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As preocupações ambientais dominaram o Salão de Frankfurt. Entre inúmeras novidades, de todos os géneros e para todos os gostos e bolsas, as marcas empenharam-se em mostrar soluções para tentar minimizar as emissões de CO2, a solução para começar a limpar o ar do planeta

Por António de Sousa Pereira e Rui Faria Fotos Photo 4
OUTUBRO 2007

 
Limpeza total
 
Hoje, já ninguém duvida de que a luta contra as emissões de gases de escape poluentes, sobretudo de CO2, é irreversível. Mesmo para países que se recusam a ratificar o acordo de Quioto, caso dos Estados Unidos e da China.
Num ano em que os construtores se deslocaram ao Salão de Frankfurt carregados de novos modelos, muitas das grande novidades surgiram ao nível dos motores, onde é evidente a procura de uma maior eficiência da combustão, para reduzir consumos e emissões; bem como o aumento da oferta de filtros para limitar a emissão de partículas dos Diesel. Ao mesmo tempo, soluções como as pilhas de energia, motorizações híbridas e combustíveis alternativos entram no léxico do mundo automóvel.

Por isso, se, hoje, ainda são três as perguntas fundamentais para quem se interessa por um automóvel ("quanto dá?", "quanto custa?" e "quanto gasta?"), a indústria tem de pensar também na necessidade de dar rapidamente resposta ao volume de emissões, até porque as marcas estão obrigadas, pelo acordo estabelecido no seio da ACEA (Associação de Construtores), a garantir, até 2008, valores de emissões de CO2 na ordem dos 140 g/km nas suas gamas. Isto apesar de, na reunião da ACEA mantida no decurso do salão, o seu presidente, Sergio Marchionne, ter admitido que é possível pensar em valores na casa dos 120 g/km.

Mas se a ecologia foi o tema de todas as conversas nos pavilhões do IAA de Frankfurt, os protagonistas foram, como sempre, os (muitos) automóveis novos revelados. E, aqui, houve propostas para todos os gostos, inclusivé as mais radicais, capazes de performances alucinantes e em que a preservação ambiental só muito colateralmente terá sido levada em linha de conta no seu desenvolvimento. Ou não continuasse o sonho a ser um dos principais motores desta indústria: prova-o, ainda, o facto de, não obstante o envolvimento ambientalista, ninguém ter arriscado em reduzir o glamour  que sempre envolve um evento desta dimensão...


> ALFA ROMEO Design e estilo foram as grandes apostas da casa italiana em Frankfurt. A par da exibição da gama da marca - destaque para o exclusivo superdesportivo 8C, do qual já foi vendida uma unidade em Portugal (por cerca de 600 mil euros) -, foi apresentado um programa de personalização para todos os seus modelos.

Chama-se "Alfa Unica" e permite a cada cliente fazer com que o seu Alfa seja diferente ao nível do volante, estofos e forros, além de incluir um variado conjunto de elementos de um catálogo que propões três níveis: Vintage, Collezione, e TI (Turismo Internazionale). Enquanto que nos dois primeiros as alterações são estéticas, o TI propõe um châssis rebaixado, mais poder de travagem e performances mais elevadas. O "Alfa Unica" vai estar disponível na rede de concessionários da marca em Portugal no primeiro trimestre de 2008, altura em que o 159 receberá um ligeiro facelift.

 
Artega GT
> ARTEGA Os fabricantes ditos artesanais continuam à procura do seu espaço, e o Artega GT vai nesse sentido: protótipo (bem construído) de um coupé com dois lugares, 4,0 metros de comprimento, 1,88 m de largura e apenas 1,18 m de altura, monta um motor 3.6 -V12 que lhe garante elevadas performances: 270 km/h e 0-100 km/h cumpridos em 3,6 segundos.

Aston Martin DBS
> ASTON MARTIN DBS. Estrela do último filme de James Bond, assim se chama o primeiro modelo lançado pela Aston Martin após a Ford se ter decidido por vender a marca mais prestigiada do seu portfolio.

Com uma aerodinâmica extremamente apurada, e um interior fabuloso - onde se combinam,de forma perfeita, o luxo (garantido, entre outros, pelos materiais requintados), a tradição (acabamentos artesanais de alguns elementos) e a vanguarda (patente em soluções como os opcionais bancos ultraleves compostos por camadas de fibra de carbono e Kevlar) - este é um modelo repleto de pormenores deliciosos, que vão do difusor traseiro em fibra de carbono ao botão que coloca o motor em marcha construído em aço e safira (e que fica vermelho após ser pressionado), passando pela grelha frontal, também ela construída à mão.

