Posto
de condução, comportamento
 |
 |
| Só o ambiente anónimo e
a posição de condução sofrível merecem crítica no
interior do CR-V. No banco traseiro, o único que
dispõe de apoio de braços central, existem apenas
dois encostos de cabeça |
|
 |
|
Poucos são os "jipes" (utilizando
abusivamente a classificação) que oferecem uma posição
de condução semelhante à dos automóveis
convencionais. O RAV4 é das poucas excepções
e conquistou o primeiro lugar neste domínio.
O banco não oferece muito apoio lateral mas está bem
colocado, tal como os pedais, alavanca da caixa de pele e o excelente
volante de três braços também de pele (semelhante
ao do Celica e MR2). Banco e volante têm pouca amplitude de
regulação em altura, mas também não precisam
de mais, o apoio para o pé esquerdo não foi esquecido,
os comandos secundários estão bem localizados e são
de fácil leitura e não há defeitos a apontar
à visibilidade.
Um ponto atrás do RAV4 posiciona-se o CR-V. A colocação
do volante é algo deficiente (ainda por cima regula pouco em
altura e tem uma pega pouco agradável, devido ao seu desenho
e espessura) e a colocação de alguns comandos secundários
também não é a melhor, nomeadamente os botões
dos vidros e retrovisores eléctricos. Tirando isso, o banco
(cujo assento regula em altura na parte dianteira e traseira, através
de duas rodas dentadas), os pedais e a alavanca da caixa de pele estão
bem posicionados, a visibilidade é boa para todos os ângulos
e o apoio para o pé esquerdo também lá está.
Um passo ainda mais atrás do CR-V fica o RX4. Apesar de não
ser tão problemática como nos restantes Mégane,
devido à sua vocação, não é por
isso que a sua posição de condução deixa
de ser incorrecta. Primeiro, o volante de três braços
revestido a pele (tem uma pega agradável mas regula pouco em
altura) está colocado de forma demasiado horizontal; segundo,
os pedais do travão e acelerador estão muito próximos;
terceiro, o banco não oferece um bom suporte lateral. De resto,
a alavanca da caixa revestida a pele está bem posicionada,
a visibilidade não merece críticas, os comandos secundários
estão distribuídos de forma racional, tal como o apoio
para o pé esquerdo.
Ao contrário do RAV4, RX4 e CR-V não são verdadeiros
veículos de tracção integral permanente: estão
desprovidos de diferencial central e o eixo traseiro só recebe
binário quando há perda de aderência das rodas
traseiras. O Renault recorre a um controlo de tracção
para as rodas dianteiras e a um diferencial traseiro viscoso para
assegurar (de forma automática e progressiva), em função
das condições de aderência de cada eixo, a repartição
do binário entre os dois eixos.
O Honda está equipado com um sistema hidráulico de tracção
integral denominado "Real Time", que fornece, automaticamente,
tracção às rodas posteriores sempre que as condições
do terreno o exijam. Este sistema não é mais do que
um mecanismo hidráulico que só transmite binário
ao eixo traseiro caso as rodas dianteiras comecem a patinar.
Quanto ao RAV4, o diferencial central totalmente bloqueável
electricamente pelo condutor, que existia no modelo antecessor, foi
substituído por um diferencial autoblocante viscoso que efectua
automaticamente essa operação (a repartição
do binário continua a ser de 50/50), existindo ainda um diferencial
traseiro autoblocante do tipo Torsen.
Apesar das diferenças na transmissão, todos têm
uma característica comum: não têm caixa de transferências,
facto que limita, também, a sua prestação fora
de estrada. Outra limitação é imposta pelos reduzidos
ângulos de ataque, saída e ventral, além da reduzida
altura ao solo e do facto de ser bastante fácil em qualquer
deles ficar-se sem embraiagem.
Para que serve, então, um SUV? Resumidamente, e de uma forma
muito simples, para pouco mais do que subir passeios
A passagem
por superfícies muito arenosas é quase impossível,
e a intenção de ultrapassar obstáculos mais difíceis
é anulada pelos reduzidos ângulos ou pela pouca força
dos motores.
De qualquer forma, o melhor neste domínio é o RAV4,
não por superar mais obstáculos, mas porque circula
mais à vontade (progride, muitas vezes, lentamente) onde o
RX4 e CR-V, na maioria dos casos, têm de parar para não
ficarem imobilizados (os pneus de terra do Renault tiveram pouco efeito
prático). Por isso, os terrenos de eleição destes
modelos são os estradões de terra e os pinhais, sendo,
realmente, três veículos ideais para estacionar em passeios
ou fazer piqueniques.
 |
 |
| Inspirado e atraente, o
interior do RAV4 oferece uma boa posição de condução
e uma qualidade acima da média. O espaço e acesso
ao banco traseiro não merecem críticas |
|
 |
|
Em estrada, o RAV4 é, também, o mais
eficaz. Primeiro, porque a frente é mais precisa (o volante
também contribui
); segundo, porque a carroçaria
adorna um pouco menos, conseguindo manter uma linha mais estável;
terceiro, porque os travões são eficazes e os que transmitem
a melhor sensibilidade. Só uma nota negativa: o comando da
caixa, não por ser ruidoso ou impreciso, mas lento.
Abaixo do Toyota posicionam--se o Renault e Honda. Apesar de o primeiro
ter uma caixa de velocidades mais agradável de utilizar, a
frente tem a mesma falta de precisão e a carroçaria
tem o mesmo grau de rolamento em curva que o segundo, não permitindo
manter trajectórias tão estáveis e acabando por
gerar maiores subviragens. Os travões são suficientemente
eficazes em qualquer deles. |