Míssil prateado
Os “flechas de prata” marcaram o desporto automóvel nos anos 50. Hoje, o prateado é um ícone da Mercedes, podendo ser visto como a cor oficial do SLR McLaren
É um Mercedes, mas foi projectado, desenvolvido e produzido pela McLaren. Por isso, chama-se Mercedes SLR McLaren. O design é claramente associado à marca alemã, e ao SL 55 AMG, mas é um superdesportivo que não esquece a tradição do Mercedes “Gull Wing” dos anos 50. É certo que as portas não abrem como as asas de uma gaivota, mas basta carregar num botão para que elas se ergam na vertical.
O habitáculo é claramente Mercedes, mas também tem tudo que ver com um superdesportivo. As longarinas bastante altas, o túnel da transmissão de grandes dimensões e o volante em posição recuada dificultam a acessibilidade, mostrando que este não é um automóvel normal, tanto mais que o condutor é colocado lá atrás, para permitir que o motor esteja recuado, de molde a garantir a melhor repartição de massas num grande desportivo de motor dianteiro.
Muito equipamento
Apesar de optar por uma estrutura monocoque em carbono, a exemplo do que acontece com modelos como o Ferrari Enzo ou o Porsche Carrera GT, a McLaren não quis um superdesportivo anoréctico. Não privou os seus clientes de um nível de equipamento que a maioria dos seus concorrentes não oferece, para reduzir o peso. No SLR McLaren, tudo o que queremos ter, está lá: bancos, retrovisores e volante com regulação eléctrica, sistema de navegação, leitor de CDs com carregador, sistema de navegação, telefone, cruise-control, e por aí fora...
Por isso, o Mercedes SLR McLaren é “pesado”, mas os seus 1768 kg são facilmente digeridos pelos 626 cv do motor 5.5 V8 equipado com um compressor volumétrico. Com um binário máximo de 780 Nm, que está disponível de uma forma constante entre as 3250 e as 5000 rpm, permite uma condução normal, mesmo em estradas de piso degradado, onde a suspensão reage bem.
Mas logo que o motor é solicitado, o seu ronco rouco mostra que sob o capot há uma fera adormecida, capaz de projectar o SLR McLaren até aos 334 km/h, deixando o condutor esmagado contra as costas do seu banco. As acelerações são muito rápidas. Em 3,8 segundos atingem-se os 100 km/h, só são necessários 10,6 segundos para chegar aos 200 km/h e em 28,8 segundos o velocímetro marca 300 km/h.
Equipado com uma caixa automática de cinco velocidades, que também pode ser utilizada de forma manual com comandos no volante, o condutor pode optar por três modos de funcionamento: “Sport”, “Supersport” e “Race”, por ordem crescente de rapidez.
Aerodinâmica apurada
Para manter o SLR McLaren colado à estrada, a equipa de Ron Dennis trabalhou muito ao nível do “pacote” aerodinâmico. As saídas de escape atrás das rodas dianteiras, a exemplo do que acontecia no passado, deixou limpa a base do châssis, permitindo desenhar um “fundo plano” como o utilizado nos monolugares de F1, que permite que o ar que circula sob o coupé seja canalizado para seis difusores traseiros, garantindo o efeito de solo. Ao mesmo tempo, a pequena asa que surge na traseira pode elevar-se e assumir uma inclinação de 10º, garantindo 80 kg de força sobre o eixo traseiro quando a velocidade aumenta. Da mesma forma, em travagens fortes, a inclinação chega aos 30º, podendo atingir os 65º em situações de limite, garantindo 85 kg de downforce, o que funciona como um travão aerodinâmico.
No SLR McLaren tudo está pensado para garantir performances do outro mundo. Contudo, quanto mais depressa se anda, mais importante é a travagem. A McLaren apostou em travões que actuam por impulsos eléctricos. Garantiu a eficácia, mas abriu mão da sensibilidade, sobretudo a frio e em baixa velocidade. Depressa, tudo é diferente. Com os travões de disco cerâmicos na temperatura ideal, em 35 metros é possível passar de 100 a 0 km/h.
O SBC (Sensotronic Brake Control), é de série. Por isso, o SLR McLaren alia o ABS, o auxílio de travagem de emergência e o apoio na travagem em curva. Cada roda actua independentemente, de acordo com as exigências do momento.
O mais funcional
O Mercedes SLR McLaren é um superdesportivo soberbo. Pode não ser o mais leve, o mais rápido ou o mais emocionante, mas para quem já o conduziu, é o mais equipado, mais confortável e mais fácil de conduzir. É também por isso o mais seguro, já que neste campo a McLaren aproveitou o longo nariz para colocar à frente do radiador dianteiro uma estrutura deformável, feita de cones capazes de absorver energia em caso de acidente. É uma solução que acreditamos irá ser transplantada para os automóveis de todos os dias.
Por isso, este coupé é visto como um superdesportivo diferente. É certo que não é tão exclusivo como os seus concorrentes directos, já que a McLaren aponta para 3500 unidades, número que poderá aumentar se a procura o exigir, mas surge como o verdadeiro Grande Turismo do século XXI, aliando requinte, luxo e prazer de condução.
Este modelo apresentado em 2003, continua a ser produzido artesanalmente, ao lado dos ateliers onde são produzidos os monolugares de Fórmula 1. Em 2006, foi lançada uma versão especial, ainda mais desportiva, com 650 cv, denominada 722, o número do “Gull Wing” que venceu as Mille Miglia, para não falar no roadster, apresentado em 2007. |