Proposta brutal
O Murciélago foi o primeiro Lamborghini que a marca de Sant’ Agatha Bolognese construiu sob a gestão da Audi em 2000. No Salão de Genebra de 2006 surgiu o LP640
A recuperação da Lamborghini após ter sido comprada pelo Grupo Volkswagem em 1998 passou pela entrega da gestão à Audi, que assumiu a responsabilidade de recuperar uma marca que estava depauperada em termos económicos. Tudo começou com grandes investimentos na fábrica de Sant’ Aghata Bolognese, onde no parque de estacionamento surgiu o moderno edifício do “Centro Stile”. Foi aí que, sob a égide de Luc Donckerwolke (hoje na Seat), nasceu o Lamborghini que tinha por missão ser o sucessor do Diablo.
Os alemães monopolizaram o desenvolvimento do motor V12 e da tracção total permanente, deixando em Itália a tarefa de “vestir” o novo coupé. Surgiu assim um modelo de linhas fluidas que, de acordo com o projecto inicial, não deveria contar com grandes asas aerodinâmicas. Foi um contraste com os Lamborghini do passado, mas as grandes tomadas de ar estavam lá, a exemplo do que aconteceu com o Countach e com o Diablo, embora fossem neste caso dinâmicas, dilatando de acordo com a velocidade, e mesmo a asa traseira, que não se vê até aos 130 km/h, aparece parcialmente aberta até aos 220 km/h, surgindo em toda a sua plenitude quando esta velocidade é ultrapassada.
Foi desenvolvido um châssis tubular, vestido com uma carroçaria em fibra de carbono com o tejadilho e as portas em aço, e o motor, apesar de ser o clássico V12 da Lamborghini, foi totalmente revisto, passando a contar com um cárter seco, o que permitiu montá-lo numa posição mais baixa para reduzir o centro de gravidade.
A cilindrada aumentou para 6192 cc e a potência, tão importante num grande desportivo, chegou aos 580 cv às 7500 rpm. Mas, para facilitar a sua utilização, foi adoptado um sistema de admissão variável (VIS) e um variador de fase (VVT), que permite a este modelo com um binário máximo de 650 Nm às 5400 rpm, apresentar 500 Nm logo às 2000 rpm.
Equipado com um caixa manual de seis velocidades ou com o sistema E-Gear com comandos sob o volante, o Murciélago era um modelo sempre pronto para acelerações vertiginosas, com um comportamento digno de um grande desportivo.
O Roadster
Estas características estão na origem do Roadster lançado em 2004. Na versão destinada a ser conduzida a céu aberto, Luc Donckerwolke procurou vincar uma imagem oriunda dos roadsters de competição dos anos 60. Sem alterar muito o design da carroçaria, adoptou um pára-brisas que se prolonga sobre as portas, protegendo o habitáculo das turbulências aerodinâmicas.
Se o design da carroçaria recuperou um estilo com idade, o habitáculo não foge muito ao que era habitual nesses tempos. Apesar do requinte do couro cosido à mão, é espartano. Todos os indicadores e comandos estão reduzidos ao estritamente necessário.
Como não há espaço sobre o motor V12 para receber uma capota amovível, o Murciélago Roadster apresentou uma capota em lona, algo artesanal, que só pode ser utilizada a baixa velocidade, o que é algo contra-natura para um modelo que partilha a mecânica com o coupé, e que oferece performances elevadíssimas que podem ser desfrutadas ao limite graças à tracção total permanente, e a todos os modernos sistemas electrónicos de apoio à condução, que passam pelo controlo de tracção e estabilidade, pelo ABS, e pela repartição de travagem (DRP) que conta com um sensor por roda (TRW) que evita que estas bloqueiem.
Por fim o LP640
No Salão de Genebra de 2006 o Murciélago surgiu ainda mais potente na sua versão LP640, uma referência que indica a colocação do motor “longitudinale posteriore”, e a nova potência: 640 cv.
Em termos de forma, foram alterados os pára-choques e os grupos ópticos, bem como o desenho do extractor de ar traseiro, para já não falar nas novas jantes de 8 ½’’ x 18’’ à frente e 13’’ x 18’’ atrás, com novo desenho.
A cilindrada do motor V12 passou de 6,2 para 6,5 litros, e a potência máxima saltou de 580 para 640 cv. As performances também melhoraram, passando a ser possível chegar aos 340 km/h e passar de 0 a 100 km/h em 3,4 segundos (eram 3,8), o que obrigou a evoluir a caixa manual de seis velocidades (robotizada sequencial em opção). |