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A Brisa está a substituir os portageiros por sistemas de pagamento automático. Ainda em fase experimental na A1, A2, A5 e CREL, prevê-se que, até ao final do ano, seja alargado o princípio do “pague você mesmo” ao resto da rede de auto-estradas. Mas o convívio entre humanos e máquinas está longe de ser pacífico
SETEMBRO 2010 |
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Brisa não admite, pelo menos não peremptoriamente, mas a revolução nos métodos de pagamento das suas portagens nas auto-estradas já está em marcha. Os portageiros da empresa estão a ser, de forma progressiva, substituídos por máquinas. Para já e, até ver, o novo sistema está, e apenas em testes experimentais, nas cabinas da A1, A2, A5 e CREL. Mas prevê-se que venha a alargar-se além da Grande Lisboa, a toda a rede da Brisa, muito em breve: até ao final do ano deverão ser 200 as máquinas a funcionar. Ainda que não se possa dizer que o ensaio geral esteja a ser muito feliz...
Quem agora chegar à praça de portagem destes troços, e não possuir o identificador da Via Verde, poderá ter de meter mãos ao trabalho para pagar a respectiva taxa. Isto porque algumas das cabinas estão, por aqui, encerradas (leia-se: vias abertas à passagem de veículos, mas sem portageiro).
A AutoMotor teve oportunidade de testar o novo sistema de pagamento na A1, na direcção de Lisboa. E o que viu a nossa revista? Duas máquinas: num piso superior, uma destinada aos veículos de maior porte; e uma outra, mais abaixo, para os “comuns” ligeiros.
Tudo muito certo, não fosse logo de estranhar a presença do portagei - ro, fora da cabina e com ar resignado, a tentar socorrer os automobilistas embaraçados com o aparelho. Foi então fácil de entender o motivo pelo qual, naquele dia, a fila de trânsito era invulgarmente longa para a hora em questão: o aparelho de baixo não funcionava!
Os condutores podiam inserir o ticket na ranhura, como inscrito na máquina, mas esta teimava em não reconhecer os cartões Multibanco, nem sequer as notas. Para despesas de facturação, apenas a máquina do “piso” superior continuava operacional, obrigando o portageiro a fazer o seu serviço. Uma estranha comu nhão, diga-se, entre a força laboral humana e tecnológica.
MÁQUINAS vs HUMANOS
A relação entre as novas máquinas de pagamento automático (semelhantes às existentes nos parques de estacionamento) e os portageiros será, porventura, mais conflituosa do que o episódio relatado possa dar a entender. A Brisa tem-se multiplicado em explicações, garantindo que se trata apenas de um reforço das formas de pagamento manual, e que a actividade dos portageiros não estará em causa.
Mas admite, por outro lado, que a empresa está a propor a alguns dos seus funcionários a rescisão voluntária. Uma medida que o sindicato dos trabalhadores considera ser antes um eufemismo para o despedimento de cerca de 1100 portageiros, actualmente ao serviço da principal concessionária das auto- -estradas nacionais.
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