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XL > AutoMotor > Comparativos > FORD FIESTA 1.25i TITANIUM vs MAZDA2 MZR 1.3 SPORT vs RENAULT CLIO 1.2 16V DYNAMIQUE S
 
 
 
Ao novo Fiesta não falta atitude nem irreverência para singrar na classe dos utilitários. Munido do motor 1.25i, associado à carroçaria de três portas, este pequeno Ford surge também com um preço agressivo. Falta agora saber se tem estofo para aguentar a concorrência imposta pelo Mazda2 e pelo Renault Clio nas suas versões a gasolina mais competitivas

Por Nelson Oliveira Fotos Miguel Ângelo Silva
DEZEMBRO 2008
 
PRIMEIRAS EMOÇÕES
Ficha TécnicaAs nossas mediçõesPontuaçãoA favor/contra
 
O Ford Fiesta está mais jovem do que nunca, procurando assumir-se como uma lufada de ar fresco na sua classe, através de uma atitude desafiadora e irreverente. Na sua versão de três portas, equipada com o motor a gasolina 1.25i de 82 cv, o utilitário da Ford está especialmente orientado para quem procura o seu primeiro automóvel e ainda não tem segurança financeira para grandes voos.

Mas, para se tornar o alvo preferido deste público jovem, o Fiesta tem de superar uma concorrência feroz, incluindo as versões de três portas do Mazda2 e do Renault Clio. O primeiro é um “primo” muito próximo do modelo da Ford, com o qual partilha a plataforma, e que também aposta num visual vincadamente dinâmico e numa relação preço/equipamento competitiva, bem patente na versão 1.3 de 86 cv. Já o Clio pode não ter uma imagem tão aguerrida, mas na versão 1.2 de 75 cv mostra os valores seguros e sólidos já reconhecidos deste utilitário, que fizeram dele uma das referências da sua categoria.

Apesar de o novo Fiesta apostar muito no estilo, terá também de mostrar que tem substância para conseguir distinguir-se destes dois rivais de peso.

Estética, Construção, Segurança

   

FORD FIESTA 1.25I TITANIUM
O habitáculo do Ford Fiesta é dominado pela nova consola central com um design inspirado nos telemóveis de última geração. O plástico prateado que a envolve é consistente e não cede sobre pressão. O mesmo já não se pode dizer dos plásticos duros da parte inferior do tablier
   
A aparência do novo Fiesta consegue marcar bem a diferença para os seus rivais. Mesmo o Mazda2, com as suas linhas vincadas e aguerridas, é praticamente ofuscado pelo impacto estético deste novo Ford. É claro que as cores das carroçarias também ajudam, pois o Fiesta surge com uma tonalidade verde electrizante, chamada Squeeze, enquanto o Mazda tem um cinza mais apagado. Já o Clio está longe de reflectir uma imagem jovem e dinâmica, acusando o desgaste da sua já longa carreira, o que lhe vale o último lugar do pódio nesta análise.

O Fiesta é um justo vencedor na categoria da estética pela forma como se demarca da concorrência e chama as atenções entre o trânsito, um factor a que um público jovem não é indiferente. Importa ressalvar que a unidade avaliada contava com a ajuda de alguns apêndices estéticos opcionais, como a grelha com friso cromado e o spoiler e o pára-choques traseiros desportivos (kit carroçaria desportiva, proposto por 500 euros). De qualquer forma, mesmo sem estes adereços, o Fiesta continua a merecer o triunfo, sendo que alguns dos elementos, como o deflector traseiro de grandes dimensões, até nos parece algo exagerado e dispensável.

Após ter sido traído pela sua aparência pouco expressiva, o Clio começa a mostrar os seus trunfos na qualidade de construção. O utilitário francês distingue-se de imediato pelo revestimento esponjoso aplicado em todo o tablier, algo pouco habitual na classe, e que ajuda a minimizar folgas entre painéis. Já os plásticos utilizados na consola central são menos consistentes quando pressionados, notando-se alguma propensão para ruídos. Não nos vamos alongar sobre os plásticos duros aplicados nas zonas inferiores e painéis das portas, cuja qualidade é pouco recomendável, pois também não se podem esperar “milagres” em modelos que têm de ser acessíveis.


