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XL > AutoMotor > Ensaio > PEUGEOT 407 SW 1.6 HDi Griffe
 
 
A nova Peugeot 407 SW aposta na originalidade do design. Uns gostam e outros nem por isso. Mas em nenhum dos casos se pode contestar a óptima dinâmica desta break francesa equipada com o motor 1.6 HDi

Por Rui Faria Fotos Kevin Knight
NOVEMBRO 2004
 
Design & dinamismo
Ficha TécnicaAs nossas mediçõesA favor/contra
 
Os portugueses são apaixonados pelas breaks, havendo uma quase “carrinhomania” que faz com que este tipo de carroçaria seja muito mais procurado do que as berlinas que lhes estão na génese. Acontece com quase todos os modelos do mercado, e não será diferente no caso do 407, apontando a Peugeot para que 55% das respectivas vendas caibam à SW.

Por isso, a estética é muito importante, porque pode começar por decidir uma compra. E se este ponto é o mais subjectivo, de uma coisa estamos seguros depois deste ensaio: a 407 SW não deixa ninguém indiferente.
Muitos aplaudem a sua forma e outros tantos contestam as suas linhas, que aliam a zona frontal, directamente derivada da berlina, a uma traseira arrojada, feita de linhas curvas, volumosos grupos ópticos, pilares traseiros inclinados e um óculo muito curvo. Para já não falar da discrepância entre uma frente longa e pronunciada, que termina abruptamente numa traseira curta e arredondada.

       
 

O design é discutível, mas não há dúvidas de que a frente alongada nada tem a ver com a traseira
 
       
Durante o ensaio, por várias vezes, ao chegarmos junto da “nossa” 407 SW estacionada, encontrámos várias pessoas em volta dela a trocar impressões diversas sobre o seu desenho ou a bisbilhotar o habitáculo. Em todos os casos, as opiniões estavam divididas. Uns torciam o nariz e outros aplaudiam, como aconteceu quando testemunhámos o entusiasmo de um portageiro da auto-estrada que nos reconheceu o encanto pela estética de um carro de que gostou logo quando o viu pela primeira vez em fotografias.

Geralmente, esta divisão de pontos de vista é positiva para o construtor, porque muitas vezes vimos automóveis consensuais em termos estéticos passarem rapidamente de moda...

Habitáculo e mala
A Station Wagon conserva a mesma distância entre-eixos da berlina (2725 mm), pelo que a sua habitabilidade é semelhante: espaçosa à frente e longe de ser uma referência na traseira, havendo opções no mercado com mais espaço para as pernas. Os 4763 mm de comprimento acabam por ser bem aproveitados para garantir uma grande bagageira, cujo volume pode variar entre 448 litros na configuração normal e 1365 litros com os bancos rebatidos, sendo de destacar que até o banco dianteiro direito se pode rebater para permitir o transporte de grandes volumes. A porta da bagageira pode ser aberta totalmente ou apenas no óculo traseiro, o que aumenta a sua funcionalidade.

       
 
 
         
   
 
 
       
O modelo ensaiado conta com o nível de equipamento Griffe, apresentando um habitáculo que alia a elegância feita da sobriedade dos plásticos escuros, dos estofos em pele e dos embutidos em madeira, onde o desenho da consola central não destoaria numa aeronave, integrando o Pack Navegação (2250 euros).

A qualidade geral merece elogios, apesar de o nível de construção ficar alguns pontos mais abaixo. O banco do condutor apresenta regulações múltiplas, o que favorece uma postura correcta, tanto mais que o volante (regulável em altura) apresenta um ângulo excelente.

       
 
 
       
Já não gostámos tanto da colocação do fecho do cinto de segurança, de difícil acesso devido à presença do apoio central de braço entre os bancos dianteiros.

As barras no tejadilho, fornecidas como equipamento de série em todas as versões, fazem com que a altura da 407 SW seja 41 mm superior à berlina. No entanto, a linha da carroçaria obriga a que as portas posteriores sejam algo baixas, o que condiciona a acessibilidade. Também por culpa do design, a visibilidade traseira é limitada pelo reduzido volume do óculo e pelas dimensões dos pilares posteriores, para já não falar nos centrais, que também não facilitam a vida a quem quer verificar se vem alguém, ao chegar a um cruzamento.

Tal como acontece com a 307 SW, esta break conta com um tejadilho panorâmico em vidro que pode ser coberto nos dias mais quentes por uma cortina com comando eléctrico.

Motor é trunfo
O motor 1.6 HDi de 110 cv está longe de ser uma novidade na Peugeot, estando igualmente disponível em modelos da Ford, marca que participou no seu desenvolvimento. Em termos técnicos, é um expoente de modernidade: cabeça de 16 válvulas, in-jecção directa common-rail de segunda geração, turbocompressor de geometria variável, intercooler e filtro de partículas (FAP), para reduzir a emissão de poluentes.

Se hoje já pensamos em motores turbodiesel com 2,0 litros e perto de 140 ou 150 cv (e até mais), não nos podemos esquecer de que ainda há bem pouco tempo este motores apenas debitavam 110-115 cv. O binário máximo é de 240 Nm logo às 1750 rpm, embora possa chegar até aos 260 Nm por breves instantes quando se pisa o acelerador a fundo. Deste modo, é fácil concluir que a 407 SW 1.6 HDi é um modelo agradável de guiar a qualquer regime, denotando grande elasticidade em cidade como em estrada, apesar da sua potência.

       
 
 
       
Não nos podemos esquecer, contudo, que tem de deslocar cerca de tonelada e meia: o peso desta break. Nestas coisas da relação peso/potência não há milagres. Por isso, da mesma forma que destacamos a sua solicitude e a aparente ausência dos gemidos de esforço – que, para além do mais, são filtrados de forma muito eficaz –, temos de reconhecer que, a partir dos 160 km/h, a progressão é muito mais lenta, perdendo-se alguma da genica que se sente até aí.

Destaque ainda para o correcto escalonamento da caixa manual de cinco velocidades, que contribui para o agrado de condução no meio do tráfego urbano. Assegurando uma boa linearidade na subida de regime numa utilização em estrada, também é uma ajuda importante em termos de economia de combustível, apesar de, numa utilização sem preocupações com a velocidade, termos ultrapassado bastante (8,3 l/100 km) o consumo misto reivindicado pelo construtor (5,6 s/100 km), apesar de este não estar longe dos valores por nós ponderados.

Em conclusão
       
 
 
       
Além da elasticidade do motor, gostámos dos níveis de conforto que garantem um correcto equilíbrio com o comportamento dinâmico, mesmo quando se adopta um ritmo mais vivo em estradas secundárias sinuosas com curvas, que exigem contínuas trocas de apoio. A direcção é eficaz e a posição de condução agradável.

Em resumo, a 407 SW 1.6 HDi é uma break confortável, com um bom comportamento dinâmico e um motor que é um trunfo num país onde a cilindrada paga imposto e o gasóleo pa-rece estar sempre a aumentar de preço. Tudo isto aliado a um preço competitivo, apesar de a versão ensaiada ser claramente a mais dispendiosa desta opção de cilindrada.
 
 
 
 
 

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