas mediçõesPontuaçãoA favor/contra
 
Pese embora o facto de o mercado automóvel nacional estar em queda livre, o segmento que menos recessão registou foi o dos citadinos. Não será difícil perceber porquê. Quase em simultâneo, esta classe assistiu à chegada dos “primos” Nissan Pixo e Suzuki Alto.

Produzidos em Nova Deli, na Índia (convém frisar que quem fabrica o Nissan é a Suzuki), são comercializados por um preço acessível, dispõem de dimensões compactas e convencem pelos reduzidos níveis de consumos e emissões que oferecem. Tal como o mais experiente Kia Picanto. Alvo de um restyling e de uma revisão de conteúdo no ano passado, o modelo sul-coreano continua a seduzir uma clientela muito particular.

Na elaboração do seu novo citadino, a Suzuki decidiu manter o nome Alto (tem três décadas de existência). Já a Nissan apostou na designação Pixo, que dá origem a várias declinações linguísticas no nosso país. Quanto à Kia, o nome Picanto não deixa de ser curioso, principalmente por tratar-se de um modelo que de picante não tem nada. Mas deixemos de lado os conceitos e as teorias e analisemos, então, aquilo que realmente valem estas três propostas vindas do Oriente.

Estética, construção, segurança

   

   
Muito próximos entre si no que ao design diz respeito, por via dos semelhantes conceitos estilísticos que presidiram à concepção de cada um, Picanto, Pixo e Alto exibem um ar jovem e irreverente. Há quem defenda que são mais direccionados para o público feminino... Nesta área, optámos por atribuir uma igualdade pontual aos três, uma vez que não gostamos particularmente mais de nenhum. O Kia dá mais nas vistas por ser amarelo; quanto aos “primos” Nissan e Suzuki, são, ainda, ilustres desconhecidos para a maioria do público português. Mas nada que o tempo não resolva.

Alvo de um restyling no ano passado, o citadino sul-coreano ficou mais apelativo graças à adição de novos grupos ópticos e de pára--choques retocados. Já os citadinos nipónicos distinguem-se entre si pelos faróis dianteiros, pelos pára-choques, pelas grelhas e pelo facto de o Nissan dispor de puxadores das portas e caixas dos retrovisores da cor da carroçaria (no Suzuki são pretos).

Jantes de liga leve, nenhum propõe de série. Ao contrário dos faróis de nevoeiro, oferecidos, de origem, nos Kia, Nissan e Suzuki, embora neste último apenas na fase de lançamento. Refira-se, também, que nenhum destes três citadinos exibe letterings alusivos à motorização ou ao equipamento.


   

   
O Pixo é o único que ostenta um logótipo, isto para além, claro, daquele que exibe o seu nome: “Pure Drive”. Trata-se de uma novidade: a Nissan decidiu aplicá-lo em todos os seus modelos que emitam menos de 140 g/km de CO2. Quer o Picanto quer o Alto seriam dignos de a ostentar também, uma vez que ambos anunciam emissões de CO2 bastante abaixo dessa fasquia. Dotados de plásticos ásperos e muito simplistas, acabamentos medianos e montagens muito aquém do ideal, Kia, Nissan e Suzuki equivalem-se, também, no domínio da construção. É um facto que no segmento é difícil fazer melhor, mas não impossível: existem actualmente propostas mais convincentes do que estas três.

Propostos, de série, com quatro airbags, fixações Isofix, avisador da não colocação do cinto do condutor, pré-tensores nos cintos dianteiros e ABS com BA, os mais expressivos em segurança são Pixo e Alto. Embora os modelos nipónicos não disponham de três encostos de cabeça traseiros (a configuração de ambos é de quatro lugares, em vez de ­cinco), nem de airbag desligável, itens presentes apenas no modelo sul-coreano, Nissan e Suzuki levam a melhor sobre o Kia pelo simples facto de adicionarem airbags laterais dianteiros e assistência nas travagens de emergência.

Conforto, habitáculo, equipamento

   

   
A simplicidade das suspensões e os bancos pouco elaborados tornam inglório abordar a questão do conforto em propostas de calibre tão baixo. Seja como for, Picanto, Pixo e Alto fazem, enfim… o que podem. Não estamos perante três modelos desagradáveis neste domínio, mas estamos, seguramente, perante três modelos pouco agradáveis – tudo porque existem oscilações incómodas e vibrações sempre que o piso não é perfeito. Não é preciso escrever mais...

Apesar das suas dimensões compactas, estes três citadinos exibem um espaço interior bastante razoável. No Kia, a lotação é de ­cinco lugares, descendo para quatro no Nissan e no Suzuki. À parte este aspecto, é perfeitamente possível transportar passageiros com estatura superior a 1,65 metros no banco traseiro, desde que haja, claro, alguma boa vontade.

Arrumação não falta nestas três propostas asiáticas. Já em termos meramente estilísticos, não preferimos nenhum. O Picanto é o mais original, uma vez que Pixo e Alto são tirados a papel químico. Não fosse o símbolo do volante e os padrões dos bancos, o Pixo seria 100% igual ao Alto.



   
Quanto às malas minúsculas, a do Kia é ligeiramente maior, mas nada que justifique, do nosso ponto de vista, uma diferença pontual para Nissan e Suzuki. Por isso, o empate entre os três é o resultado mais justo. Antes de abordarmos o equipamento, refira-se que o rebatimento do banco traseiro não é, contrariamente ao que seria de supor, igual nos “primos” Pixo e Alto. No Nissan, é simétrico; no Suzuki as costas do banco deslocam-se por inteiro. A solução presente no Pixo é, por isso, bem mais funcional e versátil comparativamente à solução disponibilizada pelo Alto. No Picanto, esse mesmo rebatimento do banco é assimétrico.

