Os desconhecidos
A Spyker é uma marca com um grande património histórico, tendo sido a primeira marca a produzir um automóvel de tracção total. No entanto, esse pioneirismo é tão pouco conhecido como os desportivos que produz na actualidade.
Pouco sabem que a Spyker foi fundada em 1898 pelos irmãos Jacobus e Hendrick-Jan Spijker, dois pioneiros da história do automóvel. É uma marca que nunca logrou sair de um certo anonimato, mesmo quando nos primeiros anos do século passado esteve na ribalta do vanguardismo tecnológico.
Em 1903, a marca fundada pelos irmãos Spikjer apresentou o 60/80 HP, um modelo que ficou para a história como sendo o primeiro a ser equipado com um motor de seis cilindros e por ter estreado a utilização de quatro rodas motrizes, soluções que só vieram a ser comprovadas muito tempo depois.
Os Spijker eram verdadeiros visionários. Mas a sua empresa, talvez por estar afastada dos grandes aereópagos onde o automóvel evoluiu, nunca logrou garantir a imagem e o prestígio que se justificavam, tendo chegado mesmo a produzir excelentes motores que foram utilizados pelos primeiros aviões que surgiram durante a I Guerra Mundial e ao longo dos anos 20.
As vendas da Spyker nunca atingiram volumes que garantissem a sobrevivência da marca holandesa. Por isso, em 1925 fechou as portas, mas os holandeses nunca esqueceram a marca Spyker.
A memória perdurou ao longo de 75 anos. Em 2000, quando reapareceu no Salão de Birmingham, os holandeses ainda reconheciam o nome, apesar de o resto da Europa ter ficado surpreendido por um modelo que fazia a diferença ao nível do design.
A Spyker mostrou o C8 Spyder no certame britânico, um roadster original, equipado com um motor V8 de 4,2 litros da Audi montado em posição central, que veio a ser premiado pelo Institute of Vehicle Engineers Design. No ano seguinte, surgiu a versão coupé – o Laviollete.
Aposta na competição
Para garantir a afirmação da marca e conseguir o reconhecimento dos seus modelos, a Spyker desenvolveu o Double 12 R, uma versão de competição que participou nas 24 Horas de Le Mans em 2002 e 2003. O trabalho desenvolvido em colaboração com a Mader permitiu realizar o Spyker C8 Double 12 S, um desportivo de performances ainda mais elevadas, destinado a uma utilização em estrada.
Com estes modelos, a Spyker passou a contar com uma gama. A marca estava lançada. Em 2004 passou a ser cotada na bolsa de Amesterdão, e no ano seguinte garantiu a homologação do C8 nos Estados Unidos, o que lhe abriu um novo e importante mercado.
A conquista de um mercado tão importante permitiu dilatar a oferta de uma marca que centrava as suas vendas no C8 com um motor 4.2 V8, com uma potência de 405 cv e 480 Nm na versão atmosférica, ou o biturbo de 456 cv e 530 Nm. Por isso, no Salão de Genebra de 2005 foi apresentado um novo modelo, o C12 La Turbie, equipado com um motor Audi W12 de 6.0 litros, com 405 cv na sua versão atmosférica e 630 cv na opção sobrealimentada. Qualquer das versões conta com caixas de velocidades Gertrag com comando manual ou sequencial.
Construção artesanal
Uma produção muito reduzida permite que cada Spyker seja um modelo diferente e exclusivo. Na origem está um châssis em alumínio de peso reduzido e uma grande rigidez estrutural, um metal que também é utilizado em vários painéis da carroçaria, produzidos na Alemanha pela Karmann e em Inglaterra pela Coventry Prototype Panels.
Original em termos de design, na versão coupé os Spyker contam com tejadilhos onde a utilização de vidro aumenta a luminosidade de um habitáculo que pode ser realizado a gosto de cada cliente. O habitáculo é um tanto barroco, o que é vincado por um painel de instrumentos muito rebuscado, cintilante pelo brilho do alumínio, e cheio de detalhes, comandos e mostradores – algo que a marca afirma ser uma herança da tradição dos aviões do passado, mas talvez um pouco exagerado, como é o caso de um volante cujos braços procuram o desenho das quatro pás das hélices de um avião…
Mas tudo pode ser diferente, porque os Spyker são modelos hiper-exclusivos, realizados ao gosto de cada cliente. Desde o início da produção de um modelo, que só tem lugar após a compra (sinal pago), ele é feito por medida. Cada Spyker tem, desde logo, um destinatário, e por isso é quase impossível encontrar dois que sejam exactamente iguais. |