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XL > AutoMotor > Comparativos > Soldados da fortuna
 
 
 
São três soldados que marcham no segmento dos familiares de prestígio. Destinam-se a fazer fortuna a quem os produz. Aos bem estabelecidos Audi A4 e BMW Série 3 junta-se, agora, o promissor Volvo S60. Terá o modelo nórdico argumentos suficientes para levar de vencida os modelos alemães? Foi o que procurámos saber neste comparativo, onde reunimos as versões Diesel mais equilibradas de cada qual

Texto Bruno Castanheira Fotografia Miguel Ângelo Silva
SETEMBRO 2010
 
Soldados da fortuna
Ficha TécnicaAs nossas mediçõesPontuaçãoA favor/contra
 
O Volvo mais dinâmico e mais seguro de sempre chegou a Portugal. Chama-se S60, concorre no segmento dos familiares de prestígio e destina-se a incomodar as propostas alemãs que dominam a classe. Tanto mais que já colocou os seus rivais em sentido.

Assumindo-se como o modelo essencial para o futuro da marca sueca, o S60 dá, também, particular ênfase ao design, à tecnologia e à qualidade para seduzir uma clientela exigente, que sabe muito bem aquilo que quer. Das doze versões disponíveis, para já, no nosso mercado, uma das mais competitivas e equilibradas dá pelo nome de D3 Summum. Para saber o que realmente vale o modelo nórdico, comparámo- -lo com os bem estabelecidos Audi A4 2.0 TDI e BMW 320d, este último dotado da mais ecoló - gica afinação Efficient Dynamics.

ESTÉTICA, CONSTRUÇÃO, SEGURANÇA
Elegante, futurista e vistoso. Se não for o familiar de prestígio mais apelativo destes três, o Volvo é, pelo menos, o que mais curiosidade desperta. Face ao modelo da anterior geração, que era difícil de classificar, visto estar posicionado entre os segmentos D e E, o novo S60 exibe umas linhas mais modernas e desportivas.

Se dúvidas houver, atente-se no design da grelha e dos pára-choques, desempenhando as jantes “Balder” de 17” com cinco raios um papel preponderante neste domínio. O vermelho que reveste a carroçaria vem dar um pouco de cor a um segmento povoado de propostas cinzentas, azuis e pretas. O que, por si só, merece um aplauso pela coragem e ousadia do importador.

Com o mesmo número de pontos do S60 posicionam-se A4 e Série 3. Comecemos pelo Audi: exibindo linhas dinâmicas e inspiradas, ainda que a berlina não seja a carroçaria mais elegante da gama, o A4 beneficia imenso com a presença de dois opcionais: faróis de Xénon Plus (passando, neste caso, a dispor de luzes diurnas LED) e jantes de 17” com seis raios que fazem parte do pacote Sport. De resto, pouco mais há a acrescentar, a não ser, claro, a imponência da grelha single frame, que se tornou o principal cartão de visita da Audi em termos estilísticos.

do recentemente um ténue facelift, a verdade é que o BMW começa a acusar já o peso da idade. É o único que está equipado com jantes “Streamline” de 16” com cinco raios, por via da afinação ambiental de que dispõe. Para além disso, a opcional cor metalizada azul “Water”, exclusiva desta versão, vem dar uma lufada de ar fresco a uma carroçaria que, verdade seja dita, já pouco interesse tem do ponto de vista estilístico.

Dotados dos melhores materiais, acabamentos muito bons e montagens isentas de falhas, Audi e BMW equivalem-se no domínio da construção. Face ao Volvo, que fica em segundo lugar neste particular, os modelos alemães superiorizam- se pelo simples facto de exibirem um toque mais agradável em alguns materiais existentes nos painéis das portas e pelo som mais abafado proveniente do fecho das mesmas. É certo que uma análise mais rigorosa permite constatar, também, que alguns plásticos existentes no Volvo são menos nobres, mas não é neste último aspecto que reside a principal diferença do S60 para os A4 e Série 3.

Na importante questão da segurança, a Volvo faz jus à sua maior reputação. É um facto que a unidade aqui presente dispõe do opcional pack Driver Support (que contempla cruise-control adaptativo com travagem automática e detecção de peões; alerta de cansaço do condutor; aviso de transposição de faixa sem fazer pisca; e detecção da presença de veículos no ângulo morto). Mas, face a tudo o que têm Audi e BMW, o Volvo adiciona o sistema City Safety, que evita, ou, pelo menos, reduz consideravelmente, as consequências dos embates traseiros abaixo dos 30 km/h. Por isso, a maior pontuação nesta área pertence-lhe com inteira justiça.

