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Para muitos, um Mini, apesar de altamente desejável, é um capricho. É um modelo egoísta, mas que garante muito prazer ao condutor. Espaço atrás e mala são coisas que não fazem parte do seu ADN. E a versão Clubman foi mais uma derivação de estilo do que uma tentativa de colmatar essa limitações do modelo base.
O novo Countryman foi uma jogada de mestre. E não foi só pela polivalência da maior altura ao solo com possibilidade de ter tracção integral. Isso é um bónus. O que a Mini conseguiu com o Countryman foi lançar um modelo racional, com a pitada de emoção inerente à marca.
E se pensarmos que os preços da versão One D de 90 cv começam nos 24 750 euros, percebe- -se que a estratégia não foi nada mal montada. O leitor poderá pensar que, mesmo por este preço, há opções de compra bem melhores e até mais bonitas. Até poderíamos concordar, mas então não é daqueles que suspira sempre que um Mini passa. E é nesses que a Mini estava a pensar quando desenvolveu o Countryman. Naqueles que queriam um Mini Clubman, mas a razão impedia, por ser caro face ao espaço que oferece. Agora, já só é caro...
FIEL À IMAGEM
A Mini by BMW também nunca foi conhecida por ter modelos baratos, e o Countryman mantém- se fiel à filosofia da marca, como o prova este Cooper D 4x2 ensaiado, que custa 27 750 euros. Isto antes de alguém lhe mostrar a lista de opções... É que quem compra um Mini também é pessoa para ter dificuldade em recusar alguns extras, que vão desde a personalização exterior até várias configurações do interior. Temos de confessar que a tentação é enorme e (quase) tudo é... fundamental!
No caso do protagonista deste ensaio, são vários os opcionais incluídos, que vão desde o Pacote Chili até aos sensores de estacionamento traseiros, apenas para dar alguns exemplos. O valor total final? Pois são uns menos interessantes 32 990 euros.
Sentados ao volante, não há dúvidas de que estamos num Mini. O velocímetro enorme ao centro e o conta-rotações no topo da coluna de direcção são o habitual cartão de visita, para não falar dos diversos comandos tipo switch, que convidam a olhar e a tocar. O plástico continua a ser o material de eleição no interior, apesar de o bom gosto e dos novos revestimentos atenuarem esta crítica.
Os comandos do rádio (pelo menos os deste Mini Boost CD) foram simplificados e o rail que separa os bancos é a maior novidade do Countryman, aqui se podendo colocar pequenos objectos e fazer correr um porta-óculos sobre as calhas. De resto, e à excepção das bolsas nas portas, resta apenas o porta-luvas para pequenas arrumações, onde já está instalado o manual, que ocupa algum volume.
| A condução do Countryman entusiasma desde o primeiro minuto, mas o preço do Cooper D podia ser mais simpático, sobretudo quando há muitos opcionais sem os quais nenhum fã da Mini consegue sobreviver... |
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ESPAÇO ATRÁS
Antes de arrancar, há tempo para uma visita aos lugares traseiros, que, para nossa surpresa, são muito mais cómodos e espaçosos do que à partida faziam antever. Uma olhadela à ficha té cni ca lembra-nos que este Mini tem mais de quatro metros de comprimento e uma distância entre eixos de quase 2,60 metros.
Como estes bancos podem mover-se para a frente e para trás, a liberdade para as pernas é muito boa, com a mala a ficar nos 350 litros. Além disso, o rebatimento 40/20/40 permite uma grande versatilidade de configurações, o que também foi bem pensado no aproveitamento do espaço. Os comandos dos vidros traseiros também são do tipo switch. E são lindos!
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Os lugares traseiros são mais espaçosos e confortáveis do que à partida faziam antever
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A boa impressão que se vai criando deste Mini à medida que o descobrimos cresce assim que a condução começa. O conforto é a primeira surpresa face aos outros Mini, o que nos leva a suspeitar de que o comportamento tenha perdido agilidade e eficácia, sobretudo num modelo que é mais alto e pesado. Nada mais errado.
A boa largura de vias e o facto de as rodas estarem colocadas nos extremos da carroçaria suportam muito bem a afinação mais branda da suspensão, sem deixar de oferecer ao Countryman uma atitude em curva que entusiasma desde o primeiro momento. A dianteira incisiva, a direcção com óptimo tacto, a competência da travagem e o bom manuseamento da caixa revelam cedo que os 112 cv do motor Diesel 1.6 da BMW não têm pedalada para as qualidades do châssis.
IIsto porque, nesta fase, já vamos a descer a estrada para a Ericeira com a mania que somos o Jean Ragnotti... Na verdade, se pensarmos no cliente tipo do Cooper D, o motor até dá muito bem conta do recado, com uma aceleração consistente e decidida, ajudada pelo correcto escalonamento da caixa manual de seis velocidades. Aliás, dá tão bem conta do recado que até impele o condutor a guiar num ritmo para o qual este modelo não foi (teoricamente...) concebido. Num arranque a fundo chegamos aos 100 km/h em 10,1 segundos e a velocidade máxima anunciada é de 185 km/h. No papel, não parecem valores do outro mundo, mas ao volante são muito mais interessantes... E tudo isto com consumos comedidos.
FORA DO ASFALTO
Em caminhos mais acidentados, a altura ao solo é suficiente para não tocar no chão à mínima saliência, o que dá algum descanso quando o caminho não tem asfalto. Está longe de ser um todo-o-terreno, mas não se pense que este Mini fica no primeiro obstáculo... E o nosso tem apenas tracção dianteira.
Existe a possibilidade de optar por um Countryman All4 com trac ção integral, mas vai ficar sempre a dúvida de se é uma necessidade ou um capricho. Se bem que a ideia de um Mini “allroad” parece-nos... genial!
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