Chegámos à primeira (e única) área onde o Kia leva a melhor sobre Nissan e Suzuki: o equipamento. Para além de tudo o que têm Pixo e Alto, o Picanto adiciona vidros traseiros eléctricos, retrovisores eléctricos e aquecidos, ligação USB/iPod/Aux, alarme, volante em pele, conta-rotações e cinzeiro amovível.

Um degrau abaixo do Picanto posicionam--se, em igualdade pontual, Pixo e Alto. A lista de itens do Nissan é exactamente igual à do Suzuki, uma vez que este último oferece, na fase de lançamento, faróis de nevoeiro (futuramente estarão disponíveis apenas no opcional pack segurança, que inclui, também, airbags de cortina e ESP).

Posto de condução, comportamento
Em qualquer destes três citadinos, o condutor dispõe de apenas três ajustes: regulação em altura do volante, regulação em comprimento do assento do banco e regulação em inclinação das costas do banco. O básico, portanto. Seja como for, o posto de condução até nem é nada mau em todos eles.

Os volantes, de três braços, oferecem uma pega correcta, os poucos comandos estão bem localizados e quer os pedais quer a colocação das alavancas das caixas não apresentam problemas de maior. Claro que o facto de os retrovisores nos Pixo e Alto serem de ajuste manual não ajuda, mas o condutor sente-se tão bem no Kia como no Nissan ou no Suzuki. Que mais se poderá referir neste domínio?

Equipados com direcção assistida (mais pesada do que o ideal) e dotados de dimensões compactas, as prioridades em termos de desempenho dinâmico, em propostas deste género, vão, como não podia deixar de ser, para a facilidade de condução. Neste aspecto, Picanto, Pixo e Alto cumprem muito bem o seu papel nos terrenos para os quais foram concebidos: as cidades.



   



Materiais simplistas, design sóbrio e segurança resumida praticamente ao essencial. Tudo para que o preço final seja reduzido, ou não fosse este o principal argumento destes três citadinos orientais

   
Estacioná-los é extremamente fácil, serpentear no meio do trânsito também e a condução urbana agrada pelos baixos níveis de consumos e emissões. Os comandos das caixas são imprecisos e ruidosos, mas os travões cumprem o seu papel com a competência exigível e os pneus mais não fazem do que manter o indispensável contacto com o solo (Kumho Power Star 758, de medida 155/70R13, no Picanto; Falken Sincera SN831, de medida 155/65R154, nos Pixo e Alto). Abandonando a cidade em direcção às auto-estradas ou às estradas nacionais, as limitações dos três são por demais evidentes. A sensibilidade aos ventos laterais é grande e não existe sequer uma pontinha de envolvência. Nem tinha de existir. O melhor, mesmo, é ficarmos por aqui neste capítulo.

Performances e consumos
Os motores 1.0 a gasolina de 12 válvulas (quatro cilindros no Kia; três cilindros nos Nissan e Suzuki), que deslocam estes três pesos-pluma, emitem um som de funcionamento demasiado esforçado e proporcionam performances sem qualquer interesse. O menos mau neste domínio é, para nossa surpresa, o Suzuki.

Face ao Nissan, seria de supor que os resultados medidos no Suzuki fossem praticamente iguais. Mas não. Ainda que as acelerações sejam ligeiramente melhores no Pixo, é um facto, o Alto distancia-se do seu “primo” pela simples razão de ter registado recuperações mais céleres. Por isso, o primeiro lugar, no que às performances diz respeito, pertence-lhe com inteira justiça.

Um passo atrás do Suzuki situam-se Kia e Nissan. O Picanto porque dispõe das piores acelerações; o Pixo porque oferece recuperações que são uma lástima. Estas limitações tornam-se mais evidentes quando se conduz fora da cidade. No que concerne aos consumos, estamos perante três exemplos a seguir. Kia, Nissan e Suzuki situam-se ao mesmo nível, graças à proximidade das médias ponderadas aos 100 km: 5,9 litros nos Pixo e Alto; 6,1 litros no Picanto.

Conclusão
Por dois pontos de vantagem, quer sobre o Kia Picanto 1.0 EX, quer sobre o Nissan Pixo 1.0 Acenta, que se posicionam, ambos, em segundo lugar ex-aequo, o Suzuki Alto 1.0 GL vence este comparativo. Se, face ao modelo sul-coreano, a sua vitória surge com naturalidade (embora não disponha do equipamento do Kia, o Suzuki propõe mais segurança, oferece performances menos lentas e pratica um preço mais acessível), já comparativamente ao “primo” nipónico a sua superioridade pode parecer surpreendente. Mas não é.

O Suzuki ganharia sempre ao Nissan. Só o facto de ser 1000 euros mais barato do que o seu “primo” é razão mais do que suficiente para derrotar o Pixo. A diferença entre ambos é de dois pontos em vez de um, porque, para nossa surpresa, as performances do Alto são, no cômputo geral, menos pobres do que as do Pixo. A terminar, diga-se, em abono da verdade, que seria caricato a Suzuki perder este comparativo para um modelo que é produzido precisamente por si, como é o caso do Nissan Pixo...
 
 
 
 
 

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