Ainda que não inclua encostos de cabeça dianteiros activos, como têm A4 e Série 3, o S60 prefere, contudo, apostar no sistema WHIPS integrado nos bancos da frente, que tem o intuito de desempenhar, na prática, a mesma função dos encostos de cabeça activos. De resto, os três oferecem, de série, seis airbags, fecho automático de portas, fixações Isofix, airbag do passageiro passível de ser desactivado, pré-tensores nos cintos dianteiros, ABS com EBV+BAS e ESP (desligável, em duas fases, no BMW através do botão DTC).

Embora o opcional pacote Sport dê uma ajuda, o Audi A4 tem nas performances e no comportamento dois dos seus principais argumentos

AUDI A4 2.0 TDI A opção pelos faróis de Xénon Plus pressupõe sempre a utilização de luzes diurnas LED

CONFORTO, HABITÁCULO, EQUIPAMENTO
Apesar de estar equipado com châssis Dynamic (em opção está disponível o châssis Four C, com controlo do amortecimento) e jantes de 17”, o Volvo é o mais convincente no que ao conforto diz respeito. Pelo simples facto de a sua suspensão, dotada de uma afinação mais macia, lidar melhor com os desníveis de terreno, acabando por filtrar melhor as irregularidades da estrada. O que se traduz, como sempre, em menores oscilações incómodas e em vibrações presentes em número inferior, quer na coluna de direcção quer no habitáculo.

Já os Audi e BMW, por via da sua afinação mais firme, são os que mais perdem a compostura sempre que o piso não é perfeito. E nem mesmo o facto de o A4 dispor de suspensão desportiva e de jantes de 17”, por força do opcional pacote Sport que o equipa, o torna pior do que o Série 3 nesta matéria. Faz parte do códi go genético dos modelos alemães exibirem um pisar mais rijo e mais sólido, que traz, sem dúvida, vantagens em termos dinâmicos, como mais adiante mencionaremos. Os bancos do Volvo são, ainda, os mais confortáveis.

Embora anuncie a maior distância entre eixos e a bagageira mais volumosa, na análise ao habitáculo e mala, o Audi equivale-se a BMW e Volvo. Tudo porque o espaço disponível no banco traseiro é semelhante ao existente nos seus rivais. Além disso, em arrumação e funcionalidade, o A4 situa-se, também, ao nível dos Série 3 e S60.

Aliás, pondo os pontos nos “i”, temos de confessar que gostámos mais do aproveitamento do espaço no banco traseiro do Volvo, ainda que este perca claramente quando analisadas as malas: 380 litros, contra 480 litros da do Audi e 460 litros da do BMW. Tomadas de 12 Volt e pegas no tejadilho são alguns mimos presentes nestes três familiares de prestígio. Quanto ao útil sistema de retenção de bagagem, apenas o Volvo o disponibiliza de série (Audi e BMW propõem a possibilidade de se optar, mediante o dispêndio de poucas dezenas de euros, por um pacote de arrumação para a bagageira). Apenas uma palavra para o design dos habitáculos: apelativo o do A4; futurista o do S60; antiquado o do Série 3.

Na análise ao equipamento de série, o Volvo não dá qualquer hipótese a Audi e BMW. Embora não disponha de faróis de nevoeiro nem de estojo de primeiros socorros, como os modelos alemães, o modelo sueco é o único que oferece (preste bem atenção): banco do condutor com regulação eléctrica e memória; bancos em pele; retrovisores rebatíveis; entrada USB/iPod; Bluetooth; cruise-control; faróis de Xénon; sensores de estacionamento traseiros; sensores de luz e chuva; e retrovisor interior anti-encandeamento automático.

As relações de caixa mais longas penalizam as recuperações, mas nem na afinação Efficient Dynamics o BMW 320d deixa de ser interessante


POSTO DE CONDUÇÃO, COMPORTAMENTO
Durante os dias em que este comparativo decorreu, o posto de condução que mais nos convenceu foi o do A4. É certo que a presença dos bancos desportivos em pele/Alcântara e do volante desportivo multifunções em pele (mais dois adereços que compõem o supracitado pacote Sport) contribuíram para tal, mas a verdade é que, quer a colocação de todos os comandos, quer a maior amplitude de regulação de todos os ajustes, tornam o Audi mais convincente.

