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Jovens entre os 18 e os 24 anos são aqueles que mais morrem nas estradas nacionais. Um cenário agravado durante os fins-de-semana. Estudo da PRP é preocupante para este grupo etário e defende mudanças no ensino de condução

Texto Jorge Flores Fotografia Arquivo CM
DEZEMBRO 2010
 
Sinistralidade
 
A Prevenção Rodoviária Portuguesa (PRP) apresentou um estudo demolidor sobre o comportamento dos condutores com carta há menos de seis anos nas estradas nacionais. Intitulado “Jovens 18-24 Anos e Sinistralidade Rodoviária”, o estudo revela que é nesta faixa etária que os automobilistas mais aceleram e amaiores índices de sinistralidade rodoviária registam.

Um cenário que alcança a sua maior incidência durante os dias de fim-de-semana.Uuma relação causa-efeito que não será de desprezar, pois os dias que (supostamente) convidam à diversão são particularmente fatais: os acidentes ocorridos nestes dias correspondem à morte de 45% dos condutores envolvidos.

O sexo masculino, de resto, é o principal “culpado” e o grupo de maior risco apontado pelo estudo, representando 85% dos mortos, 78% dos feridos graves e 64% dos feridos ligeiros, sendo que o número de raparigas é, neste contexto, meramente “residual”.

COMPORTAMENTOS DE RISCO

De acordo com o mesmo estudo, apresentado recentemente pelo presidente da PRP, José Trigoso, os jovens entre os 18 e os 24 anos ingerem bebidas com menos regu - laridade do que outros condutores de faixas etárias mais elevadas, mas, quando o fazem (nomeadamente ao fim-de-semana), a tendência é para desrespeitar as taxas de alcoolemia permitidas por lei. Além disso, nesta idade, os jovens mos - tram-se pouco sensíveis aos perigos da utilização do telemóvel e do consumo de drogas ao volante.

Tudo isto surge associado a uma maior apetência para exceder a velocidade (sendo, ainda, os que consideram que o Código da Estrada devia ser mais permissivo) e cair em comportamentos de risco, como sejam as “picardias” de conduzir colocado ao veículo da frente, o desrespeito pelos peões nas passadeiras e o “queimar” do amarelo nos semáforos.

Entre 2003 e 2007, em termos globais, 16% dos mortos e 18,7% dos feridos graves pertencem,justamente, a este grupo etário. Para José Trigoso, impõe-se uma mudança na “atitude” destes jovens, que passará, necessariamente, por uma “alteração na formação e avaliação dos condutores”.

QUANTOS MAIS... PIOR
Para melhor ajudar a compreender este fenómeno, importará cruzar os dados da PRP com ou - tro estudo, desta feita psicológico (“Comportamento de risco no trânsito das populações juvenis”), levado a cabo por Renata Panichi e Adriana Wagner, da Universidade Católica do Rio Grande, Brasil. Também aqui, o grupo dos 18- 24 anos é eleito como o mais problemático. Mas são avançadas algumas explicações para este tipo de comportamentos nestas idades: “A busca de sensações intensas, agressividade, hostilidade, impulsividade, labilidade emocional e motivação anti-social”, entre outras características, muito presentes nas camadas mais jovens da sociedade.

O risco de acidente é tanto mais elevado quanto o número de jovens passageiros que se encontre no veículo. “Jovens conduzem mais de maneira mais arriscada quando os passageiros são seus amigos e de maneira mais prudente, quando os passageiros são os seus pais”, explica ainda o estudo, que considera os pais uma via de controlo eficaz no que respeita aos comportamentos preventivos dos jovens na condução.
 
 
 
 
 

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