Os portugueses são
apaixonados pelas breaks, havendo uma quase “carrinhomania”
que faz com que este tipo de carroçaria seja
muito mais procurado do que as berlinas que lhes
estão na génese. Acontece com quase
todos os modelos do mercado, e não será
diferente no caso do 407, apontando a Peugeot para
que 55% das respectivas vendas caibam à SW.
Por isso, a estética é muito importante,
porque pode começar por decidir uma compra.
E se este ponto é o mais subjectivo, de uma
coisa estamos seguros depois deste ensaio: a 407
SW não deixa ninguém indiferente.
Muitos aplaudem a sua forma e outros tantos contestam
as suas linhas, que aliam a zona frontal, directamente
derivada da berlina, a uma traseira arrojada, feita
de linhas curvas, volumosos grupos ópticos,
pilares traseiros inclinados e um óculo muito
curvo. Para já não falar da discrepância
entre uma frente longa e pronunciada, que termina
abruptamente numa traseira curta e arredondada.
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| O
design é discutível, mas
não há dúvidas
de que a frente alongada nada tem a
ver com a traseira |
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Durante o ensaio, por várias vezes, ao chegarmos
junto da “nossa” 407 SW estacionada,
encontrámos várias pessoas em volta
dela a trocar impressões diversas sobre o
seu desenho ou a bisbilhotar o habitáculo.
Em todos os casos, as opiniões estavam divididas.
Uns torciam o nariz e outros aplaudiam, como aconteceu
quando testemunhámos o entusiasmo de um portageiro
da auto-estrada que nos reconheceu o encanto pela
estética de um carro de que gostou logo quando
o viu pela primeira vez em fotografias.
Geralmente, esta divisão de pontos de vista
é positiva para o construtor, porque muitas
vezes vimos automóveis consensuais em termos
estéticos passarem rapidamente de moda...
Habitáculo e mala
A Station Wagon conserva a mesma distância
entre-eixos da berlina (2725 mm), pelo que a sua
habitabilidade é semelhante: espaçosa
à frente e longe de ser uma referência
na traseira, havendo opções no mercado
com mais espaço para as pernas. Os 4763 mm
de comprimento acabam por ser bem aproveitados para
garantir uma grande bagageira, cujo volume pode
variar entre 448 litros na configuração
normal e 1365 litros com os bancos rebatidos, sendo
de destacar que até o banco dianteiro direito
se pode rebater para permitir o transporte de grandes
volumes. A porta da bagageira pode ser aberta totalmente
ou apenas no óculo traseiro, o que aumenta
a sua funcionalidade.
O modelo ensaiado conta com o nível de equipamento
Griffe, apresentando um habitáculo que alia
a elegância feita da sobriedade dos plásticos
escuros, dos estofos em pele e dos embutidos em
madeira, onde o desenho da consola central não
destoaria numa aeronave, integrando o Pack Navegação
(2250 euros).
A qualidade geral merece elogios, apesar de o nível
de construção ficar alguns pontos
mais abaixo. O banco do condutor apresenta regulações
múltiplas, o que favorece uma postura correcta,
tanto mais que o volante (regulável em altura)
apresenta um ângulo excelente.
Já não gostámos tanto da colocação
do fecho do cinto de segurança, de difícil
acesso devido à presença do apoio
central de braço entre os bancos dianteiros.
As barras no tejadilho, fornecidas como equipamento
de série em todas as versões, fazem
com que a altura da 407 SW seja 41 mm superior à
berlina. No entanto, a linha da carroçaria
obriga a que as portas posteriores sejam algo baixas,
o que condiciona a acessibilidade. Também
por culpa do design, a visibilidade traseira é
limitada pelo reduzido volume do óculo e
pelas dimensões dos pilares posteriores,
para já não falar nos centrais, que
também não facilitam a vida a quem
quer verificar se vem alguém, ao chegar a
um cruzamento.
Tal como acontece com a 307 SW, esta break conta
com um tejadilho panorâmico em vidro que pode
ser coberto nos dias mais quentes por uma cortina
com comando eléctrico.
Motor é
trunfo
O motor 1.6 HDi de 110 cv está longe de ser
uma novidade na Peugeot, estando igualmente disponível
em modelos da Ford, marca que participou no seu
desenvolvimento. Em termos técnicos, é
um expoente de modernidade: cabeça de 16
válvulas, in-jecção directa
common-rail de segunda geração, turbocompressor
de geometria variável, intercooler e filtro
de partículas (FAP), para reduzir a emissão
de poluentes.
Se hoje já pensamos em motores turbodiesel
com 2,0 litros e perto de 140 ou 150 cv (e até
mais), não nos podemos esquecer de que ainda
há bem pouco tempo este motores apenas debitavam
110-115 cv. O binário máximo é
de 240 Nm logo às 1750 rpm, embora possa
chegar até aos 260 Nm por breves instantes
quando se pisa o acelerador a fundo. Deste modo,
é fácil concluir que a 407 SW 1.6
HDi é um modelo agradável de guiar
a qualquer regime, denotando grande elasticidade
em cidade como em estrada, apesar da sua potência.
Não nos podemos esquecer, contudo, que tem
de deslocar cerca de tonelada e meia: o peso desta
break. Nestas coisas da relação peso/potência
não há milagres. Por isso, da mesma
forma que destacamos a sua solicitude e a aparente
ausência dos gemidos de esforço –
que, para além do mais, são filtrados
de forma muito eficaz –, temos de reconhecer
que, a partir dos 160 km/h, a progressão
é muito mais lenta, perdendo-se alguma da
genica que se sente até aí.
Destaque ainda para o correcto escalonamento da
caixa manual de cinco velocidades, que contribui
para o agrado de condução no meio
do tráfego urbano. Assegurando uma boa linearidade
na subida de regime numa utilização
em estrada, também é uma ajuda importante
em termos de economia de combustível, apesar
de, numa utilização sem preocupações
com a velocidade, termos ultrapassado bastante (8,3
l/100 km) o consumo misto reivindicado pelo construtor
(5,6 s/100 km), apesar de este não estar
longe dos valores por nós ponderados.
Em conclusão
Além da elasticidade do motor, gostámos
dos níveis de conforto que garantem um correcto
equilíbrio com o comportamento dinâmico,
mesmo quando se adopta um ritmo mais vivo em estradas
secundárias sinuosas com curvas, que exigem
contínuas trocas de apoio. A direcção
é eficaz e a posição de condução
agradável.
Em resumo, a 407 SW 1.6 HDi é uma break confortável,
com um bom comportamento dinâmico e um motor
que é um trunfo num país onde a cilindrada
paga imposto e o gasóleo pa-rece estar sempre
a aumentar de preço. Tudo isto aliado a um
preço competitivo, apesar de a versão
ensaiada ser claramente a mais dispendiosa desta
opção de cilindrada. |