A um ponto de distância surgem Série 3 e S60. Não que sejam ambos menos ergonómicos, mas o compromisso entre o posicionamento do banco e a colocação do volante não é tão agradável nos dois. Seja como for, o condutor tem reunidas todas as condições para desempenhar com competência a sua função em qualquer destes três familiares de prestígio.

Por muito perto que o Volvo esteja dos seus rivais Audi e BMW em termos dinâmicos, fruto até da notória evolução sofrida face ao modelo da anterior geração, a verdade é que não consegue ter a souplesse nem a precisão dos modelos alemães. Por três razões. Primeira: a direcção é menos acutilante e menos comunicativa. Segunda: o comando da caixa é menos agradável, por ser mais renitente. Terceira: a suspensão, mais branda, não evita algum adornar da carroçaria em curva, retirando-lhe precisão nas trajectórias. A motricidade até nem é má. Mas melhor, mesmo, são os travões e os pneus Continental ContiSportContact 3, de medida 215/50R17.

Mais ágeis e mais reactivos, A4 e Série 3 superiorizam- se ao S60. Embora o primeiro disponha de tracção dianteira e o segundo de tracção traseira (estando o BMW mais apropriado para uma condução mais vistosa e malabarista, se for essa a intenção), ambos são mais apurados e mais eficazes em tudo o que fazem, até por via de possuirem direcções mais precisas e comandos das caixas mais agradáveis de manusear.

Os travões de ambas as propostas germânicas oferecem uma boa sensibilidade e resistem relativamente bem às solicitações mais exigentes feitas repetidamente. Embora equipados com pneus desprovidos de qualquer vocação desportiva (Pirelli Cinturato P7, de medida 225/50R17, no Audi; Michelin Energy Saver, de medida 205/55R16, no BMW), a afinação mais firme dos A4 e Série 3 não só atenua essa característica como os posiciona um degrau acima do S60 neste domínio.

Embora disponha de uma sonoridade mais possante, o Volvo S60 não tem performances tão boas nem exibe o apuro dinâmico dos seus rivais

VOLVO S60 D3 Summum O design, o equipamento e a segurança são os principais argumentos do habitáculo

PERFORMANCES E CONSUMOS
Equipados com motores turbodiesel common- -rail de 2,0 litros (5 cilindros em linha no S60; 4 cilindros em linha nos A4 e Série 3), os modelos alemães dispõem de um sistema de regeneração de energia, de um indicador que aconselha a trocar de mudança e de sistema start/stop. Analisando as medições efectuadas, facilmente concluímos que Audi e BMW se equivalem, posicionando- se ambos um degrau acima do Volvo. Facto que se explica pelas melhores acelerações alcançadas pelo Série 3, respondendo o A4 com as melhores recuperações efectuadas nas mudanças mais altas, uma vez que o BMW dispõe de relações de caixa mais longas, por via da afinação Efficient Dynamics que lhe está associada.

Movidos por motores Diesel common-rail de 2,0 litros com mais de 160 cv, Audi e BMW recorrem à função start/stop, ao contrário do Volvo
A consola central futurista é, porventura, o elemento estilístico mais marcante do interior do Volvo. No Audi, são as luzes diurnas que resultam bem. Já no BMW, não há nada que mereça destaque

O S60, que tem uma sonoridade mais possante, revelou-se ligeiramente mais “preguiçoso”, quer nas acelerações quer na maioria das recuperações medidas. Já na distância de travagem, quem registou o melhor valor foi o A4, seguindo-se o S60 e, mais atrás, o Série 3.

Nos consumos, os três modelos equivalem-se, graças à proximidade das médias ponderadas, todas na casa dos seis litros: 6,0 l/100 km no BMW; 6,6 l/100 km no Audi; 6,9 l/100 km no Volvo.

CONCLUSÃO
Por apenas um ponto de vantagem sobre Audi A4 2.0 TDI, e dois sobre BMW 320d Efficient Dy na - mics, o recém-chegado Volvo S60 D3 Summum vence este comparativo. Não tem o rigor de construção, a precisão dinâmica nem as prestações dos Audi e BMW, mas oferece um nível de segurança mais elevado, maior grau de conforto e uma lista de equipamento de série mais completa. A estes argumentos junta-se a maior homogeneidade conquistada na tabela de pontuações, facto que ajuda a explicar porque é que o modelo sueco se tornou, se não uma série ameaça, pelo menos uma alternativa bastante válida aos alemães. E a prova disso mesmo aqui está.
 
 
 
 
 

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