O prazer a céu aberto
No Outono de 2005, a Lamborghini mostrou uma nova versão do Gallardo: um Spyder com uma capota de lona com comando eléctrico que abre ou fecha em meros 20 segundos, ficando escondida sob o capot traseiro, junto ao motor.
Em 2006, quando o Gallardo Spyder chegou ao mercado, a marca italiana tinha outras surpresas. Para vincar ainda mais o carácter desportivo deste modelo, o motor foi evoluído, e a potência passou para 520 cv às 8000 rpm, apesar de os 510 Nm de binário máximo terem ficado inalterados.
Para além disso, a caixa manual de seis velocidades (com comandos sob o volante E-Gear opcional) apresentou relações mais curtas, o que permitiu que a passagem de 0 a 100 km/h pudesse ser feita em 4,3 segundos, um valor que mesmo assim ia além dos quatro segundos conseguidos pelo Coupé comercializado na altura, já que o aerodinamismo era menos eficaz devido à capota de lona, que faz com que a velocidade máxima fique pelos 307 km/h quando ela deixa o habitáculo a céu aberto, enquanto é possível atingir os 314 km/h com ela fechada.
Apesar de tudo, as performances do Coupé e do Spyder eram equivalentes, pelo que sempre foi difícil afirmar que um modelo era mais apelativo do que o outro. Era uma questão de opção.
Alguns preferiam a fluidez das linhas do Coupé, com a suavidade curva do tejadilho que surge como o prolongamento do enorme pára-brisas, desaparecendo na traseira, enquanto que outros aplaudiram o maior dinamismo do Spyder. Há gostos para tudo e é por isso que a Lamborghini propôs as duas versões.
Hoje há diferenças. Se por um lado o Gallardo original continua a estar disponível na versão Superleggera, ela oferece mais 10 cv do que o Spyder, enquanto que os apaixonados pelas performances puras podem ainda optar pelo Gallardo LP560-4 com os seus 560 cv.
Com o vento na cara
Contudo, o Spyder conserva todo o seu apelo, e a Lamborghini continua a produzi-lo para quem gosta de sentir os cabelos ao vento. Para além disso, este roadster oferece um prazer inaudito aos apaixonados pela mecânica: a ausência do tejadilho evita que o ronco do motor seja filtrado, deixando-o chegar com todo o seu vigor aos tímpanos do condutor, aumentando a adrenalina. Cada aceleração é audível e cada redução, graças ao sistema electrónico que gere o comando, tem o cantar de “uma dupla”, o que remete de imediato para o universo das corridas de automóveis. É um convite ao prazer da condução.
Face ao Coupé Superleggera, no Spyder as embaladeiras são mais volumosas, o mesmo acontecendo com as molduras do pára-brisas, de modo a compensar a rigidez estrutural perdida com a ausência do tejadilho.
A solução é eficaz, não permitindo vibrações, nem condicionando o comportamento dinâmico de um modelo onde a tracção total permanente (com um diferencial central viscoso que em condições normais deixa 70% da tracção nas rodas traseiras e 30% nas dianteiras) garante uma grande segurança ao condutor.
É um dos trunfos tecnológicos de um automóvel que não esqueceu os gadgets, como o Lifting System proposto como opção, e que, a velocidades até 70 km/h permite, graças ao simples pulsar de um botão, elevar o châssis de alumínio em 40 mm para facilitar a passagem em estradas esburacadas ou até subir um passeio.
Fascínio do Spyder
Qualquer das versões do Gallardo propõe todos estes “truques”. Mas, apesar de tudo – ainda que a nível pessoal e sabendo que gostos não se discutem – não hesitamos em considerar que o Spyder é mais apelativo, ou talvez mais “puro”, do que o coupé, tanto mais que os cuidados que a Lamborghini teve para garantir o conforto na versão que desenvolveu para ser utilizada com os cabelos ao vento acabam por ser supérfluos. É o caso do vidro traseiro, que aparece como deflector aerodinâmico atrás dos encostos de cabeça. Ele está lá, mas o vento gira como um turbilhão à volta da cabeça do condutor. Só faz falta, e por isso é útil, nos dias de chuva, para potenciar a estanquicidade. |