Aposta radical
A Pagani é um pequeno construtor italiano que produz, sob encomenda, superdesportivos radicais, com base em motor Mercedes potenciados pela AMG
Horacio Pagani é um argentino que se destacou na América do Sul com a construção de monolugares de Fórmula 3. O seu compatriota, Juan Manuel Fangio, tornou-se amigo e conselheiro. Em 1982 começou a trabalhar em Itália com a Lamborghini, mas o sul-americano queria mais. Em 1991 funda a Modena Design, trabalhando com a Aprilia, Dallara e até com a Ferrari, mas não ficou satisfeito.
Em 1988 anunciou ao seu amigo Fangio que desejava construir um superdesportivo que reflectisse a imagem do campeoníssimo argentino. Fangio, aceitou a ideia mas quase exigiu que o motor fosse um Mercedes, usou a sua influência para garantir os motores de que Horacio Pagani necessitava.
O carro que a Pagani começou a construir, deveria chamar-se Fangio, mas a morte do piloto argentino, obrigou a uma escolha diferente. Por isso, o primeiro protótipo foi apresentado em 1999 e chama-se Zonda.
Da mesma forma que o estilo do Lamborghini Miura desenvolvido com base nos Ford GT40 que venceram em Le Mans, o desenvolvimento dos Zonda seguiu imagem dos Sauber-Mercedes do Campeonato do Mundo de Resistência. De acordo com o projecto inicial, procurava ser um superdesportivo leve, seguro, performante e original.
Motor AMG
Se Juan Manuel Fangio desejava um motor Mercedes, a AMG forneceu a Horacio Pagani um dos seus melhores blocos: um 12 cilindros com 600 cv de potência e um binário de 760 Nm. Na construção do Zonda foram utilizados os materiais mais sofisticados: carbono, ligas de alumínio, titânio, avional e cromomolibnénio, para além da melhor mão-de-obra disponível na região de Modena.
Muito de tempo dedicado ao desenvolvimento, foi passado no túnel de vento, para “garantir que a resistência ao ar fosse mínima”, como admite Horacio Pagani. “Num automóvel com estas características o apoio é fundamental, tanto mais tem muito que ver com a segurança”, acrescenta o argentino que reconhece que tanto as grandes acelerações como o poder de travagem, não passam apenas por um motor super potente e discos de travão cerâmicos, passando também “por uma série de forças onde, para além do aerodinamismo, influiu a geometria da suspensão, o baixo centro de travagem e o baixo peso”.
Todos estes pormenores foram tomados em linha de conta. Por isso, para além do motor AMG, o Zonda apurou a eficácia aerodinâmica e recorreu à Bosh para garantir o fornecimento das últimas evoluções do sistema ABS.
Modelo convencional
Graças ao trabalho realizado, surgiu um coupé muito dinâmico, com uma direcção hiper directa que deve ser pilotado. A condução não é suficiente, quando as ajudas electrónicas estão reduzidas ao mínimo. Mesmo assim, a Pagani conseguiu um excelente equilíbrio mecânico das suspensões, garantindo uma suspensão sólida, mas também suficientemente confortável para um veículo capaz de chegar aos 340 km/h, “porque os clientes desejam automóveis performantes, mas não objectos de tortura”.
Em 2003, a Pagani evoluiu o seu coupé que passou a contar com um motor de 7,3 litros com 555 cv, cujo binário de 620 Nm surge logo às 2000 rpm, subindo depois para 750 Nm às 4050 rpm. A evolução do modelo passou ainda pela incorporação do ABS, controlo de tracção, suspensões reguláveis com amortecedores Ohlins, travões Brembo autoventilados, com quatro êmbolos, e novas jantes OZ de 18 polegadas.
O Roadster F
Em 2006, a oferta dos Zonda foi dilatada com a apresentação do Roadster F no Salão de Genebra. Foi uma proposta exclusiva, já que a marca apenas prevê a produção de 25 unidades. O recurso à fibra de carbono que permite garantir uma estrutura monobloco muito rígida, permitiu que o peso do roadster não se alterasse significativamente face ao coupé.
Mas a grande diferença do novo Roaster é o motor AMG que viu a sua potência dilatada para 650 cv, com 780 Nm de binário máximo, o que permite chegar aos 345 km/h de cabelos ao vento, e passar de 0 a 100 km/h em 3,6 segundos e chegar aos 200 km/h em 9.8 segundos. É uma grande evolução para um roadster muito especial que para além de ser produzido de forma artesanal, incorpora a modernidade tecnológica e é mais exclusivo do que muitos dos seus concorrentes mais directos.
O R surgiu em 2007
No Salão de Genebra de 2007, foi apresentada a versão R 6.0 V12 do coupé. Equipada com o motor 12 cilindros com 6.0 litros de cilindrada, a opção de dois turbocompressores permitiram garantir 750 cv de potência, com um binário de 710 Nm às 5000 rpm.
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