   

MAZDA2 MZR 1.3 SPORT
O Mazda2 apresenta um ambiente interior espartano, que constrasta com as dinâmicas linhas exteriores. A qualidade dos plásticos utilizados também não é a melhor e a ligação dos diversos painéis que compõem o tablier revela algumas falhas. Já a posição da alavanca da caixa é boa
   
Se o Clio é uma das referência no campo da construção, o Fiesta mostra que está à altura de ombrear com os melhores do segmento. No Ford, não temos direito a um revestimento esponjoso tão extenso como no Clio, o qual se fica pela zona central do tablier. Mas, por outro lado, o plástico prateado aplicado na consola central é bem mais consistente do que o do rival francês, mostrando-se menos propenso a ruídos quando pressionado. Por isso, o Fiesta acaba por ficar no mesmo patamar do Clio. O Mazda2 não tem qualquer hipótese de se intrometer nesta disputa, pois todo o tablier é composto por uma mistura de painéis de plásticos duros, cujas ligações não são muito conseguidas, tornando visíveis várias folgas. O plástico da consola central ainda aparenta ser robusto, mas acaba por denunciar um “ranger” plástico sob pressão.

A forte aposta da Renault no campo da segurança reflecte-se numa vantagem clara face aos seus rivais de ocasião: é o único que dispõe de cintos traseiros com pré-tensores e limitadores de esforço, bem como de desactivação do airbag do passageiro e trancamento automático de portas. O Fiesta também pode ter estes últimos dois dispositivos activos, mas só através de uma operação, sem custos, no concessionário. Só que o modelo da Ford é o único que não dispõe de airbags de cortina, o que lhe vale o último posto nesta categoria.

Conforto, Habitáculo, Equipamento

   

RENAULT CLIO 1.2 16V DYNAMIQUE S
O ambiente interior do Clio acusa já algum degaste visual. No entanto, a qualidade de construção continua em bom plano, destacando-se o amplo revestimento esponjoso que percorre o tablier. A posição de condução é o ponto mais fraco do habitáculo do Clio, exigindo alguma habituação
   
O Clio volta a ter primazia quando avaliamos qual destes utilitários é o mais brando com os passageiros. O modelo francês distingue-se por um rolamento mais suave e confortável, lidando melhor com as irregularidades do que os seus rivais. Esta diferença nota-se especialmente face ao Mazda2, cujas afinações mais firmes da suspensão provocam trepidações constantes em mau piso. O Fiesta não é propriamente “macio”, mas consegue suportar melhor os “maus” caminhos e poupar os passageiros a trepidações demasiado incómodas.

O espaço interior a bordo destes três modelos não se pode classificar como abundante, mas chega para transportar com algum à-vontade quatro passageiros, pois o lugar do meio é impraticável. O Fiesta consegue oferecer uma folga ligeiramente maior para as pernas dos ocupantes do banco traseiro, dispondo também de mais soluções de arrumação nesta área, incluindo bolsas laterais com espaço para garrafas pequenas. Na secção dianteira, os espaços para pequenos objectos não são muito generosos, mas são práticos de alcançar.

O Clio fica-se dentro da média ao nível do espaço para as pernas dos ocupantes do banco traseiro, bem como da capacidade da bagageira, que é quase igual à do Fiesta. À frente, os espaços de arrumação estão presentes em bom número, mas alguns não são muito práticos de alcançar, como é o caso das bolsas laterais estreitas e numa posição demasiado baixa.

Já o Mazda2 acaba por ficar para trás nesta análise. Isto porque é ligeiramente mais acanhado nos bancos traseiros face ao Clio e, sobretudo, por ter menos soluções de arrumação para pequenos objectos e pela bagageira de menores dimensões, a qual fica a cerca de 40 litros das dos seus rivais.


   

O deflector traseiro vinca bem a atitude aguerrida do Fiesta. Tanto o Clio como o Mazda2 têm detalhes mais subtis, mas elegantes
   
A dotação de equipamento de série deste trio é muito interessante para a classe. O Fiesta surge na sua versão mais expressiva, Titanium, beneficiando ainda de uma campanha de lançamento que lhe atribuiu equipamentos adicionais, como o sistema Bluetooth com controlo de voz em português e a ficha de ligação USB. Esta oferta, no valor de 400 euros, está limitada ao stock inicial de modelos pedidos pelo importador para o nosso mercado, o qual deverá estar disponível até perto do final deste ano. Face aos seus rivais, o utilitário da Ford apresenta apenas mais um item exclusivo, na forma da regulação em profundidade da direcção.

O Mazda2 apresenta-se também no seu nível de topo, Sport, o qual avança com os retrovisores retrácteis para se distinguir da concorrência de ocasião. Já o Clio defende-se com um nível intermédio, o Dynamique S, mas consegue mesmo assim apresentar dois exclusivos e interessantes itens: os faróis de curva e os sensores de luz e de chuva.

Feitas as contas finais, nenhuma destas exclusividades acaba por justificar a vitória neste campo sempre sensível para os clientes nacionais, pois não chegam a superar o valor definido para um ponto de diferença, embora o Fiesta seja o modelo que ofereça os itens mais apetecíveis para um público jovem e adepto das novas tecnologias, muito por culpa da oferta de lançamento.

