Requinte e performances
Em 1998, a compra da Bentley pelo Grupo Volkswagen foi o ponto de partida de uma viagem que atirou a marca britânica do passado directamente para um futuro feito de três modelos: O Continental GT e GTC, bem como o Flying Spur.
O património desportivo da Bentley nasceu nas primeiras décadas do século passado. O requinte e o luxo dos seus modelos não condicionava o seu carácter desportivo. Por isso, entre 1924 e 1930 garantiu cinco vitórias nas 24 Horas de Le Mans, quatro das quais consecutivas. Mas a senda de êxitos não foi suficiente para manter a independência deste construtor, que em 1931 foi adquirido pela Rolls-Royce.
Desde essa altura, a história das duas marcas foi coincidente, e a crise que as abalou fez com que até os próprios modelos se confundissem, o que feriu a imagem desportiva da Bentley. Mas algo se alterou radicalmente em 1998, quando a luta pela compra da Rolls-Royce opôs a Volkswagen à BMW.
O resultado desta disputa passou pela separação das marcas britânicas. A Volkswagen assumiu a Bentley e, se apostou em manter a sua imagem exclusiva e luxuosa, também decidiu recuperar a imagem desportiva que lhe estava subjacente.
A família Continental
Nasceu assim uma família de modelos que teve início no coupé GT lançado em 2002. Com base nesta carroçaria de duas portas, com 480,5 mm de comprimento e uma distância entre eixos de 274,5 mm, em 2005 a Bentley realizou o Flying Spur, uma berlina de três volumes e quatro portas, o que obrigou a dilatar a distância entre eixos (306,5 mm) para conseguir a habitabilidade digna de uma berlina de luxo, implicando também um alongamento da carroçaria até aos 5,3 metros, para poder oferecer uma verdadeira bagageira.
Em 2006, surgiu o cabriolet GTC, a terceira proposta da gama que em quatro anos permitiu ao Grupo Volkswagen passar directamente do passado para o futuro. Com estes modelos, o grupo alemão reafirmou a exclusividade e o luxo, para além de recuperar o carácter desportivo que faz parte do código genético da Bentley.
O design é sóbrio, mas original, e não é difícil associá-lo à imagem tradicional da Bentley, onde só se lamenta que a grelha dianteira seja em plástico a imitar alumínio. Contudo, os habitáculos são sublimes. Confundem a tradição com o modernismo e a funcionalidade. Os forros e estofos em couro exigem a pele de 11 vacas, os embutidos em raiz de nogueira são feitos à mão e a utilização de alumínio escovado aponta para a modernidade, o mesmo acontecendo com o volante multifunções.
Motor W12
Os Bentley contam com motores 6.0 W12 que, graças a dois turbocompressores KKK, debitam 560 cv de potência (embora em 2007 tenha surgido um GT Speed com 610 cv), o que lhes permite ultrapassar com facilidade os 300 km/h, e serem conduzidos como grandes desportivos, apesar do seu peso (que chega aos 2475 kg no Flying Spur). Mas mais impressionante do que a potência do motor é o binário máximo de 650 Nm, disponível logo às 1500 rpm, o que permite que os Bentley sejam utilizados de uma forma tão dócil como um Renault Mégane.
Os Bentley Continental são fáceis de guiar, apesar de toda a sua potência. Para isso contribuem todos os auxiliares electrónicos à condução, mas também a tracção total permanente, desenvolvida com base no sistema Quattro da Audi. A caixa automática, Tiptronic de seis velocidades, é tão suave que nem se sentem as trocas de mudanças, podendo ser utilizada em modo manual sequencial com patilhas sob o volante.
O châssis é muito equilibrado, garantindo uma excelente estabilidade direccional. Mesmo com a suspensão pneumática no modo mais confortável, o comportamento é agil, apesar de uma reacção algo lenta nas mudanças de apoio, devido à inércia. Optando pelo modo desportivo, tudo se altera para melhor. O comportamento melhora em termos dinâmicos, mas o conforto degrada-se, o que, se é aceitável no Coupé GT, já não é tão agradável no Flying Spur.
São as vantagens e os inconvenientes de um automóvel que acaba por ser três, com personalidades diferentes. Contudo, todos são capazes de oferecer performances dignas dos grandes deportivos – mesmo o Flying Spur, com o seu aspecto de pachorrenta berlina para andar a 50 km/h no meio da cidade, sentado atrás de um motorista… |