Só que, para além de uma aparência soberba, o DBS é também, segundo o seu construtor, como que a versão "civil" do DBR9 que compete nos campeonatos de GT. Daí a sua carroçaria construída em alumínio, fibra de carbono (a sua aplicação na mala, capot e guarda-lamas dianteiros permitiu reduzir o peso em 30 kg) e magnésio; o potente motor 6.0-V12 montado à mão, com admissão variável e capaz de oferecer 510 cv e 570 Nm; os travões carbocerâmicos (pela primeira vez utilizados num Aston Martin de produção, e 12,5 kg mais leves do que os tradicionais); a suspensão com amortecimento electrónico; a transmissão traseira com autoblocante e caixa manual de seis velocidades.

Com tudo isto, esta verdadeira pérola consegue alcançar 302 km/h de velocidade máxima e cumprir os 0-100 km/h em somente 4,3 segundos. As suas primeiras entregas a clientes estão previstas para o primeiro trimestre de 2008, com o preço antes de impostos a rondar os 235 mil euros.

 

> BENTLEY Ao fim de cinco anos de vida, o Continental passa a contar com uma versão desportiva. Depois do coupé GT, do descapotável GTC e da berlina Flying Spur, foi apresentado em Frankfurt o GT Speed.

O motor 6.0-W12 viu a potência aumentar de 560 para 610 cv, e garante o impressionante binário de 750 Nm, logo às 1750 rpm. Com isto, o modelo atinge os 326 km/h e cumpre os 0-100 km/h em 4,5 segundos.

Face ao GT "normal", o Speed conta com um novo spoiler dianteiro e uma grelha frontal escurecida. As diferenças exteriores passam ainda por saídas de escape maiores e jantes de 20" específicas. No habitáculo, onde cada cliente pode escolher quase tudo, destaque para o volante de três braços. Quem tiver 263 mil euros pode fazer, desde já, a sua encomenda em Portugal.

AUDI
Tempo certo



Audi A3 Sportback 1.4 TFSI

A marca de Ingolstadt não podia esperar mais tempo. Depois da renovação da Série 3 da BMW, e do recente lançamento do novo Mercedes Classe C, urgia mostrar o novo A4. O modelo, realizado com base no concept Roadjet, apresentado no ano passado em Detroit, tem desde logo um argumento face à concorrência: 4,70 metros de comprimento, num modelo com 2,8 m de distância entre eixos, que passa a ser referência no segmento.

No design, da autoria da equipa liderada por Walter de'Silva, toma forma uma carroçaria mais volumosa, que ganhou 50 mm em largura (1,82 m), assumindo o bem sucedido estilo inaugurado com o coupé A5. A habitabilidade traseira ultrapassa a que é oferecida pelo Mercedes Classe C, sendo, no mínimo, equivalente à proposta pelo BMW Série 3. Já os 480 litros de capacidade da mala são outra referência da classe.

O novo A4 começará por estar disponível com cinco motores. No campo dos gasolina, além do desportivo 3.2 V6 FSI, que passa a debitar 265 cv, destaque para o 1.8 TFSI (injecção directa de gasolina) com 160 cv, para o qual a Audi reivindica um consumo médio de 7,1 l/100 km. A oferta Diesel passa pelos blocos TDI: no novo 2.0 (143 cv), o sistema injector/bomba da VW deu lugar ao common-rail e o construtor anuncia um consumo médio de 5,5 l/100 km; o 2.7 viu a potência passar de 180 para 190 cv e o 3.0 passa a oferecer 240 cv, contra os anteriores  232 cv.

A qualidade de construção e a habitabilidade serão argumentos que a Audi irá realçar por alturas do lançamento do novo A4, agendado para Novembro nos principais mercados europeus. Já em Portugal, o modelo só estará disponível em Janeiro, com todos os motores atrás referidos, sendo que os preços deverão subir cerca de 1,5% face aos actuais. Em Fevereiro, o motor 2.0 TDI será substituído por um novo bloco com 170 cv; em Abril será apresentada a carrinha Avant.

Poder absoluto
Além do novo A4, a Audi mostrou outras novidades, em que a grande aposta são as elevadas performances. É o caso da RS6 Avant, equipada com um motor V10 - inicialmente desenvolvido para a Lamborghini - que, graças à tecnologia FSI (injecção directa de gasolina), garante 580 cv de potência. Esta break superdesportiva vai surgir no mercado nacional em Maio, com um preço em torno dos 160 mil euros.