Posto de condução, Comportamento
A forma de assumir o posto de comando neste utilitários é mais natural no Fiesta e no Mazda2. Ambos oferecem um volante com excelente pega e uma boa colocação dos pedais e instrumentos.

O Fiesta tem a vantagem de se poder ajustar a direcção em profundidade caso seja necessário, mas, por outro lado, o Mazda responde com a colocação da alavanca da caixa de velocidades numa posição mais elevada, no final da consola central, que acaba por facilitar a vida ao condutor em percursos urbanos.


A consola central do Fiesta agrupa um bom número de funções e opções. A posicão elevada da caixa de velocidades do Mazda2 facilita a condução em cidade. O design do painel de instrumentos do Clio confere um toque mais expressivo a um habitáculo algo apagado
   

   
No Clio o condutor acaba por ter mais dificuldades em encontrar uma posição ideal, sendo necessárias várias regulações para se encontrar um equilíbrio entre a posição algo elevada dos bancos e uma postura correcta para chegar aos pedais.

Ao circular em cidade, o habitat natural destes utilitários, Fiesta e Mazda2 voltam a destacar-se pela forma ágil como se desembaraçam de situações de maior aperto. Ambos dispõem de direcções reactivas que acentuam este desempenho mais irrequieto e ajudam o condutor a sentir-se mais envolvido na condução.

O Clio pode não dar esta sensação de agilidade, muito por culpa de uma direcção leve e filtrada, mas não deixa de ser muito competente em artérias citadinas. Além disso, continua a mostrar uma excelente forma em percursos suburbanos ou em estrada aberta, revelando um rolamento consistente para aguentar ritmos mais elevados e uma boa precisão em curvas mais fechadas, apesar da direcção menos reactiva.

O Fiesta revela-se também muito agradável de conduzir nestes ambientes, dispondo igualmente de um rolamento equilibrado e de uma boa desenvoltura em curva. O Mazda2 não é tão consistente em estrada aberta quanto os seus rivais, relevando-se ligeiramente mais trepidante, mas consegue compensar com uma atitude mais aguerrida em percursos sinuosos.

Performances e Consumos
   
Depois de ter estado perto da vitória nas últimas categorias, o Mazda2 consegue o seu primeiro triunfo no campo das performances, graças ao fôlego acrescido do seu motor 1.3 de 86 cv. Não sendo, propriamente, explosivo, o motor da Mazda destaca-se em todas as medições, especialmente nas acelerações, não dando qualquer hipótese ao 1.25i de 82 cv do Fiesta e ao 1.2 16 V de 75 cv do Clio. Estes últimos acabam por registar valores muito próximos, embora o do Clio se revele mais enérgico nas recuperações, mas por uma margem pouco expressiva para as contas finais.

De facto, os motores a gasolina do Fiesta e do Clio revelam-se algo “curtos” para quem queira imprimir ritmos mais vivos, o que, no caso do utilitário da Ford, contrasta fortemente com a sua imagem mais dinâmica e atrevida. Como é óbvio, esta crítica tem de ser atenuada pelo facto de estarmos perante versões de acesso, onde o preço fala mais alto do que as performances. Mas o Mazda2 1.3 consegue, pelo menos, disfarçar melhor este factor, acrescentando um “andamento” mais consentâneo com o que se espera de um modelo jovem e irrequieto.

A análise dos consumos volta a ditar um empate técnico, com médias um pouco acima dos 7,0 l/100 km. O Clio revela-se o mais gastador, registando 7,7 l/100 km, mas a margem de 0,6 l/100 km para o mais comedido de todos, o Mazda2, não justifica a diferença pontual.

Conclusão
   
O novo Ford Fiesta demonstra neste primeiro embate que é mais do que um concentrado de estilo e tem substância para bater rivais de nome feito. Além do seu visual distinto, o utilitário da Ford é uma proposta equilibrada em quase todos os campos, pecando apenas por uma menor aposta na segurança e num motor pouco enérgico.

O Clio prova que, apesar da sua veterania, ainda é capaz de resistir bem à pressão de novos pretendentes, garantindo um honroso segundo lugar, graças a um bom compromisso entre conforto e dinâmica e aos tradicionais padrões de segurança. Só no preço é que o utilitário da Renault é menos equilibrado e competitivo, ficando na fasquia dos 16 mil euros.

O Mazda2 esteve sempre perto dos seus rivais, distinguindo-se pelo seu motor mais enérgico e agilidade viciante, mas a suas derrotas na qualidade de construção e no conforto retiram-lhe hipóteses de lutar pelo triunfo e colocam-no mesmo no último lugar do pódio, embora a escassa margem dos seus rivais.
 
 
 
 
 

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