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O novo CX-7 assume-se como uma das estrelas mais cintilantes do universo Mazda, distinguindo-se pela estética irresistível, pela boa habitabilidade e pela envolvência dinâmica, atribuída pelo motor turbo a gasolina 2.3 de 260 cv e eficácia da suspensão. O pior é que os consumos são também de outro planeta
Por Nelson Oliveira fotos Miguel Angelo Silva
DEZEMRO 2007 |
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A Mazda surge em Portugal com uma proposta muito aliciante para quem deseje um «verdadeiro» familiar capaz de permitir um elevado prazer de condução. Trata-se do SUV compacto CX-7, que procura marcar a diferença na sua classe pela sua acentuada orientação dinâmica.
Esta postura não se esgota nas suas linhas musculadas e atléticas, fazendo-se sentir na forma como o habitáculo está orientado para o condutor, na presença do motor sobrealimentado a gasolina de 2,3 litros e 260 cv, oriundo das versões desportivas MPS dos Mazda 3 e 6, bem como nas afinações desportivas da suspensão.
Como estamos a falar de um SUV, a potencial clientela do CX-7 tem ainda direito a um habitáculo espaçoso, a uma bagageira ampla e à polivalência oferecida pelo sistema de tracção integral.
Este cocktail entre funcionalidade e dinâmica é muito tentador, mas não deixa de ter alguns efeitos secundários, que se fazem sentir especialmente no orçamento familiar.
PRESENÇA IMPONENTE
Por norma, a estética não é um tópico que justifique muitos elogios da nossa parte, tendo em conta a sua subjectividade. Mas, neste caso, é impossível ignorar o impacto estético do CX-7, que nos cativa, de imediato, pela sua frente mergulhante, pela sua traseira de formas robustas e vincadas e pelo seu perfil atlético.
A expressividade das suas linhas leva o condutor a tornar-se num foco de atenções entre o trânsito citadino, sendo poucos os transeuntes que resistem a um segundo olhar. Pelo facto de ser capaz de provocar a inveja de outros condutores, a estética acaba por ser um dos seus melhores trunfos do CX-7 num mercado em que as aparências são quase sempre decisivas na compra de um automóvel.
Este encanto visual não se desvanece quando acedemos ao habitáculo. O ambiente interior é muito envolvente e sofisticado, pontuado por pequenos detalhes desportivos, como as formas aerodinâmicas do painel de instrumentos, que dispõe de mostradores em fundo vermelho. A consola central inclinada com contornos cromados não só é agradável à vista como também é bastante funcional, organizando de forma lógica todos os principais instrumentos do ar condicionado automático e do sistema áudio Bose.
Os materiais e revestimentos utilizados têm uma aparência consistente, mas não são tão agradáveis ao toque como parecem. Um exemplo disso é o revestimento aplicado no topo do tablier, que simula um toque esponjoso, mas que, ao primeiro tacto, revela ser plástico duro. Já a qualidade de montagem não merece grandes reparos.
Mais agradável é a forma como o habitáculo está orientado para o condutor, que se traduz numa boa posição de condução, isto apesar da ausência de algumas regulações habituais, como o ajuste em alcance do volante. O volante em couro de espessura correcta e o bom posicionamento da caixa de velocidades, que surge numa posição elevada no fundo da consola central, são outros elementos que antecipam bons momentos de condução.
O habitáculo do CX-7 proporciona também uma boa qualidade de vida aos restantes passageiros, que podem beneficiar de uma ampla liberdade de movimentos, tanto à frente como atrás. Os bancos traseiros são bastante confortáveis e oferecem um bom espaço para as pernas dos ocupantes, integrando ainda, no banco do meio, um apoio de braços com dois porta-copos. Os 455 litros de capacidade da bagageira são suficientes para acomodar as bagagens familiares em viagens de férias, embora o acesso elevado à plataforma de carga dificulte a colocação de objectos mais pesados. Quando é necessário mais espaço, a bagageira deste SUV dispõe de alavancas para rebater num só movimento os bancos traseiros (na proporção 60:40), elevando a sua capacidade até 1348 litros.
RITMO ACELERADO
O motor 2.3 DISI de 260 cv, de injecção directa a gasolina e turbo com intercooler, é uma peça fulcral da vocação desportiva do CX-7. Mas, antes de avaliarmos o seu desempenho dinâmico, somos confrontados com a impressionante suavidade deste bloco, cujo arranque é praticamente isento de vibrações, sendo por vezes complicado perceber o seu ruído de funcionamento logo após rodar a chave de ignição.
Dispondo de um binário máximo de 380 Nm a partir das 2500 rpm, este propulsor mostra, acima deste patamar de rotações, uma faceta muito aguerrida, respondendo energicamente a todas as solicitações do condutor. Mesmo tratando-se de um SUV compacto, não deixa de ser impressionante a facilidade com que o CX-7 atinge regimes elevados, sendo aconselhável não perder de vista o velocímetro, pois os limites legais de velocidade são quebrados em poucos segundos. A caixa manual de seis velocidades também contribuiu para este ritmo acelerado, graças à sua precisão e rapidez. No entanto, a última relação desta transmissão revela-se algo longa, servindo apenas para atenuar os consumos. Apesar de todos os esforços de contenção, a média de consumos deste CX-7 mete respeito pela negativa, ficando ligeiramente acima dos 13,0 litros. Este valor dispara facilmente para fasquias ainda mais incomportáveis sempre que não se consegue resistir ao temperamento explosivo deste motor.
As afinações firmes da suspensão, McPherson à frente e multi-link atrás, e as jantes de jantes de 18" são ingredientes que garantem uma eficácia dinâmica à altura da disponibilidade do motor. O CX-7 responde com precisão e agilidade aos movimentos da direcção, sem denunciar em demasia o rolamento da carroçaria, transmitindo a confiança necessária para abordar trajectórias em ritmos cada vez mais vivos. Apesar da sua firmeza, a suspensão consegue poupar os ocupantes a trepidações demasiado incómodas.
Além da competência em asfalto, CX-7 conta com sistema de tracção integral, que distribui automaticamente o binário até 50% entre os dois eixos, para se aventurar com à vontade em pisos de terra batida e percursos relativamente acidentados, abrindo novos horizontes às férias familiares. Como é óbvio, a prática mais radical de todo-o-terreno não é aconselhável, devido às limitações naturais da carroçaria.
Proposto por 47 800 euros e com uma dotação de equipamento generosa, o CX-7 Sport até está num patamar de preço interessante quando comparado com alguns SUV premium, como o BMW X3, mas terá muitas dificuldades em fazer face às suas versões Diesel e ao prestígio do seu emblema. |
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