A gama Q7 passou a contar com uma versão equipada com o motor 6.0-V12 TDI biturbo com 500 cv e um binário máximo de 1000 Nm. Este novo "super-Q7" monta uma caixa automática Tiptronic, tem a velocidade máxima limitada a 250 km/h e é capaz de cumprir os 0-100km/h em apenas 5,5 segundos. Apesar destas prestações, a Audi reivindica um consumo médio de 11,9 l/100 km, respeitando o modelo todos os limites de emissão de poluentes a entrar em vigor em 2010. O Q7 terá em 2008 também uma variante híbrida, que alia um motor eléctrico de 34 kW a um 3.8 a gasolina de 280 cv.Sendo a nova gama A8 apresentada em detalhe nas pág. 26/27 desta edição, referência final para o novo motor 1.4 TFSI, que, graças à sobrealimentação, garante 125 cv e começará por estar disponível no A3 (preços em Portugal desde 25 900 euros). Outra novidade nesta gama é o motor 1.9 TDI com 105 cv e tecnologia Bluemotion, para reduzir a emissão de poluentes. O preço para Portugal desta versão não está ainda definido. ...


> BRILLIANCE O construtor chinês Brillance JinBei Automobile mostrou o BS2, um hatchback de cinco portas que deverá estar disponível no mercado alemão no próximo Verão. O modelo, projectado com a colaboração da Pininfarina, conta com um motor a gasolina de 1,6 litros. O seu grande argumento será o preço, que se espera seja cerca de 20% mais baixo do que o dos modelos equivalentes da Hyundai.

> CADILLAC A estratégia da marca americana para garantir espaço no mercado europeu assenta muito no BLS (rival dos BMW Série 3 e Mercedes Classe C), realizado com base na plataforma Epsilon, também utilizada pelo Saab 9-3. Depois do lançamento da berlina, chegou agora a break fabricada na Suécia, lado a lado com os Saab. A gama conta com um motor turbodiesel de 1,9 litros com 150 ou 180 cv, para além de opções a gasolina 2.0 Turbo de 210 cv e 2.8-V6 Turbo com 255 cv.

 
Chevrolet Aveo
> CHEVROLET O sucessor do Kalos chama-se Aveo. A chegada deste novo compacto, disponível em versões de três ou cinco portas, está agendada para a Primavera de 2008, e a oferta inclui dois motores a gasolina: 1.2 de 84 cv e 1.4 de 98 cv. Para já, não está prevista a disponibilização de uma versão Diesel, nem foi dada qualquer indicação de preço para Portugal.

O interesse pelos automóveis compactos levou a marca a mostrar três protótipos: Beat, Groove e Trax. O Beat é um pequeno três portas de aspecto desportivo, equipado com um motor 1.2 turbo a gasolina, enquanto que o Groove, assume um estilo crossover, a meio caminho entre uma carrinha e um SUV, apresentando um design retro. Já o Trax  assume um visual que seria normal num pequeno veículo com pretensões a "mini-TT". São três exercícios de estilo que mos- tram que as dimensões reduzidas nem sempre são um óbice à criatividade.

Chrysler Voyager
> CHRYSLER/DODGE Depois da dissolução do Grupo DaimlerChrysler, e da sua aquisição pelo fundo Cerebrus, a Chrysler mostrou a nova Voyager (que deixa de estar disponível em versão "curta"). A carroçaria de linhas mais rectas, com 5,14 metros de comprimento e mais de três entre eixos, oferece muita modularidade e espaço para sete lugares (2+2+3). Em Portugal em Janeiro, na versão 2.8 CRD (177 cv).

O espaço ocupado pela versão "curta" da antiga Voyager será preenchido por outra marca do grupo - a Dodge -, através do Journey, que chegará até nós em Junho, na versão 2.0 CRD (140 cv). Com 4,88 metros de comprimento, este novo monovolume competirá num segmento muito apetecível na Europa (onde pontificam propostas como o VW Touran ou o Opel Zafira) e onde os seus sete lugares serão um trunfo importante.

Citroën C-5 Airstrem

 
Citroën C-Cactus
> CITROËN Para abrir o apetite para o novo C5, a revelar em Março, no Salão de Genebra, a Citroën exibiu em Frankfurt o concept Airscape, antevisão da sua nova berlina. Além do aspecto dinâmico e das formas desportivas, este cabrio 2+2 conta com uma original capota de carbono com comando eléctrico que se esconde na bagageira. O motor turbodiesel 2.7-V6 HDI com filtro de partículas pode trabalhar com biodiesel, contando com o sistema Urban Hybrid, que, abaixo dos 6 km/h, e com a caixa automática de seis velocidades em modo "Drive", desliga o motor sempre que se pisa o travão, voltando a ligá-lo logo que o pedal é libertado.

O sistema conta com um alternador reversível que funciona em conjunto com supercondensadores, armazenando energia nas fases de desaceleração e travagem. Esta energia pode servir como overboost, ajudando a potenciar o motor de 208 cv nas recuperações.

