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XL > AutoMotor > Ensaio > Mini Countryman Cooper D
 
 
 
O novo Countryman parece-nos uma jogada de mestre da M ini. O mesmo ADN, agora com espaço e mais confor to. E, para quem quiser, com tracção integral All4. Nós ensaiámos o Cooper D com tracção dianteira e fomos seduzidos

Texto Luís Guilherme FotografiaMiguel Ângelo Silva
NOVEMBRO 2010
 
Master mini
Ficha TécnicaAs nossas mediçõesA favor/contra
 

Para muitos, um Mini, apesar de altamente desejável, é um capricho. É um modelo egoísta, mas que garante muito prazer ao condutor. Espaço atrás e mala são coisas que não fazem parte do seu ADN. E a versão Clubman foi mais uma derivação de estilo do que uma tentativa de colmatar essa limitações do modelo base.

O novo Countryman foi uma jogada de mestre. E não foi só pela polivalência da maior altura ao solo com possibilidade de ter tracção integral. Isso é um bónus. O que a Mini conseguiu com o Countryman foi lançar um modelo racional, com a pitada de emoção inerente à marca.

E se pensarmos que os preços da versão One D de 90 cv começam nos 24 750 euros, percebe- -se que a estratégia não foi nada mal montada. O leitor poderá pensar que, mesmo por este preço, há opções de compra bem melhores e até mais bonitas. Até poderíamos concordar, mas então não é daqueles que suspira sempre que um Mini passa. E é nesses que a Mini estava a pensar quando desenvolveu o Countryman. Naqueles que queriam um Mini Clubman, mas a razão impedia, por ser caro face ao espaço que oferece. Agora, já só é caro...

FIEL À IMAGEM
A Mini by BMW também nunca foi conhecida por ter modelos baratos, e o Countryman mantém- se fiel à filosofia da marca, como o prova este Cooper D 4x2 ensaiado, que custa 27 750 euros. Isto antes de alguém lhe mostrar a lista de opções... É que quem compra um Mini também é pessoa para ter dificuldade em recusar alguns extras, que vão desde a personalização exterior até várias configurações do interior. Temos de confessar que a tentação é enorme e (quase) tudo é... fundamental!

No caso do protagonista deste ensaio, são vários os opcionais incluídos, que vão desde o Pacote Chili até aos sensores de estacionamento traseiros, apenas para dar alguns exemplos. O valor total final? Pois são uns menos interessantes 32 990 euros.

Sentados ao volante, não há dúvidas de que estamos num Mini. O velocímetro enorme ao centro e o conta-rotações no topo da coluna de direcção são o habitual cartão de visita, para não falar dos diversos comandos tipo switch, que convidam a olhar e a tocar. O plástico continua a ser o material de eleição no interior, apesar de o bom gosto e dos novos revestimentos atenuarem esta crítica.

Os comandos do rádio (pelo menos os deste Mini Boost CD) foram simplificados e o rail que separa os bancos é a maior novidade do Countryman, aqui se podendo colocar pequenos objectos e fazer correr um porta-óculos sobre as calhas. De resto, e à excepção das bolsas nas portas, resta apenas o porta-luvas para pequenas arrumações, onde já está instalado o manual, que ocupa algum volume.

A condução do Countryman entusiasma desde o primeiro minuto, mas o preço do Cooper D podia ser mais simpático, sobretudo quando há muitos opcionais sem os quais nenhum fã da Mini consegue sobreviver...

ESPAÇO ATRÁS
Antes de arrancar, há tempo para uma visita aos lugares traseiros, que, para nossa surpresa, são muito mais cómodos e espaçosos do que à partida faziam antever. Uma olhadela à ficha té cni ca lembra-nos que este Mini tem mais de quatro metros de comprimento e uma distância entre eixos de quase 2,60 metros.

Como estes bancos podem mover-se para a frente e para trás, a liberdade para as pernas é muito boa, com a mala a ficar nos 350 litros. Além disso, o rebatimento 40/20/40 permite uma grande versatilidade de configurações, o que também foi bem pensado no aproveitamento do espaço. Os comandos dos vidros traseiros também são do tipo switch. E são lindos!

Os lugares traseiros são mais espaçosos e confortáveis do que à partida faziam antever

A boa impressão que se vai criando deste Mini à medida que o descobrimos cresce assim que a condução começa. O conforto é a primeira surpresa face aos outros Mini, o que nos leva a suspeitar de que o comportamento tenha perdido agilidade e eficácia, sobretudo num modelo que é mais alto e pesado. Nada mais errado.

A boa largura de vias e o facto de as rodas estarem colocadas nos extremos da carroçaria suportam muito bem a afinação mais branda da suspensão, sem deixar de oferecer ao Countryman uma atitude em curva que entusiasma desde o primeiro momento. A dianteira incisiva, a direcção com óptimo tacto, a competência da travagem e o bom manuseamento da caixa revelam cedo que os 112 cv do motor Diesel 1.6 da BMW não têm pedalada para as qualidades do châssis.

IIsto porque, nesta fase, já vamos a descer a estrada para a Ericeira com a mania que somos o Jean Ragnotti... Na verdade, se pensarmos no cliente tipo do Cooper D, o motor até dá muito bem conta do recado, com uma aceleração consistente e decidida, ajudada pelo correcto escalonamento da caixa manual de seis velocidades. Aliás, dá tão bem conta do recado que até impele o condutor a guiar num ritmo para o qual este modelo não foi (teoricamente...) concebido. Num arranque a fundo chegamos aos 100 km/h em 10,1 segundos e a velocidade máxima anunciada é de 185 km/h. No papel, não parecem valores do outro mundo, mas ao volante são muito mais interessantes... E tudo isto com consumos comedidos.

FORA DO ASFALTO
Em caminhos mais acidentados, a altura ao solo é suficiente para não tocar no chão à mínima saliência, o que dá algum descanso quando o caminho não tem asfalto. Está longe de ser um todo-o-terreno, mas não se pense que este Mini fica no primeiro obstáculo... E o nosso tem apenas tracção dianteira.

Existe a possibilidade de optar por um Countryman All4 com trac ção integral, mas vai ficar sempre a dúvida de se é uma necessidade ou um capricho. Se bem que a ideia de um Mini “allroad” parece-nos... genial!

 
 
 
 
 

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