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XL > AutoMotor > Auto Histórias > 70 anos depois
 
 
 
Há mais de 70 anos, Adolf Hitler encarregou Ferdinand Porsche de criar o “carro do povo” alemão e, assim, nasceu o “Carocha”. Agora, a história parece que se vai repetir por decisão de Vladimir Putin...

Texto Rui Faria Fotografia Getty Images
SETEMBRO 2010
 
O “carro do povo” está de volta
 
Os VW que hoje recordamos como “carocha” começaram por ser apelidados como KdF Wagen, qualquer coisa como “carro da força pela alegria”, herdando o nome da federação nazi de trabalhadores, algo equivalente ao que foi a Federação Nacional para a Alegria no Trabalho (FNAT) instituída em Portugal pelo Estado Novo.

O KdF Wagen original estava equipado com um motor de quatro cilindros opostos de 1130 cc e 25 cv de potência. O motor, refrigerado a ar e colocado na traseira, foi uma opção inovadora para um veículo onde a simplicidade da mecânica era o grande suporte da fiabilidade.

Para garantirem a posse de um dos automóveis projectados por Ferdinand Porsche, os trabalhadores alemães tinham de ir colan - do selos de cinco marcos numa caderneta específica e, ao totalizarem 990 Reichmark (o preço máximo estipulado por Hitler), passavam a ter direito ao veículo. Lançado em 1938, o KdF Wagen, que os alemães rapidamente apelidaram de Kafer (escaravelho), foi produzido até ao eclodir da II Guerra Mundial, altura em que as fábricas da Volkswagen em Wolfsburg passaram a produzir componentes para os aviões da Luftwaffe. No entanto, no pós- -guerra, o exército britânico, que governava a região de Wolfsburg, decidiu recuperar a fábrica destruída pelos bombardeamentos dos Aliados, e, em 1946, a Volkswagen já produzia 1000 unidades/mês. O modelo tornou-se um fenómeno de longevidade. Evoluiu ao longo dos anos e foi produzido até 30 de Julho de 2003, altura em que a última unidade saiu da fábrica de Puebla, no Novo México. A história recorda a produção de 21,5 milhões de unidades do “Carocha”.


 
Adolf Hitler mandou produzir o “Carro do Povo”, algo que Vladimir Puttin espera que Mikhail Prokhorov faça na Rússia, mais de 70 anos depois
ESPIRAL DO TEMPO
Esta história é tanto mais actual quanto Vladimir Puttin, o primeiro- ministro da Rússia, anunciou a intenção de lançar um “automóvel para todos”, o mesmo é dizer, o “automóvel do povo”. Tal como Hitler escolheu Ferdinand Porsche, Putin encarregou Mikkail Prokhorov de avançar com o seu projecto e, à semelhança do Führer, também estabeleceu um preço, que deverá ficar abaixo dos 10 000 dólares.

Prokhrov é um dos oligarcas da confiança do primeiro-ministro e proprietário da Onexim. A sua tarefa não parece nada fácil, porque Putin exige uma motorização ao estilo dos “extensores de autonomia” e o projecto assenta num motor eléctrico com baterias de Lítio (uma solução muito cara), passíveis de ser carregadas pela recuperação de energia da travagem e por um pequeno motor de 0,6 litros, alimentado a metano.

Como se tudo isto ainda fosse pouco, Putin pretende também que o modelo – que se vai chamar Mosca – esteja à venda no final de 2011, sendo capaz de atingir os 120 km/h e garantir uma autonomia de 400 km.
 
 
 
 
 

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