O sistema Snow Motion é outra novidade no Airscape: optimiza as condições de tracção em pisos de muito fraca aderência.

A Citroën afirma que o Snow Motion, aliado à utilização de pneus de Inverno, oferece condições de tracção próximas das apresentadas por veículos de transmissão integral.

Ainda no campo dos protótipos surgiu o C-Cactus. Com 4,2 metros de comprimento e uma volumetria que o coloca entre o C3 e o C4, tem uma carroçaria arrojada na forma e um habitáculo vanguardista, que foi reduzido ao indispensável, apostando numa modularidade que lhe garante uma bagageira com um volume entre 500 e 1100 litros. Equipado com um motor 1.4 HDI de 70 cv dotado de filtro de partículas, associado a um motor eléctrico de 30 cv, é capaz de chegar aos 150 km/h.

> CORVETTE Em 2008, o mais popular desportivo americano contará com ainda mais potência. O V8 de 6,2 litros passa a debitar 436 cv e poderá ser equipado com caixa automática de seis velocidades. Foram igualmente introduzidas melhorias ao nível do châssis e do habitáculo de um modelo que chega aos 306 km/h e cumpre os 0-100 km/h em cerca de 4,3 segundos.



> DAIHATSU Ao mesmo tempo que mostrou o novo Cuore equipado com um motor 1.1, e senhor de uma carroçaria compacta com 3,46 metros de comprimento, a marca apontou o caminho que pretende seguir ao nível da produção de pequenos descapotáveis. Nasceu, assim, o concept OFC-1, um pequeno roadster (3,39 metros) que tem a particularidade de contar com uma capota transparente, ao estilo dos tejadilhos panorâmicos. A abertura dos três elementos em vidro da capota é comandada electricamente, levando 10 segundos a esconder-se na parte posterior do habitáculo, roubando pouco espaço à bagageira.

O protótipo surgiu equipado com um motor turbo de 658 cc e caixa de sete velocidades com comandos no volante.

> FERRARI O novo 430 Scuderia, apresentado na última edição da AutoMotor, foi o modelo em destaque. Mais leve (apenas 1250 kg sem líquidos) e mais potente (510 cv às 8500 rpm) do que o F430 de série, tem uma relação peso/potência de 2,45 kg/cv, o que lhe garante um tempo de 3,6 segundos nos 0-100 km/h, tendo sido cronometrado na pista privada da Ferrari, em Fiorano, com tempos equivalentes ao bem mais potente Enzo.

 

A caixa de velocidades F1-Super Fast 2, um diferencial electrónico E-Diff e o controlo de tracção F1-Track, para além de evoluções ao nível aerodinâmico e na travagem, ajudam às performances de um modelo capaz de chegar aos 320 km/h.

> FIAT O novíssimo 500 viu ser atrasada a sua chegada ao mercado nacional. Foi a grande vedeta do stand da Fiat, e a sua produção não chega para as encomendas, razão pela qual só estará disponível no nosso país em Março próximo.


Fiat Grand Punto Abarth SS

  Ao lado da nova griffe italiana, a marca de Turim mostrou o novo Fiat Bravo,um cinco portas com 4,34 metros de comprimento e uma excelente habitabilidade, que chegará a Portugal em Outubro, com preços desde os 19 000 euros para a versão equipada com o motor 1.4 16V a gasolina. No entanto, a grande novidade é o motor T-Jet, capaz de oferecer 120 ou 150 cv de potência, embora só o mais potente esteja previsto para o nosso país. Em 2008, o motor 1.4 T-Jet estará disponível também no Grande Punto, que vai sofrer um facelift em Janeiro.

Contudo, era no protótipo Panda Ária que estava a grande novidade da Fiat: o novo motor bicilíndrico de 900 cc que anuncia emissões de CO2 inferiores a 70 g/km. Quando chegar à produção, deverá ser proposto em duas versões, destinadas ao 500, ao Panda e ao Grande Punto: atmosférica com cerca de 65 cv e turbocomprida com mais de 100 cv.

Ao mesmo tempo, a Fiat anunciou que a Abarth passará a ser uma "marca" vocacionada para a personalização dos seus modelos. Poderá vir a contar com espaços de venda próprios, ou zonas independentes nos concessionários, processo que está a ser estudado em Portugal, pelo que ainda é cedo para anunciar o início de uma actividade que passa pela oferta de kits SS (Super Sport), os quais permitem que o motor T-Jet de 150 cv chegue aos 180 cv, mas também por todo o tipo de personalização de carroçarias e habitáculos.
 
 
 
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