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Com um
soberbo V10 de 5,0 litros e 507 cv, e tudo
o que de melhor existe para incrementar a
eficácia, o novo M5 não é
só o mais dotado BMW de sempre –
é um dos melhores automóveis
do planeta. Conduzi-lo foi uma experiência
mágica
Por António de Sousa Pereira Fotos
BMW
NOVEMBRO 2004 |
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A sigla M não
é indiferente para nenhum amante dos automóveis.
Nos dias que correm, quando conjugada com o número
5, é sinónimo de magia. De facto,
serão poucos os que acompanham o fenómeno
que não tenham retido já que o novo
M5 é algo de muito especial.
Por isso, da experiência de conduzi-lo, o
mais relavante será tentar traduzi-la em
palavras (assim o engenho não falte...),
e resumir ao máximo os pormenores “acessórios”.
Como os que distinguem o novo M5: algumas cores
exclusivas, spoilers de maiores dimensões,
novas entradas de ar laterais dianteiras, guarda-lamas
alargados, jantes de 19” de desenho exclusivo.
Também não falta, como é da
tradição em todos os M5, es-pelhos
retrovisores exclusivos e quatro ponteiras de escape,
assim como a sigla colocada na tampa da mala e,
pela primeira vez, grelhas embutidas nos guarda-lamas
dianteiros, junto às portas. Tudo compondo
uma “embalagem” discreta, mas com os
sinais suficientes para que os verdadeiros apreciadores
percebam que este não é um Série
5 qualquer.
Anunciado como um modelo que tão bem se adapta
a uma utilização quotidiana como a
uma condução desportiva, o novo M5
dispõe de um interior que o confirma. Habitáculo
e mala oferecem o mesmo espaço que no Série
5 “normal”, mas o ambiente é
um pouco mais desportivo. As diferenças são
ditadas pelo Head-up Display com funções
específicas (ver caixa); pela nova instrumentação
(com mostradores permanentemente iluminados na sua
orla); pelo conta-rotações cuja zona
colorida adapta a sua posição à
temperatura do óleo do motor, logo ao regime
máximo que este pode atingir a cada momento;
pelos botões que permitem configurar a suspensão,
o desempenho da caixa e o rendimento do motor, colocados
junto à alavanca de comando da caixa (cujo
punho é, agora, iluminado).
Luxo e requinte fazem parte dos atributos deste
desportivo. A qualidade geral é soberba,
o equipamento de série completo, a dotação
de dispositivos de segurança inclui tudo
o que se espera de um topo-de-gama. Um toque extra
de exclusividade pretende ser dado pelas aplicações
a imitar madeira incluídas no M5 que me coube
em sorte, mas o gosto discutível desta solução
leva a crer que não será a melhor
opção em mercados como os do sul da
Europa.
3,2,1... Go!
Apesar da chuva que caíu em Munique durante
os dois dias em que lá estive para conduzir
o mais potente BMW de sempre, nem por isso a minha
ânsia e entusiasmo esmoreceram. Apenas tive
que refrear ímpetos e adoptar as cautelas
que utilizar um modelo com 507 cv nestas condições,
na via pública, sempre implica. Ainda antes
disso, a BMW colocou à disposição
dos jornalistas uma pista de aviação
onde era possível ficar a conhecer melhor
o modelo e testar em absoluta segurança algumas
das suas capacidades.
Já sentado, as enormes patilhas situadas
atrás do volante, destinadas a controlar
o modo sequencial da caixa de velocidades, actuam
sobre mim como um iman, cativando a minha atenção.
Explicados os modos de funcionamento da caixa SMG
III, do controlo de estabilidade, do amortecimento
pilotado e da resposta do motor (ver caixa), e como
efectuar a respectiva configuração,
o passo se-guinte era realizar uma prova de aceleração
numa recta com mais de 2,5 quilómetros.
Informado de que a função Launch Control
de arranque “a fundo” (ou partida à
la F1...) só poderia ser utilizada uma vez,
pelo esforço que implica para a mecânica
(mormente para a embraiagem), não me fiz
rogado, e utilizei tal prerrogativa logo na primeira
vez. Primeira engrenada, acelerador a fundo, punho
da caixa libertado, e cá vou eu: com uma
força incrível, fico colado às
costas do banco, ao mesmo tempo que a agulha do
velocímetro progride de forma inacreditável.
Uma experiência única.
Num apíce se atingem os 100 km/h (4,7 segundos),
os 200 km/h (15 segundos) e os 250 km/h que este
M5 tem como velocidade máxima electronicamente
limitada (267 km/h no velocímetro, atingida
em 6ª por volta das 5000 rpm!). A cada passagem
de caixa, apesar da intervenção do
condutor ser nula, sente-se toda a mecânica
a funcionar, a embraiagem a escorregar para garantir
a máxima motricidade, parecendo não
existirem quebras de potência entre elas.
Passo seguinte: um slalom, a realizar por três
vezes – com o controlo de estabilidade DSC
ligado; com este no modo menos interventivo M Dynamic
Mode (ver caixa); e totalmente desligado. Como seria
de prever, o primeiro é o mais seguro e menos
emocionante. O segundo, surpreendentemente, permite
desfrutar de bastante emoção, só
actuando nos limites (nalguns casos, parece até
que para além destes...).
Desligado o DSC, as coisas assumem outras proporções:
ao mínimo abuso sobre acelerador e direcção,
a traseira do M5 ganha vida própria, e o
seu controlo exige perícia e sabedoria. Decididamente,
a não utilizar em piso molhado (fala a experiência...).
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Letra
Mágica
O departamento da BMW responsável
pelos seus modelos mais desportivos
(hoje M, criado como BMW Motorsport)
lançou a primeira geração
do M5 há 20 anos. Produzido entre
1984-87, o primeiro M5 montava um seis
cilindros com 277 cv oriundo do M1 e
vendeu 2200 unidades, totalmente produzidas
à mão.
Entre 1988-95 foi fabricada a segunda
geração do M5, a única
disponível também em versão
Touring (lançada em 1992). Era
animada por um 6 cilindros com 315 cv,
e que no final de vida oferecia 340
cv. Foram vendidas 12000 unidades desta
geração.
Em 1998 o M5 recorreu pela primeira
vez a um motor de cilindros em V, no
caso um 5.0-V8 de 400 cv. Foram entregues
mais de 20000 unidades deste modelo,
capaz de cumprir os 0-100 km/h em 5,3
segundos.
No ano em que comemora o seu 20º
aniversário, a saga M5 continua
com a nova geração, da
qual a BMW espera vender mais de 20000
unidades. Só em 2005, a M prevê
entregar 5000 M5, 20000 M3 e ainda 20000
veículos oriundos da Individual,
o programa de personalização
da BMW, onde é possível
fazer quase tudo excepto... alterar
a mecânica. |
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